1 - AS MÃOS SÃO TUDOMãos divinais
Que dão sinais
São dádivas de amor
Mãos postas em oração
Sabem pedir perdão
São gratas ao Senhor
Mãos tatuadas
Estão marcadas
Por alguma razão
Meigas inteligentes
Acariciam crianças doentes
Se há dor ! são coração !
Mãos que sabem escrever
Veem poesia acontecer
Na partida, dizem adeus
Enrugadas na velhice
O que parece chatice
Cuidaram dos filhos Seus !
Laura Prates.
2 - Prezo a liberdade
**
O meu casamento
Deu para admirar
Vermelho vesti
Para ir ao altar
Toda a gente a olhar
Sem compreender
O que eu quis dizer
Naquele momento
Foi um juramento
Por ser Indiana
Uma jovem que ama
Suas tradições
Todas estas lições
São o meu legado
Casamento é sagrado
E quero festejar
Para comemorar
Três dias é pouco
Neste mundo louco
Quero hoje brilhar
**
Mãos , anel de ouro
E luvas de renda
Que foram oferenda
E são meu tesouro
Longe o mau agouro
Não vou desistir
Deste casamento
Tanto ao meu agrado
E quem quiser vir
Fica convidado
**
Gertrudes Dias
3 - Tradição milenar
**
Era meu destino de casar com um milionário
Sempre gostei de o dizer a toda a gente
Mas aquele dia aconteceu algo diferente
E tive que o marcar no meu diário
**
Esta paixão se revelou , e o casamento
Foi marcado com pompa e circunstância
Nada impediu , nem cultura nem distância
Viajei e fui para a Índia sem lamento
**
Casei de vermelho como manda a tradição
O branco ou o preto lá trazem mau agouro
O meu noivo milionário é um tesouro
E o casamento foi a grande solução
**
Dias e dias e a festa sempre em frente
Era um mar de gente na terra a cirandar
E eu risonha num casamento de encantar
Fazia parte desse mundo e dessa gente
**
Minhas mãos , anel e luvas que orgulho
Era noiva deslumbrada por casar
Meu noivo milionário era o meu par
E já tinha assegurado o meu futuro
**
Gertrudes Dias
4 - AS MÃOS
Mãos que sabem acarinhar
Mãos que o fazem por amor
Mãos que querem ajudar
Mãos que estão ... sempre ao dispor
Mãos justas equilibradas
Mãos que constroem a Paz
Mãos que nasceram honradas
Mãos que tudo é eficaz
Mãos sempre adoráveis
Mãos doces e macias
Mãos muito prestáveis
Mãos humanas todos os dias !
O INVERSO
Mãos maldosas
Mãos que destroem
Mãos invejosas
Mãos que corroem
Mãos perigosas
Mãos traquinas
Mãos vaidosas
Mãos assassinas
Mãos ocultas
Mãos nascidas do mal
Mãos por vezes incultas
Mãos respondem no juízo final !
Laura Prates.
5 - As tatuagens
…
Com pura henna as tatuagens,
Pó da planta e mais substâncias,
Faço inauditas imagens.
…
As mãos com subtis miragens,
Festa com exuberâncias,
Com pura henna as tatuagens.
…
Na minha amiga vantagens,
Cenas com tais luminâncias,
Faço inauditas imagens.
…
Ficam pulcras as montagens,
Desprovidas de constâncias,
Com pura henna as tatuagens.
…
Na Índia usam tais linguagens,
No enlace significâncias.
Com pura henna as tatuagens,
Faço inauditas imagens.
…
Mary Lai (Cidália Teixeira)
6 - A MAGIA DAS MÃOS .
.
Mãos cheias de palavras
Que não conseguem ficar caladas
Mãos, numa imensa comunhão
Mãos que se erguem a pedir
No momento duma aflição surgir
Em fervorosa oração!...
Mãos que acariciam com ternura
Que têm a essência mais pura
Na mais inesperada ocasião
Mãos que não se poupam, esforçadas
Trabalhando muito empenhadas
Numa valiosa missão!...
Mãos repletas de saber
Motivadas… sem horário ter
Para proporcionar satisfação
Mãos de tarefas empreendedoras
Haveis e dinâmicas gestoras
Que tantas alegrias dão!
Mãos que contam segredos
Que são calmantes dos medos
Presentes, na devida ocasião
Mãos de proximidade
Presentes, desde a primeira idade
Sem termo de duração!
-
São Pereira
7 - TEMPO QUE ME ATRAVESSA
.
Olho as minhas mãos já tão enrugadas
E comparo-as às tuas, ainda tão iguais
Às que um dia foram minhas; alvas tais,
Como pétalas de rosas delicadas.
.
Não têm marcas do tempo, das jornadas,
Nem na pele histórias desiguais;
Não sabem dos silêncios nem dos ais,
Que a vida crava em horas demoradas...
.
Têm meninice, têm o que lhes pertence:
Candura, macieza; alvura, delicadeza;
São o veludo que na toalha ainda existe.
.
Mas minhas são obra, são acontecimento,
Vida em conhecimento; tempo qu' m lembra;
A minha orgulhosa sombra, obra que resiste!
.
RAADOMINGOS
8 - MÃOS RENDILHADAS
Mãos tatuadas, rendas de cor alaranjada
Desenham segredos na pele reluzente,
Parecem trazidas de terra encantada,
Em linhas suaves que brilham, divinamente
***
Nos braços dançam pulseiras em tom dourado,
Brilham como sol nas dunas ao amanhecer,
Em traço árabe o destino é desenhado,
Feito poesia que o vento insiste em tecer.
Celestina Esteves.
9 - O dia do meu casamento
**
Solteirinha é que eu não fico
Já tenho com quem casar
Vai me levar ao altar
É jeitoso e muito rico
Muitas vezes tenho dito
Vai ser um dia diferente
E lembrei -me de repente
Vou casar á indiana
São casamentos com fama
Vou convidar muita gente
**
No dia do casamento
De vermelho me vesti
O branco ou preto não quis
Na Índia é um juramento
Simboliza no momento
Afastar o mau agouro
Minhas mãos , anel de ouro
Estão com tudo a condizer
E nunca me vou esquecer
Encontrei o meu tesouro
**
Gertrudes Dias
10 - TUAS MÃOS SÃO ALVORADAS
Percorrem as tuas mãos
Planícies e colinas
No redondo do meu corpo
Como flores desfolhadas
Atapetando o meu chão
Mãos compondo o destino
Na avidez do prazer
Emissárias dos sentidos
Marcando à flor da pelo
Os caminhos proibidos
Tuas mãos são alvoradas
Num constante amanhecer
Tuas mãos...
Percorrendo o meu corpo
São colinas de prazer
A Guardadora de Palavras
Fernanda Rocha
Direitos de autor reservados
11 - Mãos delicadas
…
Mãos delicadas, pura tela artística,
Tatuagens de Henna, na prometida.
Família, amigas, a pintam, querida,
Tão surreal a tradição tão mística.
…
Meu sonho voa… Pra Índia a logística,
Encontro os noivos que me dão guarida,
Felicito-os, prendas de seguida,
Cor, flores, danças, cena novelística.
…
Fico surpreendida… Tanta festa!
Três,…,sete dias, ritmo instrumental,
Flores, muitas flores e alegria.
…
Rituais, banhos, tatuagens e gesta,
Fogo sagrado e juras, recital…
Meu coração pulsa em sã harmonia.
…
Mary Lai (Cidália Teixeira)
12 - DESENHOS DE AMOR
.
As mãos estão cheias de cor
Com desenhos que têm brilho
Mostram a força do amor
Ao seguir este caminho
.
As pulseiras fazem som
Brilham como a luz do dia
O momento é muito bom
Cheio de paz e alegria
.
O vestido é bem encarnado
Como uma flor no jardim
Tudo foi bem preparado
Para um dia que não tem fim
.
É uma festa de união
Com muita gente a olhar
Sente-se no coração
A vontade de casar.
.
José Martinho
13 - DÁ-ME A MÃO
.
Dá-me a mão
Assim, bem apertada
Não a largues por nada.
Já me perdi nos passos
Do tempo envelhecido
Entre barulho dos pássaros
Dos ventos e das folhas molhadas.
.
Ando descalça, por aí perdida
Alheia à vida adormecida,
Amarfanhada, dormente e dorida.
Vá... não hesites, dá-me a mão
Aperta-a, meu sangue fervilha sorrindo
Não a largues por nada.
.
Além dos abraços
Com que me amarras,
E dos sorrisos raiados
E dos beijos molhados
Envoltos em choros e laços,
O amor é lago profundo
É vento bravo, sem fundo.
.
Vá... dá-me a mão
Quero que me segures
Em teus braços apertados
Gemidos e sonhos calados.
Ai tua mão é guia,
É rumo, alento, é alegria.
.
Dá-me a mão
Segura-a bem apertada
Não a largues por nada.
Trazes tua voz meiga
Quente e sussurrada
Ao meu ouvido beijada
Tua mão na minha, enrolada.
.
Cecília Pestana
14 - O QUE VEJO AQUI.
(2º Poema)
*****
O que vejo aqui
Eu quero explicar
É a arte Mehndi
Que lá em Nova Deli
Já é secular!
*****
É arte em pintura
Nas mãos e no pé
Onde a criatura
Diz de forma pura
Sentir bem mais Fé!
*****
As noivas a fazem
Se estão pr`a casar
E se satisfazem
Porque os espíritos trazem
Mais sorte que azar!
*****
A planta que é usada
Na pele da “pequena”
Deixa a apaixonada
Assim tatuada
Chama-se Henna!
*****
E quanto mais escura
De henna seja a cor
O noivo de alma pura
Com maior candura
Dar-lhe-á mais amor!
*****
“O Poeta Alentejano” - Renato Valadeiro
Todos os Direitos Reservados
15 - ASSIM É A MULHER!
(3º Poema)
*****
Assim é a mulher
Na forma de estar
Faz o que quiser
Sem tempo a perder
Por vezes sem pensar!
*****
No corpo só dela
Ninguém manda nele
Menina ou donzela
Apenas sabe ela
Dar-lhe o tom à pele!
*****
Tatuado ou não
Com algum misticismo
Faz a aparição
Fugindo à agressão
E até do racismo!
*****
Seu corpo especial
De linhas perfeitas
Torna-a sensual
E intelectual
Quando tu a espreitas!
*****
Com as unhas pintadas
Ou mãos que simbolizam
As minhas gretadas
Estando enlaçadas
Nas tuas deslizam!
*****
“O Poeta Alentejano” - Renato Valadeiro
Todos os Direitos Reservados
16 - FUI À INDÍA!
(1º Poema)
*****
Fui à Índia para ver
O que estava a acontecer
Nos corpos assim pintados.
E depois de analisar
Vi ser arte milenar
Que já vem de antepassados!
*****
É comum em casamentos
Pr`a vossos conhecimentos
Essa antiga tradição.
Usa nos braços pulseiras
Tornando as mulheres guerreiras
Símbolo de fértil união!
*****
O anel que levam no dedo
Talvez esconda o segredo
De servir contra o mau olhado.
Diz-se que traz boa sorte
Tornando o amor mais forte
Nesse ritual sagrado!
*****
Apesar de ser esquisita
Esta arte é bonita
Mas que me deixa a pensar.
Não haverá outra forma
De se vestirem por norma
Quando estão pr`a se casar?
*****
Contudo, eu digo até
Cada qual é como é
Díspar de país para país.
Não importa raça ou cor
Mas sim o jeito melhor
Pr`a que possa ser feliz!
*****
“O Poeta Alentejano” - Renato Valadeiro
Todos os Direitos Reservados
17 - Mãos de fada
Desperta a madrugada
o Sol está em Abril…
henna armada de cor
cortejo de luz a sorrir
Mãos de fada verdadeiras
tocar-lhes sem ruído
desenham nelas canseiras
em tons de rosas vermelhas.
Mistério há de certeza
manejando e colhendo
e sem os olhos pestanejar
mãos de fada em novelo.
Lindas unhas polidas
ideia de olhos pintados
desenhos são maquilhados.
em rituais partilhados.
A vida é uma dança
de cultura multicolor
seja ela onde for
desperta a arte em amor.
2 Março 2026
Graciete Lima
18 - Mãos pintadas"
Obras de arte!
Turcas mãos pintadas
Cores suaves vibrantes
Desenhadas tão rendilhadas
Legados ancestrais tonificantes.
São beleza de uma paz universal
Sejam de um azul turquesa
Ou pintura de ramagem florestal
Mãos pintadas dançam ao vento
De uma criatividade sem igual
Mãos desabrocham com alento
Num acalorado valor sentimental
De trabalho de amor e devoção
Obras de arte de grande beleza
Mãos são símbolos da criação.
Mãos pintadas por profissionais
Com lindos desenhos estampados
Desenhos criativos por demais
Pintados recordam ritmos passados.
Lurdes Bernardo
19 - MENSAGEM
Em minhas mãos tatuei
as palavras que não disse
doce sentir, desenhei
mapa florido pintado
código que amor sustém
de receio que alguém visse.
Ao mundo assim mostrado
sendo canteiro em flor
o segredo se mantém
antes que desvanecida
essa mensagem de amor
na minha pele, pede vida!
..........
maria g.
20 - MULHER.
Tem mãos de renda fina
mulher jovem
qual noiva prometida
acredita que a felicidade
vem e não finda.
Em seus olhos há esperas
e sonhos
num tempo de primaveras
sonhos de amor e liberdade
na febre da idade.
Depois de forma diferente
vê seus sonhos erguidos
desmoronarem, sem sentido
realidade presente
contrário ao seu critério
Mulher, oculto mistério
sagrado feminino sedutor
amadurecido
em seu âmago retraído
já não crê no amor!
..........
maria g.
21 - MÃOS ESCREVENDO POESIA
Minhas mãos
Amaciando a doçura
Desenham linhas imperfeitas no teu corpo
Correndo à solta sem pedir licença
Minhas mãos foram para ti
Sentimento e loucura
Depois
Escreveram em ti poemas de amor
Pintaram no teu corpo a alegria
Nas paredes da ventura
Acariciaram o teu sorriso
Com uma doce magia
Minhas mãos e as tuas mãos
Pintadas de alegria
Em recolhimento
Escreveram esta doce poesia
A Guardadora de Palavras
Fernanda Rocha
Direitos de autor reservados
22 - LINHAS VIVAS DO CORAÇÃO
Sonho-me nas noites do Oriente
Nos jardins suspensos de mistérios transcendentes
Colhendo a sina em folhas de henna
Projetando o futuro em versos de um poema
Celebra-se um novo ciclo, na noite ecoam os hinos
Acordam os sonhos que repousam nas nuvens de algodão
Acendem-se as estrelas traçando o destino
Na palma da mão, em linhas vivas do coração
Na inocência de um jasmim perfumado
Sândalo, patchuli, aromas exóticos debruados
Uma pintura em traços fortes
Em desenhos de felicidade e sorte
Aroma de jasmim, pungente e doce
Bálsamo em notas orvalhadas derramado no coração
Mãos que dançam
ao luar em jeito de prece
Embalando o destino nas rotas rubras de paixão
@Fátima Arede
Todos os Direitos de Autor reservados nos termos da Lei 50/2004 de 24 de Agosto
e 2ª versão (a mais recente) Lei nº 49/2015 de 05/06.
23 - As divas
…
Cores garridas festivas
Mãos tatuadas, as divas.
…
Na noiva obstam mau-olhado
Livra-a do triste fado.
…
jóias usa e coloridos
Encantos enaltecidos
…
Música em instrumental
Danças no mel ritual.
…
Depois saem tatuagens
Vida segue suas vantagens.
…
Mary Lai (Cidália Teixeira)
24 - TUA MÃO NA MINHA MÃO
Se eu te contasse ao ouvido
Tudo aquilo que eu sei
Plantava em tua alma
Os desejos de uma vida
Abriria sem saberes
Uma estrada com sentido proibido
Desfaziam-se as tristezas
Como bolas de sabão
Lado a lado seguiríamos
Olhando o sol poente
O ontem era o presente
Capinávamos quimeras
Feitas de sonho e de luz
Na porta da felicidade
Como o destino traçado
Seguiríamos à aventura
Tua mão na minha mão
A Guardadora de Palavras
Fernanda Rocha
Direitos de autor reservados
FEVEREIRO
23-2-2026
24
1 - COMO ANJO RENASCIDO
Em mim
A música do silêncio
Diluía-se no lusco fusco da manhã
Notas soltas no prazer de sonhar
Dançam as notas na pauta
Incautas
Bailam ao vento
Despertam os meus sentimentos
No murmúrio da manhã
A música do silêncio
Embala os sonhos despertos
Voa por dentro do meu peito
Um silêncio reconfortante
Que me preenche os sentidos
Acordo da letargia
Como anjo renascido
A Guardadora de Palavras
Fernanda Rocha
Direitos de autor reservados
2 - UMA INCÓGNITA
São quatro janelas
Por elas entra o luar
Por cada uma delas
É diferente o nosso olhar
Uma cadeira vazia
Ignorando quem ocupa
Verdade ou fantasia
Começa ali...uma luta
É uma sala meio triste
De reuniões secretas
O silêncio a que se assiste
Contribuí p'ra descobertas
A noite já terminou
As luzes já se apagaram
Com o sol que nela entrou
As paredes se alegraram
Sala que guarda segredos
De palestras importantes
E que alguém, grita sem medos
A sentença dos amantes. !
Laura Prates.
3 - A minha casa ?
