terça-feira, 3 de junho de 2025

 JOSÉ MARTINHO

NÃO SEI QUEM SOU.

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Nesta passagem pela vida

Tenho tido pouca sorte

Meti-me num beco sem saída

E assim perdi o Norte

Não sei de onde vim

Nem sequer para onde vou

Só sei que sou assim

E que nesta vida estou

Ando com o coração irrequieto

Só sinto tristeza, desgosto e dor

Não sei se vivo ou vegeto

Porque não sei o que é o amor

Neste mundo em que vagueio

Injusto e cada vez pior

Não sei se o amo ou o odeio

Sentindo muito receio

De não vir a sentir dor.

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José Martinho.



Amar o próximo 

Porque choras meu amigo 

Sentado aqui neste chão 

Tens frio e corres perigo 

Imaginar não consigo 

Que tens fome e não tens pão 

E o que fazes tu menino 

Nesta rua a esta hora ? 

Estou aqui mas sou velhinho 

E tu que és tão novinho 

Andas de noite por fora 

Eu tenho a minha avozinha 

Mas nem mãe nem pai eu tenho 

Se tu não tens uma casinha 

Vem comigo para a minha 

Que eu nisso faço empenho 

Seguindo pela rua fora 

A mão lhe deu de repente 

A avó veio nessa hora 

Deu -lhe a benção sem demora 

E a vida ficou diferente 

A avozinha lhe disse 

Já tens um pai para amar 

E o pobrezinho em meiguice 

Na mesma hora lhe disse 

Meu filho vou -te adoptar 

A avozinha os cuidava 

Num ambiente feliz 

Naquela noite eu lá estava 

Deus nunca me abandonava 

E foi ELE que assim quis 

Gertrudes Dias



PEREGRINA DE SONHOS

A rosa que floriu ontem já murchou

E aquele rio cantante feneceu

Teus olhos já fechados não me viram

O amor que me foi dado já morreu

Partiste na barca sem retorno

Em mim ficou a dor a soluçar

Meu peito se rasgou em mil pedaços

Perdendo a capacidade de amar

Fiquei aqui sozinha sem ter esperança 

Neste tempo cruel que me domina

Ontem fui mulher de corpo inteiro

Hoje sou somente peregrina

Peregrina de sonhos e de amor por nós vividos

Mas que agora para sempre estão perdidos

A Guardadora de Palavras

Fernanda Rocha

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