NÃO SEI QUEM SOU.
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Nesta passagem pela vida
Tenho tido pouca sorte
Meti-me num beco sem saída
E assim perdi o Norte
Não sei de onde vim
Nem sequer para onde vou
Só sei que sou assim
E que nesta vida estou
Ando com o coração irrequieto
Só sinto tristeza, desgosto e dor
Não sei se vivo ou vegeto
Porque não sei o que é o amor
Neste mundo em que vagueio
Injusto e cada vez pior
Não sei se o amo ou o odeio
Sentindo muito receio
De não vir a sentir dor.
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José Martinho.
Amar o próximo
Porque choras meu amigo
Sentado aqui neste chão
Tens frio e corres perigo
Imaginar não consigo
Que tens fome e não tens pão
E o que fazes tu menino
Nesta rua a esta hora ?
Estou aqui mas sou velhinho
E tu que és tão novinho
Andas de noite por fora
Eu tenho a minha avozinha
Mas nem mãe nem pai eu tenho
Se tu não tens uma casinha
Vem comigo para a minha
Que eu nisso faço empenho
Seguindo pela rua fora
A mão lhe deu de repente
A avó veio nessa hora
Deu -lhe a benção sem demora
E a vida ficou diferente
A avozinha lhe disse
Já tens um pai para amar
E o pobrezinho em meiguice
Na mesma hora lhe disse
Meu filho vou -te adoptar
A avozinha os cuidava
Num ambiente feliz
Naquela noite eu lá estava
Deus nunca me abandonava
E foi ELE que assim quis
Gertrudes Dias
PEREGRINA DE SONHOS
A rosa que floriu ontem já murchou
E aquele rio cantante feneceu
Teus olhos já fechados não me viram
O amor que me foi dado já morreu
Partiste na barca sem retorno
Em mim ficou a dor a soluçar
Meu peito se rasgou em mil pedaços
Perdendo a capacidade de amar
Fiquei aqui sozinha sem ter esperança
Neste tempo cruel que me domina
Ontem fui mulher de corpo inteiro
Hoje sou somente peregrina
Peregrina de sonhos e de amor por nós vividos
Mas que agora para sempre estão perdidos
A Guardadora de Palavras
Fernanda Rocha



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