**
Uma casa sombria um dia encontrei
E pensei mudar essa escuridão
Comprei um tapete pra forrar o chão
Abrindo as janelas a luz encontrei
**
Á volta da casa uma mata densa
Onde o sol espreitava com todo o carinho
Mudei a paisagem protegendo um ninho
E o sol entrou sem pedir licença
**
Arranjei cadeira para me sentar
Queria conforto e gozar a vida
A estar nesta casa estava resolvida
Por isso a cadeira tinha alto espaldar
**
Nas horas que o sol vence o arvoredo
Sentada já estou na minha cadeira
Vou gozar a vida á minha maneira
Porque eu sou assim neste sonho ledo
**
Gertrudes Dias
4 - TEMPO IMPERFEITO
Silêncio
Tudo é silêncio e calma
Escrevo recados à alma
Sentimentos já sonhados
Sem tinta nem endereço
Sem ter fim nem ter começo
Neste silêncio pesado
Vestido de negras sombras
Embarco, então, na viagem
Que a vida me oferece
Sem bilhete ou passaporte
Vagueio por entre os sonhos
Procurando o meu norte
Talvez um pouco perdida
Mas a vida pretendida
Não nos indica o caminho
Pode ser bem conseguida
Ou então ser ao contrário
------vida dentro do armário
Sem soltar os sentimentos
São dolorosos momentos
Cavados dentro do peito
Neste tempo imperfeito
É a Incógnita da vida
Magoando os sentimentos
A Guardadora de Palavras
Fernanda Rocha
Direitos de autor reservados
5 - À ESPERA DA LUZ.
.
No centro de um quarto sombrio
A cadeira espera a luz
Vence o silêncio e o vazio
Que a própria sombra produz
.
Pelas janelas abertas
O dia espreita lá fora
Em linhas claras e certas
Que o sol no chão desenha agora
.
O brilho que invade o espaço
Traz um calor de alento
Como se fosse um abraço
No meio do esquecimento
.
Descansa a peça isolada
Nesta moldura de cor
Sendo a presença esperada
Num mundo sem mais rumor
.
José Martinho
6 - SERÁ SALA DE CINEMA?
(1º Poema)
*****
Será sala de cinema
Ou apenas um salão?
Eis aqui o problema
Que descrevo no poema
Sem encontrar solução!
*****
Fico na espectativa
Que alguém me diga a resposta
A imagem não cativa
Que raio de iniciativa
Qualquer dia dou à costa!
*****
A incógnita continua
Atrás dos vidros, lá fora
Mas ninguém averigua
Se o que está na rua
É bananeira que aflora!
*****
E porquê só uma cadeira
No meio desse soalho?
Não está lá por brincadeira
Perdoem-me se digo asneira
Descobrir dá-me trabalho!
*****
Se eu não for assertivo
Que me caia a cabeleira
Só porque sou compulsivo
Pr`a mim é o centro interpretativo
Da banana na Madeira!
*****
“O Poeta Alentejano”- Renato Valadeiro
Todos os Direitos Reservados
7 - O silêncio em sinfonia
…
Na minha marquise ao fim do dia,
A cadeira solitária me espera,
Sombras negras nas plantas, tal quimera,
Azul do céu afronta com a ironia.
…
Neste espaço o silêncio em sinfonia,
Na cadeira incide a luz e lidera
Fantasia de estar só tão severa,
Monstros que desenha na ramaria.
…
Janelas olhos que veem o céu!
Nem pássaros ali voam gentis,
Na pasmaceira entra em mim a saudade.
…
Chão atapetado de verde, gemeu…
Passos pesados, vivência excluis,
Vida lenta, solitária, a verdade.
…
Mary Lai (Cidália Teixeira)
8 - O meu palacete
**
Tenho um palacete em pequena aldeia
Posso garantir que não há igual
Tem muitas janelas , o que é bom sinal
Entrando por elas o sol me bronzeia
**
Em todo o espaço tenho cor e luz
E uma cadeira pra fazer repouso
Sentar -me na rua às vezes eu ouso
Mas o interior a mim me seduz
**
Chega a Primavera e o sol brilhando
Vem ensolarar todo o interior
Se abro a janela vem o cheiro da flor
Que á volta da casa estou plantando
**
E toda a aldeia fica admirada
O meu palacete até já tem fama
A simples razão está porque se ama
A casa mantida tão bem conservada
**
Gertrudes Dias
9 - UMA SÓ CADEIRA!
(3º Poema)
*****
Uma só cadeira
Serve de bandeira
Nessa sala imensa.
Mas ninguém se senta
E vira tormenta
Que é mesmo ofensa!
*****
Quatro janelinhas
Sem que haja vizinhas
A espreitar por elas.
Nem sequer as folhas
Permitem escolhas
À lua e às estrelas!
*****
Um céu azulado
Quiçá algo errado
Não vejo quem o veja.
Sem gente por perto
Não se sabe ao certo
Se alguém ali esteja!
*****
Voltando ao assento
Por depoimento
Tem a cor d`alvura.
Mas ali tão só
Está sujeita ao pó
E até murmura!
*****
Quão grande é o espaço
Que até um abraço
No tempo se vai.
E tal como nós
Cadeira sem voz
Já não me distrai.
*****
“O Poeta Alentejano” - Renato Valadeiro
Todos os Direitos Reservados
10 - Até ao sol -posto
**
Uma casa quis comprar
Com alguém me aconselhei
Nos sítios que procurei
Nada havia de encantar
Mas por fim fui encontrar
A casa da minha vida
Uma visão colorida
O sol a dar nas janelas
Entrando por todas elas
Numa área protegida
**
Mesmo á hora do sol -posto
Inda o sol queria entrar
E eu gostava de sentar
Numa cadeira ao meu gosto
Com espaldar pra recosto
Numa sala ensolarada
Não precisava mais nada
Era a casa do meu sonho
Onde entrava o sol risonho
Se eu soltava a gargalhada
**
Gertrudes Dias
11 - Sentada medito
…
No cento do espaço uma tal cadeira,
Nela sentada medito e reflicto,
A luz incide no meu ser, veleira,
Pressinto meu espírito em tal conflito.
…
Pelas janelas observo o céu azul,
Lá, navego à procura de mim,
Em contraluz vejo o tempo taful
Da existência crescendo num jardim.
…
Lugar silente onde baila a tal sombra,
Nos meus olhos brilha a alucinação,
Sombras chinesas acima da alfombra,
Onde assenta a cadeira em perfeição.
…
Solto gemidos tão silenciosos,
Me elevo transcendendo o meu segredo
Divago nos espectros curiosos,
Protagonizando o real enredo.
…
Mary Lai (Cidália Teixeira)
12 - Há sombras tardias
e alongadas
por trás de janelas
despidas de vida
de um amplo espaço
vazio e silente
uma só cadeira
nesse cenário perdida.
Cenário minimalista
num palco soturno
cujo ator está ausente
da representação
da peça tão frequente
que explora o absurdo
de quem se sente anulado.
Sim! Ator anulado
quase sempre invisível
que já não colhe aplausos
do seu saber com norte
gastou o tempo útil
agora fora de prazo
esconde-se na solidão
sentimento tão previsível
fazer o luto da sua morte.
..........
maria g.
13 - ENCONTRAR
.
Sob a quietude do tempo,
O pouco que ainda me sobra;
Corrijo nas brancas folhas,
O assento de tão vasta obra.
Rendo-me ao elenco mui forte,
Perco-me na longa estória.
As linhas parecem adivinhar
O norte da minha glória...
Revejo-me na árdua sorte;
Dura imagem na memória,
Sentada, ainda que me conforte
É hora de seguir, de a apagar!
Quiçá a paisagem que observo
Traga a harmonia e confiança
A um servo, cuja esperança
É a poesia para se encontrar...
RAADOMINGOS
14 - Reciclagem
Encontrei uma cadeira
junto a um ecoponto
inteira e em madeira
encostada levemente.
Alguém a largou
para ser reciclada
era deveras caseira
encosto do meu encontro.
Imaginei-a com brilho
e muita vida para viver
sobre ela me assentei
para estes versos escrever.
Imaginá-la presumo
numa atitude alheada
dar-lhe-ei outros traços
da minha vida passada.
E para tal acontecer
sobre ela descansei os braços
buscando no ar os seus traços
Com almofadas e laços.
Para mim não há melhor
nem mais nada bonito
ter a cadeira garrida
encerada e com brilho.
Uma sociedade social
viu a cadeira tāo bela
pediram-me para a doar
a fim de uma creche alegrar.
23 Fevereiro 2026
Graciete Lima
15 - "Uma sala"
Uma sala tão soturna
Que será que aqui existe?
Umas janelas tão grandes
Que deviam encher de luz
Um espaço de lazer
Ou quiçá um escritório
Uma história para contar
Numa cadeira de encosto
Cá fora um jardim há
Com umas árvores é suposto.
Pode ser uma sala de reuniões
Ou um cinema talvez
Com tão poucas confusões
Apenas uma casa de nudez.
Nudez de móveis de estilo
De pessoas e de bens
De qualquer forma é castigo
Tão silencioso motivo
Pode estar escuro e em perigo.
Quem aqui morará vá se lá saber
Quanto pagará por este imóvel
É alguém podem querer
Um ser humano
Seja lá que sítio for
O importante é ser acolhedor
Um lugar apetecível
Desde que seja divertido
Para desfrutar seja invencível
Um lugar deveras agradável
É sempre preferível.
Lurdes Bernardo
16 - PINTURA ABSTRACTA!
(2º Poema)
*****
Realidade ou pintura
Fico na dúvida assim
Porque esta imagem pr`a mim
É só mais uma aventura!
*****
Nem sei o que representa
Ou onde quer que seja
A “mestra” não dá de bandeja
E quer toda a gente atenta!
*****
Talvez janelas sem nada
E uma cadeira a baralhar
Tudo isto dá que pensar
Mas não lhe acho piada!
*****
Lá ao longe um alto prédio
Que parece ser solitário
E eu aqui num calvário
Sem que encontre o remédio!
*****
Haja então alguém que venha
E seja à foto fiel
Pr´a transportar pró papel
O que ache ser a senha!
*****
“O Poeta Alentejano” - Renato Valadeiro
Todos os Direitos Reservados
17 - No centro
…
Mote:
A luz reflecte a cadeira
No centro com nitidez.
…
Glosas:
Nas sombras, o pensamento
Arquiteta mil visões,
Em tempo reais fusões,
Em destorcido segmento,
O negro, de amor sedento,
Esconde com avidez
Toda a sua insensatez
De querer passar fronteira…
A luz reflete a cadeira
No centro com nitidez.
…
Neste mistério me afundo,
Só meu leve respirar
E das plantas, singular,
Vivos, ainda, para o mundo,
A solidão espinho imundo
Que sinto com lucidez,
Na alma com tal timidez,
Ultrapasso a tal cegueira…
A luz reflete a cadeira
No centro com nitidez.
...
Mary Lai (Cidália Teixeira)
18 - ESSA MANHÃ
Essa manhã nascendo devagarinho
Foi mistério a desvendar
Foi percurso enviesado
Perdida na alvorada
Foi pedinte de carinho
A manhã
Percorreu os meus sentidos
Fez da minha cadeira seu chão
Abriu-me os braços com calma
Ensinando-me a sonhar
Como se fosse oração
Essa manhã
Percorreu todo o meu corpo
com doçura
E eu...
Esquecida da luz
E carente de amor por dentro
Aceitei todo o carinho
E entreguei-me à aventura
A Guardadora de Palavras
Fernanda Rocha
Direitos de autor reservados
19 - A CADEIRA
.
A cadeira aguarda pelo ator
A peça se ira desenrolar
O monologo, também é mentor
Da peça que ira apresentar!
.
Esperando incidir em si toda atenção
Com o silêncio ao acontecimento devido
Numa empática manifestação
Para o implicitamente sentido!
.
Encaminhamento de sentir e pensar
A cadeira até perde existência
Com o conteúdo suspenso no ar
Sendo recolhido pela assistência!
.
A mensagem enigmática sorrateira
Com alcance, despertando a emoção
Hábil, abrangente e verdadeira
Com o cair do pano, a enorme ovação!
.
São Pereira
20 - INVENTADO
Uma noite escura e fria
Encontro a sala vazia
A cadeira espera alguém
Aqui se julgam pessoas
Umas más e outras boas
Quem vier... venha por bem
Janelas altas na casa
Surpreendem quem arrasa
Juiz...chegou ao tribunal
Há um certo corrupio
A voz tremendo de frio
E alguém passando mal
Depois da sentença lida
Houve "gente" divertida
E trocaram cumprimentos
As salas metem respeito
E julgou ... quem de direito
Mas também houve lamentos !
Laura Prates.
21 - Tribunal
Eu não tenho paciência
De ficar numa cadeira
Onde há escuridão
E janelas com bandeira.
Fujo a sete pés…
Se encontro um lugar destes
O que ele me faz lembrar
É um polícia a questionar.
Num tribunal abandonado
Onde um juiz foi insultado
O arguido foi julgado
Pr'a prisão foi mandado.
À média luz resta à sala
Com uma cadeira vazia
No chão há esperança
Amanhã é outro dia.
23 Fevereiro 2026
Graciete Lima
22 - RECANTOS DO SILÊNCIO
Olho para a cadeira vazia, tão cheia de saudade
Lá fora vejo o tempo do relógio
Dentro de mim, passa lento, contado pelo silêncio
No coração submerso entre as sombras e a claridade
Nos corredores escuros do meu pensamento
Uma réstia de sol insiste em me visitar
Num sorriso sereno num profundo alento
Adormece o cansaço na eternidade de um despertar
O tempo, senhor de ausências,
Uma breve passagem, um instante flui na sua essência
Traz a saudade de um travo doce amargo
Em murmúrios de silêncio, fica comigo
A noite desce num silêncio sonolento
Uma estrela repousa no meu colo
O coração se recolhe do outro lado do tempo
Preenchendo de luz os recantos do silêncio…
@Fátima Arede
Todos os Direitos de Autor reservados nos termos da Lei 50/2004 de 24 de Agosto
e 2ª versão (a mais recente) Lei nº 49/2015 de 05/06.
23 - SOMBRAS NA NOITE
.
Cada passo uma sombra
Caída em noite já longa
As horas tocam a compasso
E eu despida de sono.
Cada passo uma memória
Cada sombra, vulto, silêncio
Caída em noite fria e longa
As horas ficam sem rosto.
Cada passo longa espera
Caída em noite escura
Cada vulto um mistério
Horas tocam no silêncio.
E eu sentada na cadeira
Despida do tal sono infame
Fico acordada a noite inteira
Cada passo uma sombra.
Passam sombras sem rosto
Moribundas fazem eco
Passam por entre as janelas
Despidas, caídas e mortas.
A noite finda, chega a aurora.
.
Funchal, 25 de Fevereiro de 2026
Cecília Pestana
24 - ENTRE O VAZIO E O VERDE
Na sombra ergue-se a casa em silêncio fechado,
Quatro janelas fitam o mundo em solidão,
Plantas sussurram segredos no vidro embaçado,
Enquanto o vento murmura na escuridão
***
Por fora a vida cresce em verde delicado,
Folhas dançam leves na suave claridão,
Por dentro apenas um assento abandonado,
Guarda memórias presas no coração.
***
A cadeira espera o peso do passado,
Rangendo histórias na fria imensidão,
E a casa respira, no tempo suspenso e calado,
Entre o vazio interno e a vida em expansão.
Celestina Esteves
16-2-2026
24
1 - Livraria Lello
A Livraria Lello
no Mundo não há igual
vê-la ao vivo é uma maravilha
na cidade do Porto em Portugal.
Há livros até ao teto
olhos de águia não os alcançam
a talha e arquitetura
são poemas são leitura.
Um dia algo estranho me aconteceu
numa noite dura escura
tudo o que era mudo desapareceu
só uma coruja permaneceu.
O cheiro a papel velho recordo
longínqua é em sabedoria
tenho memória deste lugar
os livros voavam enquanto eu lia.
Os meus sentidos ecoaram
nas abóbadas e nos vitrais
Ressurgiram escadarias encarnadas
exóticas e em espirais.
16 Fevereiro 2026
Graciete Lima
2 - ABISMO
.
O branco desce em curva sinuosa
Neste abismo de um rubro profundo
Uma geometria tão graciosa
Que parece abraçar todo o mundo
.
O olhar perde-se na eternidade
Degrau a degrau num ritmo lento
Procurando no fundo a claridade
Que foge na asa de um momento
.
Nesta descida que o passo ensaia
Onde o centro é um ponto distante
Deixa que a alma no brilho descaia
Sempre serena sempre constante
.
José Martinho
3 - O amor em espiral
**
Há um labirinto nesta minha vida
Subindo queria o Céu alcançar
Se tu não quiseste ir em meu lugar
E a minha sina tem de ser cumprida
Fica este amor em terra prometida
No peito esta dor de longe ficar
**
Subindo degraus bate o coração
Lembrado das juras de felicidade
Quando rejeitaste sem teres piedade
Porque só querias pisar firme chão
E tudo a meu lado foi ingratidão
Subi às alturas vendo a falsidade
**
Lá em cima estou junto ao astro -rei
Não sei se um dia vais compreender
Nesse dia e hora vais te arrepender
Lembrando o amor que a ti confiei
A fidelidade que um dia jurei
Serei sempre sombra se á terra descer
**
Os degraus da vida ou sobem ou descem
Subindo encontrei a paz desejada
Firme ao corrimão desta mesma escada
As dores que na vida lá no alto esquecem
Há sempre amarguras que desaparecem
E a alma fica mais pura e lavada
**
Gertrudes Dias
4 - DEGRAUS
.
Pra onde levam ou trazem? E que vida?
O que se passará entre e pr' além disso?
Que lanço íngreme ou duro passadiço
Superará os sonhos e a sorte pedida?
.
... ou, até quiçá, passada alguma sofrida,
Mas símbolo da lealdade e compromisso;
Um majestoso acesso que lhe foi omisso,
Surpreendendo a alma, deixando-a florida.
.
É nessas alturas de aurora surgida,
Que o coração aprende o valor do amigo
E a esperança ergue-se forte e destemida.
.
Assim, pra lá do último lance ultrapassado,
Há menos peso, engano, dúvida concebida,
E depressa o coração repousa, aliviado!
.
RAADOMINGOS
5 - PARA REPRESENTAR O SEU PAPEL
Entrou a saudade pela porta da frente
Subiu as escadas da imaginação
Não pediu licença
Tornou-se senhora e dona da alma
Foi batendo às portas
Sempre em contramão
Não tem lugar certo
Dorme em cama fria
Não faz concessões
A saudade é cruel
Artista sem palco
Nas escadas da vida
Anda à deriva para representar
o seu papel
A Guardadora de Palavras
Fernanda Rocha
Direitos de autor reservados
6 - ESCADAS DA VIDA
Desci as escadas da vida
Nas longas horas do tempo
Era caminho marcado
No calendário dos sonhos
Onde me encontro perdida
Perdi-me nessas curvas imperfeitas
Corri por entre as giestas
Brincando com a ternura
Encontrei o meu caminho
Feito de amor e doçura
Depois...
Sem hora marcada
Deixei entrar as palavras
Guardei-as dentro do peito
Delas fiz cama e leito
A Guardadora de Palavras
Fernanda Rocha
Direitos de autor reservados
7 - EVENTO
É com muita alegria
Que desço a escadaria
Onde o Sol não vejo
Um espaço respeitado
Será sempre lembrado
Poder visitar, é meu desejo
Muitos degraus para descer
Passo em falso, pode acontecer
Salto alto, vestido a rigor
Escadaria de sonho
Cuidado extremo proponho
De braço dado com seu amor
Lugar bonito debaixo do chão
Lágrima no olho, por tanta emoção
Relíquias guardadas, que dão a Paz
Amizades sinceras de anos atrás
Hoje sou feliz, por ter sido audaz !
Laura Prates.
8 - TRISTE SOLIDÃO
Nas escadas escurecidas
Percorri o meu caminho
Não encontrei o meu rumo
Às escuras tacteando
Era menina perdida
Sem a bela luz da vida
Perdida na noite escura
Em plena escuridão
Sem a luz de um sorriso
Apagou-se a minha estrela
Na mais triste solidão
Quero a luz do teu olhar
Para encontrar o caminho
Na doçura de te amar
A Guardadora de Palavras
Fernanda Rocha
Direitos de autor reservados
9 - NO SOBE E DESCE!
(1º Poema)
*****
No sobe e desce da vida
Certo dia eu já subi
Desde o ponto de partida
Fui em busca de guarida
E só a encontrei em ti.
*****
D`igual nessa escadaria
Certamente eu já desci
E aflito e em agonia
De novo me albergaria
Nos teus olhos, quando os vi.
*****
E tal como um caracol
Fui subindo a passos lentos
Procurando a luz do sol
Fiquei preso ao teu anzol
Pr´a apagar dias cinzentos!
*****
E de roda em tais degraus
Andamos os dois ao jeito
Fugindo de instantes maus
E de Seres como calhaus
Sem nada dentro do peito!
*****
Sem saber contabilizar
Dessa escada , a dimensão
Escalamo-la sem balançar
Na esperança de encontrar
Muito amor… muita afeição!
*****
“O Poeta Alentejano” - Renato Valadeiro
Todos os Direitos Reservados
10 - Há desertos de cimento armado
natureza morta tão evidente
um sobe e desce de sabor amargo
dureza de vida permanente.
E tudo em nome da modernidade
cada degrau tem a dor presente
dura espiral de contrariedade
afunilada no olhar temente.
Chão pisado tamanha dureza
gente frustrada sem outra opção
realidade invertida à natureza
vidas reais em dissolução.
Enquanto se extingue a liberdade
prisão para os fugidos do campo
qual castigo e, desumanidade
à vida simples plena de encanto!
..........
maria g.
11 - Finita escada
…
Finita escada, onde me levará?
Subo até ao primeiro patamar,
Elevo o olhar, vendo o corrimão a par,
Penso a vida… O sonho me embalará.
…
Mais um lanço… Que me acontecerá?
No meu templo, a minha alma a contemplar
Verdades, instantes, aqui a brotar.
Será primavera? Me alcançará?
…
Sempre a subir, descanso em cada vão,
Sinto o vermelho a pulsar em amor,
Me motiva cada degrau a subir.
…
Vi-me a içar outros degraus, emoção!
Cada passo, entoo canção em louvor,
Com coragem, minha essência a emergir.
…
Mary Lai (Cidália Teixeira)
12 - DEGRAUS DO CÉU
Subo as curvas dessa íngreme escada
Levo o tempo as memórias, o amor e os sonhos
Às vezes passageira clandestina nesse meu caminho…
Como saber onde me levam os degraus do destino?
A vontade de ser tocada pela brisa dos dedos de Deus
No desejo ousado de, por um instante, alcançar o céu!
Nos braços dos sonhos a minha alma se entrega…
Nos degraus do firmamento entre o céu e a terra,
Meus olhos de infinito em visões de amor e ternura
Quedam-se, beijando as faces da lua
Subo as escadas da vida com os olhos do coração
Com a esperança de um girassol, sem olhar para o chão
A cada degrau, sinto que a vida é presente
Só me resta olhar o céu e viver plenamente!
@Fátima Arede
Todos os Direitos de Autor reservados nos termos da Lei 50/2004
De 24 de Agosto e 2ª versão (a mais recente) Lei nº 49/2015 de 05/06
13 - Descer ou subir ?
**
Perdida em alturas me vejo em confusão
Subo ou desço ? Se estou a meio caminho
Lá em cima ficarei do Céu muito pertinho
Mas prefiro o meu conforto em firme chão
**
Subindo a espiral uma esperança me sustenta
No cansaço da subida meu corpo em exaustão
Se nas alturas vou sentir esta aflição
Deixo em terra outra paixão que me alimenta
**
Quando um dia decidir o meu caminho
As voltas do labirinto irei vencer
Voltarei aos teus braços ao descer
E assim irei cumprir o meu destino
**
As mil voltas que o labirinto me apresenta
São as curvas para dar em vida minha
Sabendo que lá em cima se alinha
A solução para a dor que me atormenta
**
Gertrudes Dias
14 - A GRANDE ESCADARIA!
(3º Poema)
*****
Erguem-se as escadas em degraus de sonho
Feitas tanto de tempo, quanto de memória
Cada passo guarda um eco risonho
E em cada pedra, pedaços da história!
*****
Subo devagar, de coração atento
Sentindo nos pés, o peso dos dias
Nesse corrimão vou em passo lento
Seguindo com o sonho … feito fantasias!
*****
Em baixo talvez, haja alguma luz
Ou simplesmente perguntas no ar
Mas sigo, porque a vida me conduz
Sem que sequer tenha…outra volta a dar!
*****
E no tempo que demora a passar
Os degraus lembra-me o meu destino
Mas enquanto eu não páre de sonhar
Poderei continuar a ser menino!
*****
A grande escadaria não termina
E o sonho também não terminará pr`a mim
Escalá-la ou desce-la traz-me adrenalina
Somente por não lhe conhecer…o fim!
*****
“O Poeta Alentejano” - Renato Valadeiro
Todos os Direitos Reservados
15 - Sorridente na magia
…
Olhei para a escadaria,
Vejo um tal jogo da glória,
Sorridente na magia.
…
Inventei uma bela história,
Cada degrau, uma ampla ação
Que me leva à vitória.
…
Lanço o dado, alva emoção,
O meu sonho a pelejar,
Pra me dar satisfação.
…
Percorro sempre a galgar
Cada alvo instante da vida,
Pra de amor me alimentar.
…
Cada etapa tão vivida,
Trilho por onde tropeço,
Luz, em mim, demais cingida.
…
Escalada, o meu começo,
Altos e baixos, surgir,
Felicidade mereço,
Levantar, sempre sorrir.
…
Mary Lai (Cidália Teixeira)
16 - "Caracol de escadas"
Só de olhar me arrepia
Tanto caracol de escadas
Com as dores da minha bacia
Já nem a um lance chegavas
Tal era a tremenda picardia.
É lindo para o olhar se regalar
Um belo trabalho arquitetónico
Dá vontade apenas de olhar
Para descer e subir
Seria um verdadeiro pandemónio.
Ficarei apenas pelo enrolar
Que de cima para baixo olharia
Se descesse...
Uma grua teriam que me mandar
Para me içar, pois jamais eu subiria.
Mas irão certamente estudar
A forma de fazer com que se desça
Certamente só uma vez a contar
Tanta escadas a outro lugar pertença.
Lurdes Bernardo
17 - Algo de grandioso
Ocorre por aqui
Edifício majestoso
Confesso que nunca vi
A música de fundo
Parece que chama
Envia p'ro mundo
O convite da Fama
Primeira impressão
Um estádio de futebol
Vendo com atenção
É uma escada em caracol
Com curiosidade
Desci por ali
Espantoso na verdade
Em especial, quando subi
Grandes eventos organizados
Pobres e ricos com tradição
Descem escadas, os mais ousados
Falam os outros, sem confusão !
Laura Prates.
18 - Labirinto de escadas
**
Encontrei um labirinto
Que subi por ser robusta
Só eu sei o quanto custa
Inda cansada me sinto
Subi as escadas não minto
Lá no cimo me encontrei
Tão perto do astro -rei
Da luz brilhante do sol
Que ao tingir o arrebol
Quase com a mão lhe toquei
**
O Céu de azul celeste
Brilhava á luz do sol -posto
Afogueando o meu rosto
Tantos degraus contornei
Nesta espiral invoquei
Da obra a sua razão
Para tanto subir em vão
Porque o chão já almejava
Aonde tu te encontravas
Estava o meu coração
**
Gertrudes Dias
19 - EU JÁ FUI A BUDAPESTE!
(2 º Poema)
*****
Eu já fui a Budapeste
Também te quero lá levar
Não sei sequer se já leste
Mas é lugar que se preste
Para um dia te mostrar!
*****
Toda a sua arte é Déco
Nessa grande escadaria
E sempre que eu lá vou
Qualquer Homem que a criou
Pôs-lhe logo sincronia!
*****
Existem de muitas cores
Brancas, azuis e encarnadas
Sem ter quaisquer ascensores
Digo que os seus construtores
Preferiam fazer escaladas!
*****
Quando for a dissensão
Faz-se com mais facilidade
Só apenas o ancião
Mesmo de bengala na mão
Sentirá dificuldade!
*****
Sei que a arte tu adoras
Por isso levo-te lá
E assim sem mais demoras
Já serão mais do que horas
De conceder-te esse alvará!
*****
“O Poeta Alentejano” - Renato Valadeiro
Todos os Direitos Reservados
20 - PERCURSO
.
A vida é uma escada
Com degraus, de felicidade… ou dureza
Pela idade delineada
Com início e fim, a uma mão presa
Até à subida da descontração
Não se pensa na escadaria
Nem na sua conclusão
Sobe-se, sobe-se… com alegria
Com castelos emoldurados
Tudo facilmente resolvido
Quer na mente, ou nos passos
Tudo surge, belo e colorido!
Até se faz uma corrida,
Sem conhecer dificuldade
Em paralelo com a vida
Disfrutando da mocidade!
Até os passos, serem tímidos e inseguros
Reconhecida, a altura e dificuldade
Quando de anos já maduros
Com um enorme peso…o da idade!
.
São Pereira
21 - Titanic
Com portas e janelas
nas escadas passadeiras
mãos rudes e delicadas
passos de damas solteiras.
Está na hora do chá das cinco
é necessário descer
descer a extensa escadaria
e no luxuoso salão conviver.
Lordes de braço dado
fumando charuto cubano
dão primazia às ladys
para tocarem piano.
Segue-se o jantar que delícia!…
ostras caviar em alabastros
a ânsia de Rose com laços
alguém a desenha em retratos.
O zig-zagueia do Barco de luxo
navega no Atlântico d’águas frias
corre sem medida e medo
destino da perda de vidas.
Amarras lemes e quilhas
tentam o barco desviar
dum enorme iceberg
que fez o barco despedaçar.
O pânico instalou-se
numa noite com estrelas
os botes o capitão ao mar lançou
num dos quais Rose se salvou.
16 Fevereiro 2026
Graciete Lima
22 - SUBIU
As escadas tinham luz
Eram altas,
Mas o fim o seduziu
Subiu
Subiu sem medo
Subiu
Subiu com destreza
Foi um sonho belo
No fim a luz forte
Seus olhos feriram!
Correram as lágrimas
Eram quentes
Eram ardentes
Pelo rosto desceram
Caíram faíscas
Ouviu-se a trovoada
A chuva caía desalmada,
Mas as escadas ali continuavam
E, subiu
Subiu com alegria
Porque no fim o Céu aparecia
Resplandecente
Era o seu SONHO de SEMPRE!!!
D. A. Reservados
Autora
Irene Matias
23 - A VIDA É UMA ESPIRAL
A vida é uma escada em espiral
cada degrau é aprendizagem
em busca da paz e da felicidade
em caminho espiritual
com audácia subimos em viagem
procurando dignidade e verdade
em trilho de eternidade
A vida é uma espiral
em degraus de nuvens cavalgamos
desde criança balançamos
na esperança e inquietude
em alucinantes sonhos
de chegar onde ainda nem sabemos
talvez lugares floridos risonhos
sem barreiras nem fronteiras
sem guerras sem trevas sem bandeiras
tonalidades de aromas tão diversos
o chão tem mil tons de verde
abundam os jardins dos poetas
e a poesia ali se encanta e se perde
e voa como as pombas e borboletas
e as músicas são divino acorde!
Fascinante promessa temporal
A vida é uma espiral…
Tiló Henriques
24 - O SOBE E DESCE DA VIDA
Assim é nossa vida
Um sobe sobe um desce desce
Sempre na luta
Sempre a correr
A maior parte das seres
Não sabe para onde vai
Vai vai com os outros vai
Sem parar sem pensar
Como a Marília que sobe sobe
Sobe a Calçada sem nunca parar
Pobre gente que não para escutar
Que não pensa por si
Que não decide por si
Tem o sistema a escravizar
Preza na teia não sabe sair
Sem outro caminho para seguir
Assim sobe sobe dá trambolhão
Outras desce desce se estatela no chão
Assim continua a escravidão
O coração cansado de tanta exaustão
Nesta vida de tribulação e emoção
Grita a alma por libertação!
Tiló Henriques
9-2-2026
28
1 - TUDO TERÁ UM FIM
.
Flutua como borboleta, seu corpo,
Quando com gosto se põe a dançar;
Do peito, nasce um puro e leve sopro,
Ansiando que o não deixem parar.
.
Veste seda que se funde na pele,
Incendeia plateias - vê-se a paixão
Vivos - o suor e sal, são sangue fiel,
Toca fundo o mais insensível coração.
.
Até arrepia - tem a delicadeza dum sonho,
Cada gesto é um verso, cada salto uma rima.
Tudo é poesia. Uma verdadeira obra-prima!
.
Finda a noite, esse ser luz, essa estrela divina,
Com a alma cheia marcada pla sorte da sina,
Sabe, no último suspiro, o ato menos risonho!
.
RAADOMINGOS
2 - Bailarina da lua
Movimentos alegres e vivos, com passos de elevação
Espírito livre que dança no compasso do coração!
Bicos de pés disfarçam feridas, mãos bonitas
Bailam com o vento, suaves asas de borboletas
Nas sapatilhas mágicas de dor e paixão
Rodopia um sorriso no rosto, sublime doçura no olhar
Em gestos primorosos de arte e determinação
Num cabriole, nos braços do vento, salta para o ar!
As estrelas embriagam-se na essência da sua rota
Rodopia, rodopia, até que as deixa tontas!
Os astros alinham-se só para a ver dançar
Na delicadeza passos, espalhando seu perfume no ar
No palco do Monte Celeste, protagonista principal
Na sua melhor performance, num espetáculo magistral!
@Fátima Arede
Todos os Direitos de Autor reservados nos termos da Lei 50/2004, de 24 de agosto.
3 - LINDA VOADORA
Não me canso de ver
Bailarina a descer
Numa dança veloz
Sem sequer dizer
Tem em seu poder
Alegria para nós
Desceu dos céus
Com recado de Deus
Um anjo dançando
Flutua sem medo
Não guarda segredo
Vem cantarolando
O milagre acontece
O sol aparece
A chuva termina
Pois o tal recado
Por Deus enviado
Traz benção divina !
Laura Prates.
4 - SONHO DE MENINA
Seu sonho de menina
e muita arte na veia
tornou-a bailarina
entre alguns lamentos
e privações, é realidade
hoje colhe, satisfação.
Tem nos braços leveza
num voo sem asas
levantado do chão
leve como uma pena
no tule que volteia
a história de princesa.
Tão leve e serena
que por momentos
esquece a exibição
julga-se ave real
em plena liberdade
pelo espaço sideral.
..........
maria g.
5 - DANÇA DO ESQUELETO
Os pezinhos de mansinho
Ensaiaram uns passinhos
De dança.... Está bem de ver.
Que menina recatada
Tem que ser bem comportada
O sapato não gostou
Estava cansado de andar
Não queria entrar na festa
Começando a protestar
Mas a perna era teimosa
Não queria ficar parada
Só queria entrar na dança
E praticar a "lambada"
Fica o tronco curioso
Com vontade de avançar
Timidamente experimenta...
Logo ficou a gostar
Entra, então, já todo o corpo
A cabeça a comandar
O esqueleto já não pára
Lá vai a rodopiar. !!!
A Guardadora de Palavras
Fernanda Rocha
Direitos de autor reservados
6 - SENTIRES
.
Os sentires esvoaçando
Vão-se nas voltas libertando
Por qualquer janela aberta
Por onde sai a imaginação
Os pés deixam o chão
Voando… à descoberta…
.
Esvoaçam sentires libertos
De pernas e braços abertos
Em bailados de liberdade
Na leveza duma dança
Enquanto o coração balança
Com sincronizada vontade!
,
Leve como uma pena…
Na amplitude serena
Com entrega e paixão
Quando tudo vale a pena
E, a vontade não é pequena
Balança o nosso coração!
.
São Pereira
7 - CORPO LEVE
(3º Poema)
*****
Corpo leve
Pés no ar
Tudo descreve
Esse balançar!
*****
Perna esticada
Braços abertos
Forma delicada
Movimentos certos!
*****
Pezinhos de lã
Assim tão suaves
Que numa mente sã
“Esvoaçam” como aves!
*****
Maillots e collants
De cetim, sabrinas
Fazem nesses clãs
Melhores bailarinas!
*****
E toda a leveza
Tal como em criança
Mostram a riqueza
Que há nessa dança!
*****
“O Poeta Alentejano” - Renato Valadeiro
Todos os Direitos Reservados
8 - SONHOS COLORIDOS
Na solidão da manhã manhã
Os sonhos dançam à solta
São meninos bailarinos
Voando no pensamento
Alegrias e lamentos
que se sentem a crescer
Qual flor bem plantada
No peito à desfilada
Na mansidão da paisagem
Parto de novo em viagem
Levando dentro do peito
aquela luz
Que me ensina o caminho
Abro-me inteira
Como se fosse flor
E recebo aquele amor
Que se oferece sem rodeios
Vibrante de belas cores
São meus sonhos coloridos
De gargalhadas vestidos
A Guardadora de Palavras
Fernanda Rocha
Direitos de autor reservados
9 - O BAILADO
.
Gostaria de ser bailarina
Para o meu corpo voar
Arte de imensa disciplina
Espetáculo de encantar.
.
Gostaria de ser bailarina
O balé é arte de embalar
Arte de muita disciplina
Meus olhos ficam a falar.
.
Gostaria de ser bailarina
Para o meu corpo voar
Corpos, intensa adrenalina
Esbeltos, bonitos de exortar.
.
Se um dia fosse bailarina
Seria como uma ave no ar
Voaria de forma genuína
Leves piruetas nesse voar.
.
Funchal, 9 de Fevereiro de 2026
Cecília Pestana
10 - A Bailarina!
A bailarina, leve como uma flor
No palco um sonho cheio de amor
Com graça e elegância, ela se move
E a cada passo, o mundo comove.
*
Seus pés deslizam, em perfeita harmonia
Em cada giro, uma nova magia
A bailarina, um ser de luz
Que encanta e emociona, conduz.
*
Com leveza e paixão, ela dança sem parar,
Em cada movimento, um novo lugar.
A bailarina, um exemplo a seguir,
Com a dança, ela faz o mundo sorrir.
@Carmen Bettencourt !
11 - A alegria da dança
**
Alegre por natureza
Seja no palco ou na vida
A vocação está cumprida
E nela põe a certeza
Sua grande ligeireza
Dá -lhe asas para se elevar
Só quando o chão vai pisar
Vê dos sapatos o brilho
Sempre seguiu este trilho
E atrás não quer voltar
**
Já a dança a cativou
Seu corpo é templo sagrado
Num altar imaculado
A dança depositou
O seu lugar conquistou
Assumindo o seu bom gosto
Ensaia á luz do sol -posto
Á noite faz delirar
Quer o mundo cativar
Num lindo luar de Agosto
**
Se o mundo se fosse opor
Á sua dedicação
Voltava a pisar o chão
Da dança sempre ao dispor
Seja ao frio ou ao calor
Só dançar a satisfaz
Enfrenta tudo , é tenaz
Tem uma força interior
Que incentiva no louvor
Só a dança lhe dá paz
**
Gertrudes Dias
12 - É Bom Dançar!
É bom dançar, soltar o corpo e a alma
Sentir a música, que acalma
Esquecer as mágoas, as dores e o dissabor
E deixar a dança mostrar o amor.
*
Rodopiar, girar, em passos ligeiros
Em cada movimento, novos pensamentos
A dança liberta, traz alegria e paz
E faz a vida sorrir, cada vez mais.
*
É bom dançar, sem medo de errar
Com o coração leve, pronto para amar
Em cada ritmo, uma nova emoção
Em cada passo uma linda canção!
@Carmen Bettencourt !
13 - ESSA TUA DANÇA!
(2º Poema)
*****
Essa tua dança
Talvez seja herança
De um sonho antigo.
Só por te admirar
Também eu quis dançar
Um dia contigo!
*****
E essa bailata
Fez-te ser “gaiata”
Na dança da vida.
Onde eu tive sorte
De ver o teu porte
De mulher destemida!
*****
Porque esse bailado
É do meu agrado
E o teu corpo voa.
E até tens leveza
No corpo a destreza
Nessa dança boa!
*****
Pernas no ar, peito afora
Sapatos de meia-ponta
A dança se comemora
Sempre que alma assim chora
Quando tal arte desponta!
*****
E nós os dois nessa dança
Jamais há o que nos cansa
Pois gostamos de dançar.
No ballett ou corridinho
Importa é nosso carinho
Tendo Deus a abençoar!
*****
“O Poeta Alentejano” - Renato Valadeiro
Todos os Direitos Reservados
14 - Leve no Balé...
Leve no balé, um corpo que voa acima
Em cada passo a alma se aproxima
Com graça e leveza, a dança se encontra
Em cada movimento a vida se mostra.
***
A música embala, e o corpo responde
Em cada giro a alma se esconde
Leve no balé, um sonho a realizar
Em cada passo, a vida a celebrar.
***
Com paixão e entrega, a dança é a lei
Em cada movimento, um novo rei
Leve no balé, a vida a fluir
Em cada passo, o prazer de sorrir.
@Carmen Bettencourt !
15 - Bailarina num evento
…
Dança clássica, o talento
Brilho, no palco, real
Flor rodando em tal portento.
…
Bailarina num evento
Postura tão triunfal
Dança clássica, o talento.
…
Sonho na cena que enfrento
Caixinha... dança viral
Flor rodando em tal portento.
…
Suaviza este momento
Pela noite cultural
Dança clássica, o talento
…
Fascínio sempre em aumento
Balé num bel ritual
Dança clássica, o talento
Flor rodando em tal portento.
…
Mary Lai (Cidália Teixeira)
16 - TU QUERIAS SER BAILARINA!
(1º Poema)
*****
Em teus sonhos de menina
Tinhas um especial
Tu minha musa divina
Querias ser bailarina
Com teu ar angelical.
*****
Pondo-te em bico dos pés
Esse teu sonho profundo
Leva-te de lés a lés
Só para mostrares quem és
Nos maiores palcos do mundo!
*****
E em toda a coreografia
Nos teu movimento eleito
Só pela tua alegria
O teu coração cabia
Cá dentro deste meu peito!
*****
Num adágio(1) ou promenade(2)
No alegro(3) ou no tendu(4)
Mostrando a tua beldade
Com toda a autenticidade
Logo eu via que eras tu!
*****
E num perfeito ballet
Sempre com a precisão
En dehors(5) ou em plié(6)
Nunca perdeste essa Fé
Que trazes no coração!
*****
Notas:
(1) - Exercícios lentos e sustentados
(2)- Giro lento sobre uma perna
(3)- Saltos rápidos, pequenos ou grandes.
(4)- Esticar a perna para a frente, lado ou trás, ficando a ponta do pé no chão.
(5)- Rotação externa das coxas, crucial para evitar lesões
(6)- Flexão dos joelhos para aquecer e alongar
“O Poeta Alentejano” - Renato Valadeiro
Todos os Direitos Reservados
17 - Bailarina
Tinha uma caixa de música
na tampa uma bailarina
sumiu-se numa gaveta
é melhor deixá-la esquecida.
As minha mãos de menina
rodavam nela e mexia
davam-lhe corda e dançava
enquanto ela vivia.
Saudosamente recordo
um ballet de mil cores
que na minha vida inteira
foi um dos meus amores.
Dançava a minha alegria
nos meus olhos de menina
dançava a bailarina
em pontas e música divina.
Vestia saia de tule
num lago de luz ao luar
as pontas eram de seda
fixas num pedestal.
9 Fevereiro 2026
Graciete Lima
18 - "Bailo"
Sou dançarina do tempo
Numa dança arrojada
Se me voa o pensamento
Minha dança é aprumada.
Bailarina nunca soube ser
Mas dançar é uma emoção
Sempre dancei com prazer
Me entreguei de coração.
A dança me eleva ao colo
Do meu amado instante
Num romance desde o solo
Que me deixa hilariante.
Bailo de noite e de dia
Com amor e devoção
Seja em perfeita sintonia
Ou simplesmente paixão.
Lurdes Bernardo
19 - "Dança comigo "
Neste espaço de tempo atormentado
Há dança em mim.
Espargata num passo cadenciado
Flores sedentas de um novo jardim.
Ramos de partículas coloridas
Cheias de vida e engrandecimento
Pétalas macias e rendidas
Musicalidades de um feliz momento.
Danças numa esplanada de café
Entrelaçadas em contentamento
Onde o amor profundo é
Um esplendor que vem de dentro.
Saltitando nas passarelas da vida
Vivendo cada instante com suor
Em cada cadência desprendida
Plena de liberdade e alguma dor.
A festejar contigo quero estar
Tamanha criatividade e emoção
Dançarina que não sai do seu lugar
Não sobrevive à dança com paixão.
Lurdes Bernardo
20 - SONHEI SER BAILARINA
Ser bailarina sonhei:
nos bicos dos pés, deslizar
e por um instante imaginei
que assim poderia voar.
Meus braços eram asas abertas,
voando num corpo leve e sereno,
sonhando nas horas certas,
dançando, desenhando o pleno
Contorno estrelas, abraço a lua,
nesse vai e vem de sonho,
enquanto a magia continua,
invento um mundo feliz, risonho.
Um céu azul me veste o instante,
em cetim de luz e emoção,
deixando no espaço um rastro brilhante
voando, dançando esqueço o chão,
Celestina Esteves
21 - Balé no voo do cisne
…
Mote:
Ser bailarina o meu sonho
Balé no voo do cisne.
…
Glosas:
Em bicos de pés, risonho...
Fluidez de movimentos,
Tão precisos e portentos,
Ser bailarina o meu sonho,
Domínio no meu entressonho.
Bela coreografia,
Figurino e fantasia,
Música me faz saltar,
Num tão subtil aclamar,
Balé no voo do cisne.
…
Fino tecido vigonho,
Na bainha do meu corpete
A saia como compete,
Ser bailarina o meu sonho,
Nunca se torna enfadonho.
Arte linda, o meu fascínio,
Em postura e autodomínio,
Bailado tão belo e mágico,
Em mim real, nada trágico,
Balé no voo do cisne.
…
Mary Lai (Cidália Teixeira)
22 - A BAILARINA
Hoje a Cinderela
Subiu pelo ar
Os sapatos dela
São p'ra admirar
Voando no espaço
Leve e sedutora
Não sente cansaço
Arte promissora
Irradia luz
Em gestos suaves
O vento a conduz
A um bando de aves
Elegância e mestria
Sorriso no rosto
Não é utopia
É lugar de Agosto
Nas nuvens bailando
É muita magia
Devo estar sonhando
Neste Lindo Dia !
Laura Prates
23 - A MÚSICA FAZ-ME VOAR
Na sala o gira discos tocava
uma valsa doce e calma
Eu sonhava ao sabor da música
Voava nas asas dos acordes
encantados
E desejava conhecer o País dos
meus sonhos
Onde a música nascia como água
A cantar num doce amanhecer
Iria até Viena, cidade da música
E dos melodiosos artistas
Escutava um concerto de Chopin,
Mozart e de Vivaldi
Voaria nas asas da fantasia
Invocava Bach
Para me ensinar a tocar
Essas maravilhosas sinfonias
Sentiria no peito aquela doce
alegria
Que me faz vibrar e sonhar
Em recolhimento sentia...
A música faz-me voar
A Guardadora de Palavras
Fernanda Rocha
Direitos de autor reservados
24 - A nova arte
…
Bailado contemporâneo, a nova arte,
Liberdade, criação e inovação,
Ações e estética em tal conjunção,
E com o seu fã público reparte.
…
A mistura de estilos: à lá carte,
Numa tão bela experimentação,
Dança aparece, força em criação,
Visão surreal, o sonho o estandarte.
…
Dá ao bailarino autonomia,
De a coreografia improvisar,
Transforma instantes reais em virtuais.
…
Seu corpo parte integrante - a magia,
Equilibra a cena: amar e criar
Momentos mágicos demais virais.
…
Mary Lai (Cidália Teixeira)
25 - BAILARINA VOADORA
.
A bailarina voa mas sem motor
A saia é gigante que grande fulgor
Parece que a gravidade não tem valor
Mas a aterragem... ai, que dor
.
Com a perna no ar tipo gafanhoto
Faz poses estranhas parece um robô
O cabelo rapado que estilo esquisito
Parece que a dança a deixou num sobressalto
Quase a tocar o teto num salto final
O fotógrafo clica que momento genial
Esperemos que o chão não seja fatal
Senão acaba a dança num hospital
.
José Martinho
26 - A bailarina
**
No seu sonho esvoaçando
Seus sapatos de cristal
Devagarinho pisando
Vai uma dança ensaiando
Tão leve como um pardal
**
Pé -ante -pé que está só
Sozinha quer lá estar
Vai dando mil voltinhas
E todas as manhazinhas
Vai sua dança ensaiar
**
Espreita o sol de mansinho
Não se vá ela assustar
Vão os seus pés deslizando
Suas roupas flutuando
Quando se eleva no ar
**
E na dança em rodopio
Despe as vestes de criança
Ao abrir seu peito á esperança
Vai correr o desafio
Na vida fazer mudança
**
Gertrudes Dias
27 - A minha vocação
**
Se eu tivesse que mudar
Esta minha vocação
Só a dança me dá gozo
Feliz é meu coração
Eu não quero viver triste
A dançar não vivo , não
**
Aspiro subir ao mais alto
E na dança me elevar
Devagarinho pisando
Vou o meu sonho alcançar
Só tu me dás sina minha
Esta ideia de pensar
**
Vou conquistar meu lugar
Ao elevar -me do chão
Vou cumprir o meu destino
Nesta doce tentação
E um dia ter o mundo
Na palma da minha mão
**
O sonho comanda a vida
Eu comando o meu pensar
Vou seguir este caminho
Na dança rodopiar
Com ligeireza nos pés
Irei na dança singrar
**
Gertrudes Dias
28 - COMO UMA GARÇA
Há no palco vazio
uma penumbra silenciosa ,
qual mar, no ocaso do dia,
em maré vasa e sombria…
Aguarda o chegar bonançoso
da alvorada clara e musical para
despertar.
E chegou,
De asas leves
Pisar subtil
Esvoaçando em livres lances
ao sabor do sussurro das brisas,
ao ritmo dos arpejos de cada rajada
em movimentos de garça:
Ondulantes
Sinuosos…
E no seu planar oscilante,
Sobrevoa o palco e,
mergulha docemente
nas sombras,
no silenciar
da música.
Manuela Vaz de Carvalho
2-2-2026
231 - A LINDA LISBOA
.
Cidade de costumes calorosos,
Têm os transeuntes a linda Lisboa;
Ninguém se sente só, quando na rua ecoa
Risos, cantigas e afetos gostosos.
.
Se procuras momentos maravilhosos,
Tens o crepitar que nas noites ressoa,
Sardinha assada que plas mãos se escoa
Entre cestos de pão e vinhos generosos!
.
Com o Sto. António a abençoar altares
É ela a rainha das festas genuínas;
Das marchas, dos arrais e dos cantares
.
E se enamorada, arrasta-se plas esquinas,
Faz dos becos os seus principais pares,
Dando a impressão que dança entre colinas!
.
RAADOMINGOS
2 - "Raridades"
São trabalhos manuais
Que com gosto se executam
Ficam lindos por demais
Por fora pintados exultam.
Gosto muito destes trabalhos
Feitos com muita mestria
São bonitos e muito práticos
Para usos do dia a dia.
Trabalhos feitos por artesãos
Que dão muito jeito para guardar
Coisas que são feitas à mão
Para a casa também embelezar.
Julgo que são feitos de vimes
Cortados ao pormenor
Peças bonitas trabalhadas defines
De uso doméstico ou decorador.
Lurdes Bernardo
3 - OBJETOS SIMPLES
.
Este cesto castanho feito de palhinha
É perfeito para guardar o pão quentinho
Ou talvez as frutas lá na cozinha
Acolhe tudo com carinho e jeitinho
.
A esteira colorida redonda e bela
Serve de toalha para um bom piquenique
Ou até de tapete para a casa amarela
Trazendo alegria sem ser muito chique
.
São objetos simples que a gente usa
No dia a dia com facilidade e amor
A arte do povo que o tempo recusa
Esquecer mostrando seu valor.
.
José Martinho.
4 - O ARTESÂO
.
O artesão é um criador
Cria peças com amor
À verga. palha e vime, a utilidade
É um perito sim senhor
De produtos manobrador
Sem recusa na idade!
.
Tudo sai na perfeição
Tem os modelos na mão
Tudo dali sai perfeito
Dá gosto a observação
Pra ver trabalhar o artesão
Dando as voltas e o jeito
.
As peças feitas com sabedoria
Vende-las é uma alegria
Pro sustento assegurar
Numa enorme cestaria
Eu me lembro que havia
Um sem fim para comprar!
.
São Pereira
5 - O valor da simplicidade
**
O valor não se mede na simplicidade
Feito com bom gosto adoro o tricô
Na originalidade mais valor lhe dou
É artesanato e de utilidade
**
A palhinha varia e faz grande efeito
Para decorar não digam que é fútil
Alcofas e cestos, no trabalho é útil
E o cesto do pão na mesa dá jeito
**
Eu tento mostrar que em minha casinha
O artesanato tem sempre valor
Tapete amarelo , azul , outra cor
É tudo ao meu gosto porque a casa é minha
**
E já consegui aqui bem pertinho
Arranjar palhinha para trabalhar
Quando há dias vi na mão do vizinho
A palha ideal que eu queria comprar
**
Gertrudes Dias
6 - ESTA LINDA CESTARIA!
*****
Esta linda cestaria
Com a qual fico encantado
Nunca eu próprio a faria
Porque o meu jeito é falhado!
*****
Cestos em cores naturais
Assim tão bem coloridos
Em tons rosa, divinais
Pr`a me alegrarem os sentidos!
*****
Para que servem então?
Para a fruta e prós legumes
Para colocar o pão
Ou mesmo ao que te acostumes!
*****
Bases de mesa, pr`a sopa
Que ainda esteja assim quente
Um maior pr`a pôr a roupa
Que sempre é mais potente!
****
E nesses que estão tapados
Algo se esconde afinal
Por isso há que ter cuidados
Pode ser cobra letal.
*****
“O Poeta Alentejano”- Renato Valadeiro
Todos os Direitos Reservados
7 - FÉRIAS NO MÉXICO
Numas férias com o meu marido
Visitei o lindo México
País muito colorido
Também foram alguns amigos
Num prazer retribuído
Foi no mês de Novembro
O mês em que se veneram os mortos
Que os mexicanos celebbram com
muita alegria
Há danças e cantorias
P'las ruas da cidade
Muita cor e fantasia
Vestem-se de cores garridas
Levando presas no avental
Caixas de palha pintadas
Onde guardam as oferendas
Que aos defuntos oferecem
Qual prenda celestial
A Guardadora de Palavras
Fernanda Rocha
Direitos de autor reservados
8 - Abanico
Abanico colorido
feito e pintado à mão
É um lindo arco-íris
Magia d’um artesão.
Abanico é lindeza
Abana numa tarde de verão
Seja na mão de uma princesa
Bebendo refresco de limão.
Abanico também dança
Numa dança sevilhana
Máscara de carnaval
Numa cidade italiana.
Abanico de palha com asa
Voa no Danúbio azul
Abana as Damas em casa.
2 Fevereiro 2026
Graciete Lima
9 - Arte à mão
…
Artesanato, arte à mão de trabalhar,
Matérias primas singelas para o fabrico,
Palhas, folhas palma, junco, vime, os aplico,
Cestos, capachos abanicos… entrançar.
…
Com amor, as palhas secas a preparar,
Naturais, coloridas, assim, me dedico,
Obras de arte simples, nelas meu dom pratico,
Fascinada por estes saberes herdar.
…
Fui, assim, à feira do fumeiro a Vinhais...
Uma banquinha com os artigos exponho
Os abanicos, o artigo mais procurado.
…
Fogo atear…secar as carnes nos varais
Esta minha arte, só possível no meu sonho
Cruzar as palhas e fazer-lhes rendilhado.
…
Mary Lai (Cidália Teixeira)
10 - ARTESANATO É ARTE
Comprei numa linda feira
Lá prós lados do Alentejo
Cestas de palha entrançada
Lindas e muito bem pintadas
Numa beleza de cores
Invoquei os meus amores
Oferecendo-lhes uma cestinha
Muito bela e decorada
Gosto de passear pelas feiras
Admirar seu belo artesanato
Pintado e decorado à mão
Fico sempre extasiada
Com a enorme creatividade
Desses nossos excelsos artesãos
Artesanato é arte
Merece todo o respeito
Gosto de o apreciar
Até mesmo de o comprar
Louvando os artesãos
Que o "criam" a preceito
A Guardadora de Palavras
Fernanda Rocha
Direitos de autor reservados
11 - A minha casinha
**
Se eu tivesse uma casa, mesmo minha
Como eu gostava de ser eu a decorar
Teria o necessário , isto é fácil de dizer
Onde o artesanato teria sempre o seu lugar
Uma mesa com tudo a condizer
E nela teria a chance de trabalhar
Um cesto para os meus papéis meter
E a sala arrumada tinha sempre que estar
Cestos , pegas , tricotar é a minha vocação
Para mim tudo seria fácil de fazer
Nessa mesa haveria tudo o que preciso
Com bom material para trabalhar
Tudo a meu gosto teria que escolher
Artesanato é um gosto que em mim diviso
Nada melhor para assentar o meu juízo
Duas mãos , duas agulhas , tudo me iria dar prazer
Gertrudes Dias
12 - FIO A FIO
Trançadas fio a fio em tramas delicadas
Entrelaçando o tempo e as cores
Na arte de mãos dotadas
Em formas geométricas, desenhos e flores
Na magia do bem fazer, passando por gerações
Não deixam morrer as tradições
Sabedoria que perdura no tempo
Transformando a matéria em sentimento
Vai e volta, nas mãos calejadas do artesão
Em cada volta pulsa o coração!
A palhinha transformada em lindos certinhos
Enfeitam os nossos lares com amor e carinho!
@Fátima Arede
Todos os Direitos de Autor reservados nos termos da Lei 50/2004, de 24 de agosto.
13 - Feitos de verga
Por mãos habilidosas
Que a arte lhes entrega
Pra criar coisas maravilhosas.
O abano pra acender a fogueira, a lareira, o fogareiro, ou a churrasqueira.
O cesto pra ir à mesa
Recheado de pão
Para acompanhar a refeição.
Cores pra avivar
Efeitos com muita cor
Mãos autodidatas
Que trabalham com amor.
Florinda Dias.
14 - COISAS SIMPLES
Importâncias sem valor
de estima simplesmente
acrescentam-me fantasia
a meus olhos dão alegria
enchem-me a vida de cor.
Surgem-me sem procura
alimento para o coração
à beleza estou sempre atenta
elemento que sustenta
o meu Ser, de inspiração.
Deem-me a cor matizada
de imensa tela de vida
que é natureza colorida
da primavera renovada
pois dela, sou dependente.
..........
maria g.
15 - Raridades da Minha Terra
São raridades,vibrantes,da terra que se ama
Quadros de cores, que o coração inflama
Que cantam, a história contada, Quadros que mostram, a alma da estrada.
*
Vibrantes da terra que me viu nascer
Quadros de cores que me fazem renascer,
São a cultura do meu lugar,
Quadros que mostram o que quero amar.
*
Joias raras que o tempo não pode apagar
Como quadros que brilham e me fazem sonhar
Mostram a força do meu povo,
Eles pintam um futuro novo!
@Carmen Bettencourt !
16 - A VIAGEM
Subi a montanha
Mas ali não fiquei
Segui para Espanha
O porquê ? Não sei !
Entrei numa loja
Muitas cores garridas
Com montras vistosas
Bonecas... despidas ...
Na rua...a esplanada
Era outra visão
A palha é bordada
Em adereços de mão
Comprei várias peças
Sou muito exigente
Depois das conversas
De artigo atraente
Saí satisfeito
Com as compras que fiz
Deito-me em meu leito
Sorrindo feliz !
Laura Prates
17 - Artesanato de África
Sim,a arte que África criou,
Mostrando, o que o povo amou.
Recipientes,um tesouro sem igual,
Como quadros que brilham, um dom natural.
*
Quadros que mostram o que o coração amou,
É a arte que a alma revela,
Tesouros que o povo criou.
E contam uma historia singela.
*
Um ledado de fé e de suor,
Enfim guardam o nosso valor,
Voz que o vento para longe leva,
Que mostram a força que eleva!
Carmen Bettencourt
18 - As Quimbalas!
Quimbalas, a voz da tradição,
Quadros de cores, que acendem a emoçã,
Quimbalas,um canto de fé e de amor,
Quadros que vivem,com todo o folgor.
*
De as tocar tenho saudade,
Nelas ver o mantimento
A grande realdade
Trago-as em pensamento.
*
São a beleza que a alma erradia,
São usadas com aquela alegria,
Tesouros que devemos guardar,
Como quadros que devemos amar!
@Carmen Bettencourt !
19 - Mãos ágeis
…
No atelier os trançados,
Mãos ágeis, feitos criados.
…
Natura a matéria prima,
Se apanha, seca e me anima,
Como se fosse bel rima,
Feitos aperfeiçoados.
…
No atelier os trançados,
Mãos ágeis, feitos criados.
…
Turista aprecia esta arte,
Pros artesãos baluarte,
Seus sonhos com ele parte,
Pelo mundo afortunados.
…
No atelier os trançados,
Mãos ágeis, feitos criados.
…
Mary Lai (Cidália Teixeira)
20 - É LINDO !
Uma imagem colorida
Que dá alegria á vida
É numa feira qualquer
Nela tudo se apregoa
Qualidade muito boa
Dirigindo-se á "Mulher"
Pendurados em estendais
Sacos, cestos e muito mais
Caminham de lés a lés
Do outro lado do rio
Têm outro desafio
Correria a "sete pés"
A arte, á disposição
Trabalhos feitos á mão
Há muita mercadoria
O povo tem muita sorte
Artigos de grande porte
Com muita sabedoria !
Laura Prates.
21 - Este meu jeito
**
Sempre gostei de ir á feira
Tem tudo em variedade
Produtos de qualidade
Pelo chão , á nossa beira
E eu , de qualquer maneira
Gozava aquela aventura
Com curiosidade pura
Revia os cestos , as pegas
Eram lindas nas entregas
Vinham sempre em boa altura
**
Meu avô atrás de mim
Ria de curiosidade
Típico da minha idade
Uma feira é sempre assim
Os cestos tinham um fim
Para os produtos da horta
O dinheiro pouco me importa
Para a casa eram as prendas
Artesanato em oferendas
Alegria á minha porta
**
Se arranjava material
Imitava em perfeição
Tricotar minha eleição
E ficava sempre igual
Fazia uma cesta oval
Ou um suporte ao comprido
Estava sempre resolvido
Ficava um trabalho perfeito
Se para isso tenho jeito
Fazia todo o sentido
**
Gertrudes Dias
22 - MARAVILHOSA IMAGINAÇÃO
Por todo o Mundo me perco
Viajar e o meu lema.
Conhecer outros países
Apreciar sua arte
Que me oferecem sorrir
Nas férteis terras verdejantes
Ou no maravilhoso deserto
Seja no Vietname, no Perú ou
na Mongólia
A sua imaginação
Cria obras maravilhosas
Que tocam o coração
Na China, obras pintadas
De um puro azul turquesa
Que nos tempos mais antigos
Eram só p'rá realeza
Em papel de arroz se pinta
Doces e belas paisagens
Exaltando oamor
Como um hino à Natureza
Admiro as maravilhas
Criadas pela imaginação
Onde a sensibilidade se inspira
Com amor e emoção
A Guardadora de Palavras
Fernanda Rocha
Direitos de autor reservados
23 - ONDE A MÃO VIRA ARTE
Entre palhas trançadas nasce na mão,
Cada fio carrega uma emoção.
Tecem histórias de sol e de chão,
Que batem forte no coração.
***
Cestos guardam sonhos, cores e calor,
São arte viva a nos ensinar
Que cuidar também é um gesto de amor,
Feito de paciência, esperança e amar.
Celestina Esteves
JANEIRO
26-1-2026
22
1 - ENTRE MEUS PLANOS
.
Assim verdinho eu gosto, de resto,
Dói-me ver tudo cercado de arame;
Só quando não há escolha - ele e macadame;
É que por esse caminho me presto.
.
Mas este - de heras e odor que chega lesto,
Tem tudo para que os meus sentidos o ame;
Não há maior, coisa alguma que me chame,
Que a natureza e família - pra ser honesto!
.
Recordo o tempo lindo dos dourados anos,
A idade que tinha e a que queria pra mim;
Os dias que me perdia em grande fantasia.
.
Só ansiava que tivesse mais quatro ou assim,
Pra pegar-lhe na mão e dizer-lhe que um dia,
Haveria de se encontrar entre meus planos!
.
RAADOMINGOS
2 - O VERDE
.
Por entre o verde
faço a minha caminhada
sempre de cabeça erguida
na procura da outra margem
com voz na mão nunca perdida.
Caminho por entre a natureza
de tal beleza que ela contém
a vida dá sempre alguma leveza
traz a força que nos convém.
O verde que nos alimenta
assim como o verde esperança
traz frescura e imensa destreza
apazigua a alma e a mente.
.
Funchal, 26 de Janeiro de 2026
Cecília Pestana
3 - Meditando
…
Meditando pelo túnel da vida,
Ligação do maternal ao mundo,
Esp’rança no verde, sonho profundo
De chegar no tempo em brisa florida.
…
P’las vigias a luz entra esbatida,
Prima instantes surreais, no segundo,
Meu espírito feliz demais fecundo,
De amor, paz nesta terra prometida.
...
Passo a passo chego ao fim do trilho.
Aí, claridade tanto me ofusca,
O sol rindo da minha palidez.
…
Caminho contente plena de brilho,
Sensação duma forte dor tão brusca,
Me faz pensar na minha pequenez...
…
Mary lai (Cidália Teixeira)
4 - NESSE CASTELO!
(1º Poema)
*****
Nesse lugar encantado
Gostava de entrar um dia
Mesmo que envenenado
Tem plantas pr`a meu agrado
Que com medo…colheria!
*****
São flores vindas do chão
Raízes firmes na terra
E nas videiras que lá estão
Que nem lhes toque com a mão
Sempre que for à Inglaterra!
*****
Pois é nesse país lindo
Que há esse lugar tão belo
Girassóis e um “mundo” infindo
De tantas flores abrindo
Sempre que entras no castelo!
*****
Um corredor pr`a quem passa
Mas que passe com cuidado
Porque até achando graça
Pode haver uma desgraça
Depois de lhes ter tocado!
*****
Porque tal trepadeira
Ao parecer tão inocente
Torna-se do mal, parceira
Entrelaçada ou rasteira
Pr´a quem seu…veneno sente!
*****
“O Poeta Alentejano” - Renato Valadeiro
Todos os Direitos Reservados
5 - TÚNEL.
.
Um túnel vivo em folhas se desenha
Onde a luz brinca em tons de verde e ouro
O chão conduz a alma que caminha
Num silêncio que vale mais que um tesouro
.
Ramos curvados formam um abraço
Guardando o tempo lento do passar
Cada passo encontra o seu compasso
Num convite sereno a continuar
.
A natureza escreve sem voz nem tinta
Histórias feitas de sombra e clarão
E a curva ensina suave e distinta
Que o fim do medo é mudar de direção
.
Ali, o caminho não pede pressa
Só presença atenção e respirar
Pois quem aceita a beleza que começa
Descobre que viver é atravessar.
.
José Martinho.
6 - TÚNEL.
.
Um túnel vivo em folhas se desenha
Onde a luz brinca em tons de verde e ouro
O chão conduz a alma que caminha
Num silêncio que vale mais que um tesouro
.
Ramos curvados formam um abraço
Guardando o tempo lento do passar
Cada passo encontra o seu compasso
Num convite sereno a continuar
.
A natureza escreve sem voz nem tinta
Histórias feitas de sombra e clarão
E a curva ensina suave e distinta
Que o fim do medo é mudar de direção
.
Ali, o caminho não pede pressa
Só presença atenção e respirar
Pois quem aceita a beleza que começa
Descobre que viver é atravessar.
.
José Martinho.
7 - JARDIM DE PLANTAS VENOSAS!
(2º Poema)
*****
Jardim de plantas venosas
No interior de um castelo
Tal como as gentes maldosas
Até o perfume das rosas
Entre si…forma um duelo!
*****
Parecem flores sem pecado
Mas tal pecado, é mortal
Lá nesse sítio encantado
Está o castelo assombrado
Por um veneno ancestral.
*****
Pr`a que qualquer flor se toque
Há que ler o que está escrito
Senão ficará em choque
E com elas se sufoque
Pois afinal…não é mito!
*****
Em Inglaterra é assim
Pr` a quem tal lugar visita
Mesmo ao ser, lindo o jardim
Pode ser o nosso fim
Para mal dessa desdita!
*****
Então que haja cautela
Quando o quiser percorrer
Até quem por ele zela
O seu coração regela
Se tais plantas…não conhecer!
*****
“O Poeta Alentejano” - Renato Valadeiro
Todos os Direitos Reservados
8 - JARDIM INSTRUTIVO!
(3º Poema)
*****
Criou-o certa duquesa
Prós lados do Reino Unido
Para que por tal defesa
De alguma forma coesa
Se visse algum saber retido!
*****
Chamava-se Jane Percy
Em Itália se inspirou
Querendo mostrar que ali
Pelo cheiro que absorvi
A sapiência ficou!
*****
Plantas ainda que tóxicas
Eram conscientização
Apesar de mortais, narcóticas
Seriam nas nossas ópticas
Instrumento de educação!
*****
Elucidavam das linhas
Que as drogas podem trazer
Porque ao serem daninhas
Pode ser que te definhas
Acabando por morrer!
*****
Até uma planta venosa
Pode ter utilidade
Chegando a ser valiosa
De alertas de gente honrosa
Para os males … da sociedade!
*****
“O Poeta Alentejano” - Renato Valadeiro
Todos os Direitos Reservados
9 - O labirinto
**
O verde vesti
Aqui caminhei
E andei , andei , andei
Logo reparei
Com mais atenção
No fim desta estrada
Qual a solução?
Sigo o coração
Volto atrás no tempo
Ao som do lamento
Do verde das folhas
Meus pés já com bolhas
Feridos , cansados
Requerem cuidados
Que a estrada é comprida
Leva a minha vida
Por espaços errados
**
Quando amanhecer
Voltarei então
Para ver crescer
A flor em botão
E a minha atenção
Voltará para Deus
Tudo aconteceu
Pela sua mão
**
Gertrudes Dias
10 - Sem princípio nem fim
**
Esta estrada que me vejo a prosseguir
E um dia vai marcar o meu destino
Foi Deus que me escolheu este caminho
É por ele que tenho que seguir
Se de verde pensou em o vestir
Aqui vou soltar a minha gargalhada
Na planura que vejo nesta estrada
Será o meu adeus quando partir
Neste caminho a verdura vai florir
Porque o verde já formou uma latada
**
Quando vier a Primavera com flores
Vou sentar -me á sombra a descansar
Vou ouvir os pássaros a cantar
E sentir o ar impensado com odores
Vou esperar aqui os meus amores
Ou terei que andar ao Deus -dará
Mas voltar para trás não sou capaz
A estrada me levará ao meu destino
Não quero andar neste mundo em desalinho
Porque a vida tudo leva e tudo trás
**
Gertrudes Dias
11 - ALAMEDAS DO PENSAMENTO
Aprendi a dialogar com o silêncio
Que pode ser música, inquietação,
Intervalo de doçura, meu refúgio
Espaço onde me reconheço e consigo escutar o coração
Nos vales secretos onde habito
O céu veste-se de um azul profundo
O vento meigo sussurra lá bem no fundo…
Só a pureza do silêncio consegue falar o que sinto!
A chuva miúda dança com o tempo
Vestida de pérolas, insinua-se para o vento
Sem pressa caminho nas alamedas do pensamento
Vou no silêncio, viajo por dentro…
Às vezes cai a lágrima de chuva e tempestade…
No rir de um amanhecer manso, sem alarde
Na paz do silêncio me quedo, pertinho da vida
Sem pressa caminho nas suas alamedas floridas!…
@Fátima Arede
Todos os Direitos de Autor reservados nos termos da Lei 50/2004 de 24 de Agosto
e 2ª versão (a mais recente) Lei nº 49/2015 de 05/06
12 - Labirinto encantado
Numa linda tarde de verão
vesti um vestido de chita
com saia rodada bonita
e de bandelete catita.
Vaguei ao encontro do sol
templo que não é um altar
rios de folhas eu vi voar
o vento as levou para o mar.
O destino marcou a hora
do que se pode sonhar
o meu amor fui encontrar
Com belas flores pr’a me dar.
Jogamos à cabra-cega
num labirinto encantado
caminhando lado a lado
o qual não pude olvidar.
Não houve muitos rodeios
felizes fomos inteiros
com segredos e devaneios
encantados feiticeiros.
26 Janeiro 2026
Graciete Lima
13 - Porque será ?
Percorri este caminho em minha vida
Curiosa sem saber qual o destino
Onde será que me leva este caminho?
Com tanto verde é paisagem colorida
**
Será para o mal ou para o bem ?
Vou reparando na verdura plantada
Pode ser ideia minha ou não ser nada
Mas não sei se tudo isto me convém
**
Irei mais além cumprir a minha sina
Não vou ficar e perder o meu alento
Quero saber se o pensamento que sustento
Ou tanta verdura é um mal que contamina
**
O que irei encontrar do outro lado ?
São perguntas que faço em minha mente
Se esta paisagem não me é indiferente
Porque tenho este gosto tão amargo ?
**
Gertrudes Dias
14 - Entre o verde
Passeio entre o verde
que me é caminho
onde às vezes me falta horizonte
no verde esbatido dessa fonte
onde bebo a ilusão
de outro destino.
Não esqueço a cor dos olhos
que refrescaram a secura dos meus
mas, logo ficou nítida
a encruzilhada dos escolhos
desse enorme desatino
do verde dos olhos teus!
..........
maria g.
15 - TUNEL,
.
Num túnel verdejante
Circulei a imaginação
Fiquei perto do distante
Em pura contemplação!
.
Imaginei uma aparição
D`alguém sorridente e feliz
Ao seu amor dando a mão
Fazendo o que o coração diz!
.
Num quadro deslumbrante
Emoldurado pela natureza
Com paixão no semblante
No coração, tanta certeza!
.
Nunca é tarde nem cedo
Para ao amor dar lugar
Da felicidade não há segredo
Ela se faz anunciar!
.
São Pereira
16 - Entro no túnel floral
…
Mote:
Ando p’lo parque real…
Sonho, no túnel, viagem.
…
Glosas:
Entro no túnel floral,
Poucas flores, nele avisto,
Neste tal tempo imprevisto.
Ando p’lo parque real…
Meu espírito algo ancestral
Me guia com retidão,
Nos arcos sinto a emoção,
O silêncio, odor e paz,
Torna, assim, minha alma audaz…
Sonho, no túnel, viagem.
…
Passagem imperial
Onde se acalma o meu ser,
Confusão, quero deter,
Ando p’lo parque real…
Nesta tão bela espiral,
As trepadeiras dão vida,
Em primavera cingida,
Alegra o meu mel momento
Repleto de sentimento…
Sonho, no túnel, viagem.
…
Mary Lai (Cidália Teixeira)
17 - Os ninhos
A Primavera chegou
Já os dias são iguais
Crescem despreocupados
Com a verdura nos varais.
Parreiras sobem levemente
Tecem fios nos estendais
Juntos prometem abrigos
aos ninhos dos melros e pardais.
Como mantas de seda
Fartas de puro aconchego
Também têm fartura
De sombra calor e sossego.
As andorinhas voam felizes
as rolas enrolam o canto
desejam fazer os seus ninhos
Para pôrem os ovos entretanto.
Vi searas tāo férteis
Sem secura nada têm
Vejo nesta verdura
Ninhos feitos de escultura.
26 Janeiro 2026
Graciete Lima,
18 - CÂNTICO À NATUREZA
Olho a Natureza
Templo sagrado matizado de cores
Explosão de alegria
Abrindo seus braços
Ao sonho e ao amor
Árvores, flores e pássaros
Cantando nas matas sem fim
Cantos de alegria que alegram
o dia
Enchendo os jardins de doces
sinfonias
Cânticos de amor
Preenchendo a nossa vida de
profunda beleza
Grito de liberdade
Num hino à Natureza
A Guardadora de Palavras
Fernanda Rocha
Direitos de autor reservados
19 - Passagem encantadora
…
Passagem encantadora a miragem
Onde demais passeio a minha essência,
Meu espírito renova a sua roupagem,
Equilibrando a real existência.
…
Verdura odorosa a contemplação,
Luz esbatida, ilumina a emoção.
…
P’la simples vigia o passarito entra…
Feliz pelo pulcro acontecimento,
Ninho na verdura, algo me desperta.
…
No alto da espiral muito bem zelada,
Sua casa do tempo resguardada.
…
Neste túnel a luz tão clara alerta
Que tudo nele é sem fingimento,
E o meu mistério aqui bem se concentra.
…
Mary Lai (Cidália Teixeira)
20 - CATEDRAL VERE
Em reflexão
Nesta catedral verde onde os sons,
como orquestra afinada, soam de
uma forma melodiosa
Sinto!
Em recolhimento percorro-me por dentro
Vou-me libertando das lutas interiores
Das dores maiores que por vezes fazem
cama no meu peito
Aqui...
Nesta catedral onde me sento
Sinto-me vibrar, pulsar por dentro
Delicadamente
Um pássaro poisou perto dr mim
Debicando o chão na procura de
alimento
Desejei falar a linguagem dos
pássaros
Voar com ele na beleza do momento
Em recolhimento e na humildade de
que nada sei, cresci
Aprendi a viver
A Guardadora de Palavras
Fernanda Rocha
Direitos de autor reservados
21 - SENTIMENTOS E DIVAGAÇÕES
.
Sereno
Sentiu que a vida se lhe oferecia
em pleno
Olhou em volta e sorriu
Deixando-se acariciar pelo vento
Pelo cheiro quente da mata
Pelas flores silvestres
Que se abriam na beleza da manhã
Desejou saber pintar
Para poder transmitir o que
estava a sentir
Seus olhos perderam-se ba beleza
da paisagem
Abriu-se inteiro à vida que o
abraçava por dentro
Liberto de mágoas... Sorriu
A Natureza, na sua beleza, era o
seu alimento
A Guardadora de Palavras
Fernanda Rocha
Direitos de autor reservados
22 - O TÚNEL VERDE
Num túnel de arame coberto de verde
a luz vai caindo suave e natural
as folhas murmuram segredos que pede,
a quem passa depressa, um olhar, leal
***
O chão de calçada sustém o caminho
de passos antigos, gravados no chão,
cada pedra guarda um lento carinho
de vidas que foram na mesma direção.
***
Caminho no centro desse arco fechado
onde o tempo abranda, na lentidão
no fim do túnel, talvez seja o passado
ou apenas a luz pedindo atenção.
Celestina Esteves
19-1-2026
1 - A paisagem da serra
**
Se o sol faltasse naquela serrania
Ou a lua não lhe viesse dar alento
Se os pássaros não encontrassem alimento
Se a Primavera não lhe trouxesse a alegria
Só as árvores lhe faziam companhia
E nunca a serra teria valimento
**
Mas ela se fortalece a cada hora
Vai gemendo e vai cantando a solidão
Vem o homem a subir , em exaustão
Mas todo o cantinho ele explora
Só á noitinha desce a serra e vai embora
Voltará ao outro dia em prontidão
**
Colhe dela o necessário ao seu sustento
Olhando aquela luz do sol nascente
Ao outro dia tudo será diferente
As árvores vão dar fruto e alimento
Trabalhar gera o seu contentamento
Porque a Natureza do trabalho é consciente
**
Gertrudes Dias
2 - METÁFORAS DE VIDA
No ocaso do dia
Uma cancela de luz
Derrama-se na mata
Folhas e raízes urdem um tapete fofo
Lugar calmo convidando a meditar
Só o canto dos pássaros quebra o
silêncio
Sem me aperceber, tinha parado
Envolve-me uma luz quente
Retrocedo no tempo
Deixo cair pedaços da alma
Escorrega-me do peito uma
saudade mansa
Em comunhão com o Natureza
Percebo
A dor e a alegria são uma metáfora
É necessário abrir a alma e perceber
todo o seu sentido
A Guardadora de Palavras
Fernanda Rocha
Direitos de autor reservados
3 - Estremeço em fascínio…
…
Debaixo do arco, repleto de vida,
Penetra no meu olhar luz em clarão,
Estremeço em fascínio com visão,
Sol se ergue! Calor e luz prometida.
…
No horizonte cósmico ampla guarida,
A essência se desdobra em gratidão,
Forças que conjugam intuição,
Caminhando alegre e tão protegida.
…
Vem a águia e comigo num bailado!...
Surreais os quereres encontrados,
Respeito a energia sublime que une.
…
Poiso na árvore, instante sonhado!
Ela estende os braços esverdeados,
Natura harmoniosa que não pune.
…
Mary Lai (Cidália Teixeira)
4 - ÁRVORE SOZINHA
.
No meio da rocha a árvore sozinha
Resiste ao tempo e ao sol que a ilumina
O horizonte arde em fogo e esplendor
Num quadro de paz e um vibrante calor
.
O tronco escuro silhueta viva
Contra o sol que brilha canto sagrado
Na terra árida a forma pensativa
De um guardião fiel antigo e amado
.
O céu laranja acende a natureza
Um espetáculo que a vista alcança
Tanta força e calma tanta beleza
Que no olhar de quem vê a alma descansa
.
José Martinho.
5 - O ESPETÁCULO
O raiar do dia é um espetáculo
Nessa junção da noite com o amanhecer
É uma beleza sem explicação
Aflora a nossa inspiração.
Momento que enaltece
Com seus raios alaranjados
Chega e nos contagia
Numa doce e perfeita sintonia.
Como é belo olhar o horizonte
Quantos caminhos foram trilhados
Até aparecer atrás do monte.
Um momento que vem humanizar
Às turbulência do dia a dia
O Sol tem o poder de nos hipnotizar.
Autoria Irá Rodrigues
6 - ONDE MINHA ALMA FLORESCE
.
Solitária, sobrevive a árvore antiga,
Seus ramos recortam o céu imenso,
A seiva ainda pulsa em ritmo intenso,
Guardando a vida que nela se abriga.
.
A sombra também acalenta gente amiga,
Enquanto a luz se extingue no firmamento;
As folhas descansam do movimento,
E o campo em paz do burburinho se desliga.
.
Quando o sol se põe em cores d' ouro e rubi,
A ramagem incendeia a encosta serena;
Sinto que a minha alma aqui sorri.
.
Nada troca esta chama que me acena,
Nem cidade, nem pressa, nem o que já vi;
Pois sou raiz, sou caule, sou terra plena!
.
RAADOMINGOS
7 - ATÉ ISTO É POESIA!
(3º Poema)
*****
Até isto é um poema
De beleza extrema
Que me traz feitiço.
Esse reluzir
Deixa-me cingir
E ser submisso!
*****
Até isto é poesia
Que o olhar irradia
Ante tal beldade.
Pois cada estrofe
Faz que eu filosofe
Essa realidade!
*****
Até isto é lira
Que o Cosmos conspira
Para nosso bem.
Cada letra afina
A cor que fascina
E me faz refém!
*****
Até isto é esperança
Pr`a que uma criança
Possa ver o Universo
De forma diferente
Onde o Ser vivente
Não ande disperso!
*****
Até isto é vida
Que traz de seguida
Um outro caminho.
Porque a Luz é oiro
E esse tom de loiro
És tu…que és meu ninho!
*****
“O Poeta Alentejano” - Renato Valadeiro
Todos os Direitos Reservados
8 - LUGAR MÁGICO!
(2º Poema)
*****
Sinto haver magia aí nesse lugar
Onde eu pudesse um dia ir também
Sentir-me em consonância com o além
E com os meus antepassados…conversar!
Quisera eu, talvez poder contar
Quantas mudanças surgiram neste mundo
Agora feito de guerras, ódio e imundo
De gente sem bondade … a subestimar!
Que a luz que aí emana fosse a resposta
Pr`a que a humanidade estivesse predisposta
A essa necessidade urgente de mudar
E o fascínio que o Sol nos transmite
Deixasse que o Homem por limite
Não fosse impedido…de Sonhar!
*****
“O Poeta Alentejano” - Renato Valadeiro
Todos os Direitos Reservados
9 - PAISAGEM DE LUZ!
(1º Poema)
*****
Paisagem de luz
Sol celestial
A mim me seduz
Que os versos compus
De forma normal.
*****
Espelho de magia
Que “bate” na rocha
Traz tons de poesia
Misto de alegria
Que em mim desabrocha!
*****
Tudo é deslumbrante
Que até me proponho
Neste mesmo instante
Dizer que se garante
Parecer um sonho!
*****
Eu próprio me atrevo
Só para meu espanto
Propor-me e se devo
Subir por enlevo
A esse recanto!
*****
Pois tal radiação
Dá-nos o esplendor
De que um coração
Mesmo sem ser verão
Pode ganhar cor!
*****
“O Poeta Alentejano” - Renato Valadeiro
Todos os Direitos Reservados
10 - LINDA A NATUREZA
Imagem que marca
A minha imaginação
Que lembra sem data
O Poder da Criação
*
O Sol nasce iluminando a terra
Faz crescer a árvore mãe
É para nós uma quimera
E tudo, que imaginamos no além
*
Imagem que nos faz bem
Meu olhar a acaricia
A seus "filhos" também
Sensação de nostalgia
*
Contemplo o horizonte
Com muita alegria
Bebo água na fonte
E escrevo poesia
*
Sensação de paz interior
Usufruindo de tanta beleza
Derrama bênçãos de valor
Para um mundo, que vive na incerteza !
Laura Prates
11 - Ó luz da vida
.
Vergo-me perante ti
ó luz da vida
nascente, terra, poente
luz do sol
resplandecente
Aurora em mim
principio meio e fim.
.
O mar em minha mão
desperta
silencioso navegar
ondas em tormento
ou simplesmente
em mim desliza
lágrima sentida
escorrida e lavrada
em teu rosto, ferida.
.
Meus sentidos vibram
em cada acordar
no olhar teu
desbravando o desmazelo
sonolento sangue a pulsar
cor rubra e quente
singela nascente
que sustenta a vida
na luz breve e vivida,
espanto meu
quando a vida se esvai
em pranto.
.
Partirei para lá
dos montes um dia
quando a púrpura luz
se desvanecer
no horizonte longínquo
do meu ser,
serei então brilho
pedaço saudoso de vida
que fui, em teu viver.
.
Cecília Pestana
12 - NOS RAMOS DESPIDOS
Baila o sol poente em doces enlevos
Convidando a alma ao recolhimento
A tarde caindo acalma a cidade
Esperando a noite feita de segredos
Perde-se o olhar na imensidão
por sobre as colinas em fundo dourado
As nuvens rosadas decoram o poente
Breves pinceladas de sonho encantado
Folhas em rodopio enfeitam o chão
Castanhas, douradas no Outono risonho
Quais meninas atrevidas dançando
ballet
São cores matizadas em tempo de
sonho
Sem folhas, as árvores abraçam o céu
Braços estendidos libertos de penas
Natureza pura mostrando segredos
Nos ramos despidos penduro poemas
A Guardadora de Palavras
Fernanda Rocha
Direitos de autor reservados
13 - O esplendor da Natureza
**
Se o sol um dia faltasse
Para dar claridade ao dia
Só solidão existia
E a Terra talvez mudasse
Se a sua luz não ficasse
Dando cor á Natureza
Tudo seria tristeza
O verde não mais tornava
E a árvore nua ficava
Não retornando em beleza
**
Onde a solidão existe
Amanhã é Primavera
Lá longe , o alto da serra
Sem o sol seria triste
Quando a mão de Deus persiste
Prospera todo o cantinho
A terra dá seu carinho
Que o homem sabe entender
Tudo dela vai colher
Com uma ajuda ou sozinho
**
Gertrudes Dias
14 - Juventude, sinto…
…
Presa no sol-pôr, a minha alegria
Juventude sinto, em extroversão,
Sentimentos confiantes, magia,
Criação plena de motivação.
…
Meu espírito sensível se fascina,
Como árvore, medito a admirar.
Ligação: dia à noite, aglutina,
Silêncio onde espraio o leal sonhar.
…
O jogo de luz, demais deslumbrante!
Se entranha na essência, pura e feliz,
Júbilo patente, alvo diamante,
Energia que gera a geratriz.
…
Natureza no auge, rara beleza!
Sorrisos, liberto felicidade,
Pela pequena, grande subtileza,
Que arrasa uma qualquer profanidade.
…
Mary Lai (Cidália Teixeira)
15 - A solidão da serra
**
Nasce o sol onde morava a solidão
Onde tudo é tão agreste e tão profundo
Perto do Céu, longe de tudo deste mundo
Fica a serra e a sua enorme vastidão
**
O sol nascente é tão intenso e tão brilhante
Só as árvores se sentem desprotegidas
Erguem suplicas que ao Céu são estendidas
Por do mundo se sentirem tão distante
**
E a Terra ao chorar tanta incerteza
Põe nos homens a esperança de algum dia
A inovação também ali faça magia
Em conjunto com a própria Natureza
**
Mas um dia se dissipa essa tristeza
Voltam os pássaros e constroem o seu ninho
A terra recebe sua companhia e o carinho
É a Primavera que a reveste com beleza
**
Gertrudes Dias
16 - DOÇURA DE UM BEIJO
A lua adormece embalada pela flauta dos anjos…
O sol desperta meu coração com a doçura de um beijo
Dourando de vida o templo da terra
Renasço a cada amanhecer como flor de primavera
Suspiro o amanhecer na varanda azul do firmamento
Solto o dourado dos cabelos, entrego-me ao vento
Assobia, rodopia, dança, passa por mim atrevido
Leva-me ao colo, enrosca-se no meu vestido…
Até que cai a chuva, ornada de pérolas e diamantes
Macia, miúda, exibe-se para o vento, enciumada
Na doçura de um beijo que escorrega no horizonte
Vento, sol, chuva, arco-íris, de que é feita a madrugada?
Talvez seja feita de azul, um dia perfeito e limpo
Desperta no coração a luz que atravessa o tempo
No infinito de mar e céu galgo a montanha dos sonhos
Na doçura dos rios que correm no peito desbravo caminhos!
@Fátima Arede
Todos os Direitos de Autor reservados nos termos da Lei 50/2004 de 24 de Agosto
e 2ª versão (a mais recente) Lei nº 49/2015 de 05/06.
17 - AROMAS E COR
O Verão
Era uma porta a oscilar
Jardim secreto abrindo-se aos perfumes
Manhã onde o orvalho poisava
O vento...
Canção de eterno embalar
Trazia nos dedos os sons da música
Fazendo as folhas dançar
Longos os dias
Acordando memórias esquecidas
Nas horas redondas da cor do ar
Pairava um doce odor a cerejas
maduras
A fruta acabada de colher
Lentamente
Num lânguido entardecer
O dia desmaiva
O sol num jogo de luz e cor
Era o arauto da noite anunciada
Sombras dançantes pintavam o horizonte
Provocando o dia num beijo de amor
A Guardadora de Palavras
Fernanda Rocha
Direitos de autor reservados
18 - ENCANTAMENTO
Bastou-me um olhar
E sem meditar
Vi algo de belo
O Sol a nascer
A árvore a crescer
Céu, cinzento e amarelo
Hoje é Janeiro
Mês do ano primeiro
Sem fazer prognóstico
Poesia é fantasia
É sim uma utopia
Fiz o diagnóstico
Olho o chão que piso
Enquanto organizo
Minhas rimas singelas
O tema é bonito
Por mim foi escrito
Dei verdade a todas elas
Imagens brilhantes
São estrelas dançantes
Nos braços da Lua
Chegou até mim
Um cheiro a Jasmim
E espalhou-se na rua !
Laura Prates
19 - Pôr do sol
Fios de ouro o sol expõe
Cada um tem o seu fim
Cada um para o poente
Nenhum é para mim.
Vejo tanta beleza
Desde o céu até ao chão.
Vejo tanta grandeza
Rimas em poemas serão.
Pintam-se numa tela
Árvores em nostalgia
Fortaleza foram um dia
Qual cortiça ou resina.
Entanto nunca vi tal visão
Ou um negativo de fotografia
O enquadramento é perfeito
Visualizo resiliência e sabedoria.
19 Janeiro 2026
Graciete Lima
20 - O SOL POR
.
É um sublime entardecer
A cor… é da mais pura magia…
O sol segue para novo nascer
Enquanto deste lugar se despedia!
.
Empresta uma imensa tranquilidade
O olhar é seduzido pela concentração
São momentos que deixam saudade
Nem se encontra… explicação!
.
Tudo é belo e encantador
Tão atraente… a ausência demove
Por ser tão belo o seu esplendor
Que ao rever, a saudade consome!
.
Espero novamente me deparar
Com aquela paz imensa no interior
Apaziguados os vendavais a soprar
Venha a paz, que me permita apreciar
O mais lindo e gratificante sol por!
.
São Pereira
21 - A árvore do Sobreiro
Tão velhinho é o sobreiro
Passou por tantos vendavais
O tempo olhou para o lado
Não ouviu os lamentos e ais.
Troncos esfarrapados
A roupa alguém lha tirou
Seria o tempo inclemente
Ou o homem para si a usou.
O sol viu todos os movimentos
Sem querer sempre a iluminou
Aqueceu todos os dias o seu ventre
Uma janela lhe abriu e ficou.
19 Janeiro 2026
Graciete Lima.
22 - O dia declina
…
Mote:
O dia declina
Laranja vital
Poente sonhar
Na vida real.
…
Glosas:
Rotação ocultar
A luz do poente
Ciclo dial rente
Horizonte ornar
Descanso mimar
Mago ritual
Nas trevas a estrela
Na vida real.
…
Sombras difundir
Medos e magias
Nossas fantasias
No sonho sentir
Luz coexistir
Nascer triunfal
Com motivação
Na vida real.
…
Na roda da vida
Agora, amanhã
Dia talismã
Viver tão querida
Paz bem pretendida
Tão transcendental
Perfeição, beleza
Na vida real.
…
Mary Lai (Cidália Teixeira)
23 - Enquanto o Sol brilhar
a meus olhos existirá sempre
o mesmo espanto
espanto que é estímulo de vida
assistir ao júbilo da natureza
perante ele.
Sol, elemento
que é poder de recriar
todas e quaisquer maravilhas dispersas
até, nas paisagens mais inóspitas
a sua luz quente e radiante
transforma milagrosamente tudo em beleza.
Sobre a terra tudo floresce
e no mar, seu brilho resplandece
intensificando a cor nele espelhada
do azul céu em cada dia
do nascente ao poente
realidade que é excelência, primazia.
..........
maria g.
24 - Uma
Árvore especial
que Deus criou com carinho
revela sua beleza
altiva recebe o sol
luz que a todos irradia
acordo-nos para um o novo dia.
Uma imagem divinal
cheia de belos mistérios
na terra para todos verem
na sutileza da natureza
e encanto para a vida.
Árvore sob a luz do sol pôr
que enfeita a imensidão
luzes entre a terra e o céu
e lembranças mágicas
de juras eternas minhas e tuas.
Mila Lopes
Direitos de @utor reservados
25 - "O safari"
Que haja beleza na pintura da vida
Como o sol de cada dia ao passar
Que fazer para quem tem alegria?
Basta com Deus viver e se animar.
Quando acordo o meu coração bate
Com a fascinação deste idílico momento
Os meus olhos radiantes são o escape
De louvores a Deus como flores ao vento.
Com os olhos percorrendo o horizonte
Extasiada pelas cores da natureza gloriosa
Percorre-me o pensamento o rinoceronte
Com a profundidade de uma paixão ditosa.
Aprazível me consola deveras inebriante
Como se quisesse ver um amor assim
Aguardando com uma visão hilariante
Tamanha maravilha de animais sem fim.
Lurdes Bernardo
12-1-2026
29
1 - NUM TERNO GESTO.
Escrevo um poema ao tempo
Com as cores da harmonia
Sonhando dançar no ar
Numa dança de carinho
Fazendo da noite, dia
Cores doce e delicadas
Pintando um belo céu
Como se fosse um véu
A noite no seu chegar
Devagar.... devagarinho
Ensina-nos o caminho
Num terno gesto de amar
A Guardadora de Palavras
Fernanda Rocha
Direitos de autor reservados
2 - MOINHOS
Oh! Vendavais
que venceram a força
das pedras que cantavam
hinos de alegria antigos
nas velas que rodavam
brancas entre varais!
Mudaram de sentido
(e que a vontade não torça)
as paredes de pé erguidas
que se tornaram abrigo
lembranças antigas, memórias
de, ancestrais histórias!
..........
maria g.
3 - "Já não há moleiros"
Já não há moleiros
Mas há ainda moinhos
Não moem farinhas
Nem têm burrinhos.
Não levam até às casas
A farinha que faz o pão
Mas recordam as amassas
Daqueles tempos de então.
Eram famílias inteiras
Que a farinha davam a moer
Para não passarem fome
Pois não tinham que comer.
Eram esses tempos tão difíceis
Felicidade de quem os não conheceu
Para tantos um naco de pão e sardinha
Era um grande pitéu.
Lurdes Bernardo
4 - MOINHO VELHO.
.
No alto do monte parado no tempo
O velho moinho já não faz farinha
Não gira as pás ao sabor do vento
Descansa sozinho na sua casinha
.
As velas rasgadas não sentem o ar
A pedra da mó já não quer rodar
Ficou em silêncio a ver o luar
Sem ter o trabalho de outrora a ocupar
.
As pessoas que passam olham de longe
O muro de pedra que o sol já queimou
Parece um velhinho tal como um monge
A ver o progresso que o vento levou
.
Embora cansado e sem movimento
Ainda domina a serra inteira
Guardando as lendas e todo o sustento
Que deu à aldeia de forma fagueira.
.
José Martinho.
5 - CHAMADA FELICIDADE
Perco-me na doce luz do poente
Cor linda, sensual e quente
Que me adoça por dentro
É a luz do sentimento
Pairando muito baixinho
Por entre as franjas do tempo
Ao longe sinto bailar
Aquela doce magia
.
Que me traz a alegria
De poder de novo sonhar
No poente da verdade
Sentido com nostalgia
Nasce uma nova magia
Chamada felicidade
A Guardadora de Palavras
Fernanda Rocha
Direitos de autor reservados
6 - ...Igual
Se não é igual é parecido
...Bem parecido!
Ao moinho da minha aldeia
Um moinho a'inda erguido
Um moinho que é memória
Um moinho que faz parte
Da minha longa história.
Lembro com ternura
A minha infância
Essa em que...!
Da minha casa avistava
O moinho do Ti Ventura.
Sei que é Iniciativa
Contudo escrevi com sentimento.
Escrevi o que a minha Alma sentiu
Neste maravilhoso momento.
Florinda T Miguel Dias
7 - Memória Moída
Erguem-se as torres, de pedra e de tempo
Com pás que giravam em todo o momento
Moendo o trigo, pão para a nação
Um ciclo de vida em cada moção.
**
Foram o sustento, de tempos remotos
Guardando segredos, em seus alicerces rotos
O som da engrenagem, um eco a vibrar
No labor diário, a vida a moer.
**
Hoje, parados ou a girar com vigor
Contam histórias de muito labor
Moinhos de vento, relíquias do chão
Memórias moídas, em nosso coração!
Carmen Bettencourt !
8 - O Dançarino Silencioso!
Um dançarino mudo, no campo a bailar
Com braços que giram, sem nunca parar
O vento é seu mestre, a música a soprar
E ele obedece, sem reclamar.
***
Sua sombra se move, em círculos no chão
Um jogo de luz, pura imaginação
Observa o horizonte com olhar sereno
Um ponto de força, num quadro ameno.
***
Que traga a esperança, em cada rodar
Que a força que move, nos venha inspirar
O moinho que dança, no imenso lugar
Um símbolo vivo, a nos recordar.
Carmen Bettencourt !
9 - A vida é como um moinho de vento
que sopra por todos os lados
mas as velas é que decidem
a seu modo o girar.
Assim também a vida de todos nós
cada palavra,cada gesto, cada sopro
que damos é sentido por nós e move a cada movimento da nossa vida .
O vento passa mas é na forma como o acolhemos que o caminho se desenha á nossa volta.
___________*____________
Assim como o moinho de vento que marca a passagem da brisa e vai girando.
A vida passa pela gente e a gente passa pela vida girando todos os dias superando, aprendendo e amando e lutando para irmos evoluindo em cada experiência por nós vivida.
Mila Lopes
10 - NO VENTO A ECOAR
Do homem sua coragem
sobe a arriba em carrego
da semente pra moagem
leva e traz com gratidão
chora e ri, seu coração.
Hoje o moinho de vento
é verso, prece a ecoar
o não esquecimento
daquele muito estratego
para as bocas alimentar.
Lá, no alto do planalto
firme a tocar o céu
como ermida erguida
é pouso de avezinhas
que dela são rainhas!
..........
maria g.
11 - Moinho na serra tão sozinho
…
Moinho na serra tão sozinho…
Solitário na bel paisagem,
Vento o beija com tal carinho,
Velas se movem com a aragem.
…
Vem, moleiro, para moagem,
Traz os tais grãos pelo caminho,
No burro o saco, pulcra imagem,
Sobe a serra bem de mansinho.
…
A mó no seu real cantinho,
Vai moendo a sua dosagem,
Pó de farinha tão fininho,
O farelo já na miragem.
…
O padeiro faz a triagem,
Amassa o pão com tal jeitinho,
Fermentado, faz a moldagem,
Coze no forno bem quentinho.
…
Pronto, tiro um bom pedacinho,
Logo levo demais vantagem,
Funde a banha devagarinho,
Sorrisos ao prazer reagem.
…
Nesta minha, bela viagem
P’lo tempo onde sempre me aninho,
Era preciso ter coragem…
Moinho na serra tão sozinho…
…
Mary Lai (Cidália Teixeira)
12 - Moinho
Um moinho abandonado
Já foi um ofício d’alguém
moeu milho o centenário…
milho não comeu de ninguém.
Os sentidos ecoaram
em altares velas e vitrais
orgulhosas as estrelas
brilharam à volta sem ais.
Um cheiro ao passado
aproximaram pardais
é lenta a melodia
os dias são todos iguais.
Preserva sonhos lindos
grãos de trigo os ideais
transformou-os em delírios
O tempo não volta mais.
Ó moinho dantes rangendo
finges a todo o momento
solitário num céu aberto
o teu futuro é incerto.
12 Janeiro 2025
Graciete Lima
13 - VELHO MOINHO!
(1º Poema)
*****
Velho moinho
Onde o moleiro
De tão pobrezinho
Vivia sozinho
Um dia inteiro!
*****
E em que as velas
Ao sabor do vento
Nas noites tão belas
Sem haver janelas
Viam desalento!
*****
Para lá se ir
Ao cimo do monte
Tem de se subir
Para admitir
Ser belo o horizonte!
*****
O dia aparece
O sol desponta
E o moleiro “tece”
O pão que abastece
Famílias sem conta!
*****
Vai-se o dia embora
Volta a solidão
E o moleiro chora
Por não ver a hora
De outra solução!
*****
“O Poeta Alentejano” - Renato Valadeiro
Todos os Direitos Reservados
14 - O Bailado do Vento!
No alto da colina, um guardião se ergue
Com braços que giram, enquanto o vento urge
Um bailado eterno, no azul do céu,
Pintando paisagens, com seu véu.
*
As pás deslizam, num ritmo constante
Colhendo a força, num sopro vibrante
Transformando o ar, em energia pura
Um espetáculo que sempre perdura.
*
Sussurram histórias, de outrora e de agora
Testemunhas caladas, de cada aurora
Gigantes gentis, no campo a girar
Um hino à natureza a nos encantar.
Carmen Bettencourt !
15 - REMANDO O VENTO
Roda a par com o tempo as pás de um moinho
Remando o vento, o mar e os sonhos
Ás vezes é cantiga na voz da brisa
Outras é ventania, sal e maresia
O salpico meigo das águas numa embarcação
Numa viajem para as terras do oriente
Trazendo floração colorida das sementes
Em lábios doces e picantes no paladar das especiarias
A ternura da seda que escorre na tua pele macia
Entre as penas brancas da noite
Flutuando com a brisa no
silêncio da meia-noite
Trazendo teu perfume de sândalo e rosas
As águas do tempo correm para frente numa só direção
Girando a saudade no meu coração!…
@Fátima Arede
Todos os Direitos de Autor reservados nos termos da Lei 50/2004 de 24 de Agosto
e 2ª versão (a mais recente) Lei nº 49/2015 de 05/06.
16 - Nasce o sol!
…
Nasce o sol! Moinho de vento ilumina!
Na serra toca as estrelas no alvar,
Sonha ser um bailarino e cantar,
Velas rolam numa canção em surdina.
…
Sozinho! O vento soa na ravina,
Tão roliço, teto em cone a bradar
Mastro travado para não girar,
Deslumbrante a alva imagem na colina.
…
Nos dias de hoje, já pouco trabalho,
Moleiro vai lá, mas nele não vive,
Quando lhe pedem para o grão moer.
…
Lindo museu tão natural no orvalho!
Haja alguém que de novo bem o ative
P’ra que todos possamos aprender.
…
Mary Lai (Cidália Teixeira)
17 - Rodando no tempo
**
No alto daquela serra
Quase tocando as alturas
Onde as vidas são mais duras
E o moinho se venera
Quando chega a Primavera
E as nuvens se dispersam
Ainda as velas interessam
Lembrando o rodar do tempo
Como se fosse um lamento
Outros tempos atravessam
**
As velas deste moinho
Sempre a vibrar de alegria
Tinham do vento energia
No mais alto do caminho
Hoje da dor é vizinho
O moinho em sua altura
Avista toda a lonjura
E no Céu se vai espelhar
Já nada tem para dar
Agora a vida é mais dura
**
Gertrudes Dias
18 - Na lonjura do alto do caminho
Onde a serra se torna mais agreste
Onde já nem os pássaros fazem ninho
Andam á volta do moinho como em prece
Pedindo ao vento que volte para as mover
Ficar sem seu trabalho o mundo não merece
E o homem não trabalha sem comer
**
Lembrando o vento que lhe trazia a energia
Era tudo o que mais queria no momento
Toda a serra se enchia de alegria
Vendo aquela vela em movimento
Se fosse no vale era a água que o movia
Mas lá em cima tinha mais merecimento
Perto do Céu sendo noite é também dia
**
Gertrudes Dias
19 - SAUDOSO MOINHO
Moinho de outrora
Te vejo agora
Como uma relíquia
Num tempo passado
Foste apreciado
És lindo...acredita
**
Sozinho na serra
Não é o que era
Na sua função
Se sente sozinho
Estagnou no caminho
Merece ovação
**
Lança queixumes
Sente ciúmes
A todos o momento
A força que tinha
O ego mantinha
Fugiu com o vento
**
Vejo de longe
No horizonte
Uma estatueta
Moinho velhinho
Tens o meu carinho
A vida é "maleita"
Laura Prates
20 - Paisagem bucólica
(Madrigal)
…
Paisagem bucólica onde amanhece,
Colina adormecida!
Estrelas brilham no céu de fugida,
Raios de sol batem no moinho e o aquece.
Iluminam serra e vida a surgir
Pássaros em gorjeios
Voam à volta do sol, gratidão!
Moinho com seus receios,
Paradas as velas sem redimir,
No ar o vento que lhe traz emoção.
…
Mary Lai (Cidália Teixeira)
21 - RECORDAÇÕES
Subi ao alto da Serra
Com o Moinho falei
Apresentei-me quem era
E por fim ali fiquei
**
Ainda o Sol não nascia
Mas já se via o clarão
O Moinho percebia
E abriu o coração
**
Trabalhei anos a fio
Alimentei muita gente
Era sempre um corrupio
Mas passou a ser diferente
**
Porque a farinha era boa
Tinha grande clientela
Vinham até de Lisboa
Traziam ... A "Cinderela" ...
**
Já deixei de trabalhar
Chegou a "era" moderna
Outras máquinas vão ficar
A poluir a atmosfera
**
Depois do seu desabafo
Vi que se emocionou
Despedi-me com abraço
E muito triste ficou !
Laura Prates.
21 - "O moinho"
O moinho da minha infância
Cujo sol ficava aquecendo
Era jovem tinha esperança
Caminhando me ia movendo.
Era o moinho dos meus sonhos
Nele eu queria morar
Criar filhos tão risonhos
Que pudessem também amar.
E lá do alto da montanha
Ao vê-lo sempre de dia
Grata seria na amanha
Da terra onde viveria.
Era o moinho mais lindo
Sem portões ou casinhas
Em ramos estava florindo
Só não tinha por lá vinhas.
Mas logo as verás crescer
Assim que eu as plantar
Só terão que frutos ter
Pois o céu as virá regar.
Lurdes Bernardo
22 - NAQUELE MOINHO!
( 2º Poema)
*****
Naquele moinho
Havia uma mó
Mas o tempo altera
E hoje quem me dera
Não vê-lo tão só!
*****
Ainda assim
Encontro-lhe beleza
Mesmo que “perdido”
Por estar envolvido
Pela natureza!
*****
Lá não mora gente
E o céu estrelado
Dá-lhe certamente
Uma “vida” diferente
Para nosso agrado!
*****
Sei que sinto ali
Ser lugar de paz
Ao monte subi
E a porta abri
Olhando por trás!
****
Ao fundo da colina
Uma povoação
Que afinal combina
Com a luz vespertina
De um certo clarão!
*****
“O Poeta Alentejano” - Renato Valadeiro
Todos os Direitos Reservados
23 - MOENDO, MOENDO!
(3º Poema)
*****
Moendo “moendo”
Lá se vai vivendo
A vida, o destino.
E tal o moinho
Não me movo sozinho
E até me fascino!
*****
Moendo, pisando
A terra ou a estrada
Não sei até quando
Mas de mim vou dando
Minha mão louvada!
*****
Calcando, esmagando
Mas sem nos forçar
Sem irmos castrando
Vamos encontrando
O nosso lugar!
*****
Aos poucos, sem pressa
Movemos a mó
Que a vida começa
E logo se processa
Terminando em pó!
*****
Então que a “azenha”
Demore a parar
Pr`a que nos mantenha
Sem nada julgar!
*****
“O Poeta Alentejano” - Renato Valadeiro
Todos os Direitos Reservados
24 - O progresso tudo muda
**
Ó velas do moinho que giravam sem parar
Lá no alto onde o vento não faltava em todo o dia
Onde os grãos eram moídos e farinha se fazia
Que dali saía para o mundo alimentar
**
Onde o moleiro , que sua vida ali fazia
Enfarinhado , o trabalho o fascinava
Se o Verão era quente e o vento lhe faltava
Pensava nos que não tinham pão para esse dia
**
O mundo se transformou de mil maneiras
Farinha ou pão continua a ser bom alimento
Pão , que na mesa é apreciado no momento
E que foi feito pelas mãos de uma padeira
**
O pão quentinho é um regalo e um prazer
E o moinho vai chorando em sua prece
A labuta de uma vida não esquece
E deseja que todos tenham pão para comer
**
Gertrudes Dias
25 - PARA NÃO CHORAR
.
No cimo do monte, o velho moinho,
Ergue-se como guardião do vento;
Vê a passos fugir o mundo, sozinho,
Sem já moer o grão do lento tempo.
.
Outrora bastava-lhe o sopro amigo
E as tulhas enchiam-se de vida e pão;
Hoje, mesmo a brisa cantando consigo,
Nada preenche o vazio do coração.
.
Tudo observa - casas, campo, a estrada vasta,
O povo que se vai, a memória gasta;
História que o tempo teima em calar.
.
Dos dias áureos da roda encantada,
Só pede que a lembrança fique guardada;
Que o monte o sustente, pra não chorar!
.
RAADOMINGOS
26 - A VIDA É FEITA DE CORES
No silêncio do fim da tarde
Quando o céu se pinta de beleza
Docemente...
Ergo uma prece sentida
Olho o éter e sonho
Perdida na magia da Natureza
As cores abraçam o éter
Convidando à doçura
Sinto em mim uma ternura
Macia como o cetim
Ergo os olhos pró poente
Neste carinho inteior
Sigo o caminho em frente
Distribuindo o amor
A vida é feita de cores
A Guardadora de Palavras
Fernanda Rocha
Direitos de autor reservados
27 - O MOINHO,
.
Estrategicamente lá no cimo
Num monte, batido pelo vento
O moinho roda pás sem destino
Num perfeito desatino
Sempre ao sabor do tempo!
.
Está de tal forma programado
Para cumprir a sua função
Rodando lento ou apressado
Sendo esse o seu fado
Rodar… é a sua missão!
.
O moleiro de vigia, aquele moer
É um companheiro fundamental
Seja noite ou longo dia
Não deixa de lhe fazer companhia
Regulando na moega o cereal!
.
A farinha controla, recolhendo…
Procurando da perfeição se certificar
As pedras vão obedecendo
Às ordens dadas pelo vento
As pás vão-se extinguindo... de rodar!
.
São Pereira
28 - O MOINHO DO MONTE
No alto do monte esquecido
Vive um moinho cansado,
de vento fraco, de tempo vencido,
de histórias no corpo gravado.
***
Já não gira como outrora,
quando o trigo chegava em festa,
agora espera noite afora,
que o vento lhe faça promessa
***
As pás rangem como memória,
Vão contando segredos aos céus
dos seus feitos, momentos de glória
que o tempo jamais esqueceu
***
E, sozinho vigia o vale inteiro,
como sentinela do sol poente,
o velho moinho altaneiro,
é o guardião d'um passado, presente.
Celestina Esteves
29 - SOU MOINHO DE VENTO
.
As pazes do meu sentir…
Não me dão nunca descanso
Às vezes parecem… em normal fluir
Para me enganarem, estão a fingir
Sabendo… o que amo tanto!
.
Moem, moem… sem parar
Até parece programado castigo
Obedecem a ventos a soprar
Até na pausa a descansar
Importunam o meu abrigo!
.
A esperança conservo num sorriso
Enquanto as pazes… moem o meu encanto
Já não sei… o que tanto preciso
Acometida de tanto suspiro
Com a tontura de rodar tanto!
.
São Pereira
5-1-2026
21
1 - Um par de corujas
…
Um par de corujas no seu poleiro
De aparência sábia e misteriosa
Numa posição demais majestosa…
Existem já poucas p’lo mundo inteiro.
…
Coruja solitária no negreiro,
Só se junta pra procriar, ditosa,
Voando no vento silenciosa,
Sente a presa pelo capim rasteiro.
…
Soberana no breu da noite, voa.
Enxerga na mais negra escuridão
Boa reflexão e bom conhecimento.
…
Coruja e o misticismo no ar ecoa,
Pios vitais na comunicação,
Marca do saber, sagrado momento.
…
Mary Lai (Cidália Teixeira)
2 - APRENDIZADO
.
Na floresta, pousada, há um ser que vigia,
Guardiã da noite, do silêncio e do saber;
Conhece o escuro melhor que o amanhecer,
Pois só quem vê na sombra, conhece o dia.
.
Não canta, observa - lê o destino calada;
Sabe que a luz chega a quem sabe esperar
E é nessa lição que me deixo ficar,
Enquanto o sol pinta d'ouro a madrugada.
É no recolher das asas, tão sábia, fiel e inteira,
Quando o Sol acorda a cor ainda esquecida,
Que em gestos suaves e mistérios envolvida
Diz-nos : "Teu calor mora à minha beira" .
Pois o amor não é fantasia nem promessa vã;
Avança como o rio que conhece a foz,
Cresce no curso e desagua em nós,
Aprende a ser luz ao chegar à manhã.
O passado encerra quando a noite se fizera
E como a coruja guardo o saber do escuro
Vivo o agora, certo e mais seguro,
Como se a vida fosse, eterna primavera.
RAADOMINGOS
3 - SER LIVRE SEM LAMENTOS
No beiral do meu sonhar
Duas corujas vêm poisar
São aves mansas e belas
Que no seu doce cantar
Amaciam meu viver
Sonhando poder voar
Partir pra longe sem medo
Dar asas à liberdade
Ser o arauto do tempo
Conhecer e aprender
Deixar para trás as dores
Voar nas asas do vento
Sinto em mim este apelo
De ser livre sem lamentos
A Guardadora de Palavras
Fernanda Rocha
Direitos de autor reservados
4 - "Corujas"
Ao voar com vontade e prazer
Um dia quando a noite se abeirar
Irei com muita curiosidade ver
A coruja no beiral se apoiar.
Irei dar-lhe asas para ver o mundo
Para que o possa ajudar a ser melhor
Com os que estão exaustos e no fundo
Cheios de medo de viver com desamor.
Irei fazer o mesmo que a minha mãe
Logo lhe pedirei com tal suavidade
Para proteger pessoas fracas também
E que não pressinta a morte com vaidade.
Sendo coruja eu ave secular e noturna
Na escuridão da noite bato asas vou viajar
Ver a lua iluminada com suave luz diurna
Gostei de te conhecer e contigo vadiar.
Lurdes Bernardo
5 - Um casal. . Mocho e fêmea
No Inverno em minha quinta
A geada forma um manto
Que tudo veste de branco
Como um artista que a pinta
Pincelada em verde -tinta
Tem árvores pró passarinho
Que pousam devagarinho
Onde as folhas estão crescendo
E o casal vai trazendo
Musgo e era pró seu ninho
As folhas secas caíram
Voltando nova ramagem
Coruja e mocho com coragem
Logo os seus pios se ouviram
Sempre na noite se uniram
Com o seu forte piar
Querem no escuro caçar
Insectos e ratazanas
De rapina têm fama
Para depois os devorar
Seus olhos são amarelos
Perscrutando o horizonte
Qualquer ramo faz uma ponte
Piando em momentos belos
E em seus voos paralelos
Planeiam a caçada
Voltando noite fechada
Pra mais uma rapinagem
Depois de outra viagem
Vão comer á descarada
Gertrudes Dias
6 - Olha-me
com olhar frio
penetrante
repassado de intuição
de um saber obscuro
que causa arrepio
Desvio
desses olhos hipnotizantes
os meus, temerários
e hesitantes
com a sensação
de por eles ser perseguida.
Fujo
desse estado sombrio
desesperadamente
e esconjuro
desalmadamente
o fardo pardo de penas
que me deixou perdida!
..........
maria g.
7 - A BELEZA DA NATUREZA
O tempo poisou em mima
Acariciou o meu corpo
Sem autorização
Escreveu doces poemas
De uma beleza sem fim
No
Na mansidão da noite
Vem o dia repousar
Na beleza do luar
As sombras Dançam em mim
Como se eu fosse um jardim
É a beleza da Natureza
Que me leva a sonhar
A Guardadora de Palavras
Fernanda Rocha
Direitos de autor reservados
8 - Num jardim de árvores frondosas
Iluminado pelos mistérios da lua cheia
No silêncio quieto da noite, um par de corujas formosas
Conspiravam o destino, tendo a lua como fiel companheira
Por entre os labirintos da noite ecoam pios em augúrios
Seus olhos de vidro são espelhos de outro mundo
Penetrando os recônditos da alma de tão profundos,
Plenos de mistérios só revelados aos prodígios!
Olhar nos olhos penetrantes de uma coruja,
É como contemplar o passado e vislumbrar o futuro
Girando, girando… até onde o pensamento alcança
Entre retratos e memórias, num voo inocente e puro
Nessa linda viagem entre sorrisos e lágrimas
Num silêncio paciente que ensina e transforma
Tocando o divino, na sabedoria das almas
Num bater de asas que inspiram poemas!…
@Fátima Arede
Todos os Direitos de Autor reservados nos termos da Lei 50/2004 de 24 de Agosto
e 2ª versão (a mais recente) Lei nº 49/2015 de 05/06.
9 - Ave noturna
Quando em minha laranjeira
De noite a ouço piar
Gosto sempre de ir espreitar
A coruja por brincadeira
Sei que é uma asneira
Queria -a domesticar
Mas sendo ave de rapina
Não vai com falinhas mansas
O seu olhar sempre alcança
Alimento que a anima
Quando os olhos inclina
Com os ratos faz festança
E por todo o Continente
O seu piar é notado
Nas hortas ou no valado
Ela está sempre presente
A cabeça é diferente
No mocho é quase um quadrado
Uma noite a espreitar
Eu levei uma lamparina
Com certeza se adivinha
Que só a fui espantar
Longe ouvi o seu piar
Pois comigo nunca alinha
Caçando insectos e ratos
É mistério e introspecção
Gostava de a ter á mão
Mas ela não tem bom trato
Nunca caça ao desbarato
Na noite tem mais acção
Gertrudes Dias
10 - CANTARES DA CORUJA!
(3º Poema)
*****
Na noite a coruja passa
Com voo leve que não cansa
Traz fama antiga de agouro
Olhar fundo que atravessa
A alma, a fé e a promessa
De vida, morte e até choro!
*****
Na plumagem que carrega
Guarda da noite, não nega
Fechando os olhos no dia.
Mas quando a lua desponta
Logo ela se apronta
A ter mais sabedoria!
*****
Diz o povo na aldeia
Que seu canto incendeia
Medo, reza e mau destino
Uns veem sinal de morte
Outros chamam-lhe boa sorte
Mas pela qual me fascino!
*****
Ave de rapina serena
Na paciência que encena
Um ataque breve e certeiro
Caça lagartos no chão
Coelho incauto na amplidão
Num instinto verdadeiro!
*****
Tal qual qualquer vivente
Segue a lei dura e urgente
De ter de sobreviver.
Não é presságio nem mal
É a natura universal
Que lhe permite assim ser!
*****
“O Poeta Alentejano” - Renato Valadeiro
Todos os Direitos Reservados
11 - Tendo índole cultural
E um voo silencioso
Traz protecção espiritual
Mas a morte por igual
A quem é supersticioso!
*****
A coruja ao ser bonita
Pode servir de amuleto
Mas de dia ela dormita
E quando escurece transita
Na noite que veste “preto”!
*****
É uma ave de rapina
Apesar de ter beleza
Quem vê uma diz que a sina
Logo a um agouro se confina
Para além de ter destreza!
*****
Pois na sua agilidade
Caça coelhos, cobras, ratos
E o que mais tiver vontade
Não importa a mortandade
Pl`a frieza dos seus actos!
*****
Mas porque tal como nós
Pr´a que se possa governar
Tem mesmo de ser veloz
E comer de forma atroz
O que haja na cadeia alimentar!
*****
“O Poeta Alentejano” - Renato Valadeiro
Todos os Direitos Reservados
12 - SÍMBOLO ESPIRITUAL
.
O mocho, uma ave fascinante
Símbolo antigo e inspirador,
Na decoração sempre presente
Imaginário coletivo superior.
.
Guia de decisões importantes
Símbolo de sabedoria, intuição,
Atravessa culturas no presente
Projeta sensibilidade e proteção.
.
Mocho símbolo de espiritualidade
Na decoração sempre presente,
Antigas culturas reciprocidade
Na decoração várias vertentes.
.
O mocho desperta curiosidade
Por suas valências espirituais,
Visão interior com sensibilidade
Valorizada nos tempos atuais.
.
Funchal, 5 de Janeiro de 2026
Cecília Pestana
13 - COMO UMA PRENDA SONHADA
Numa tarde de Verão
Estava eu de férias na aldeia
Em casa dos meus avós
Vi duas corujas poisadas
No beiral da velha janela
Como que ensaiando
Um belo e doce trinado
Tinham o olhar brilhante
Doce... como um doce fado
Deslumbrada... eu olhava
Sem delas me aproximar
-----Para não as assustar.
Perdi-me em belos sonhos
Ao vê-las ali poisadas
Abençoei esse tempo
Como uma prenda sonhada
A Guardadora de Palavras
Fernanda Rocha
Direitos de autor reservados
14 - SONETO À CORUJA!
(1º Poema)
*****
Sendo chamada de coruja
Há nesta ave que pia
Uma grande sabedoria
Sem que dela não se fuja!
*****
De plumagem acastanhada
Pintas brancas à mistura
Será uma grande loucura
De querê-la embalsamada!
Reveladora de segredos
A mim não me causa medos
Foge de aparecer de dia
*****
A história assim o ordena
Ter sido mascote de Atena
E símbolo da filosofia!
*****
“O Poeta Alentejano” - Renato Valadeiro
Todos os Direitos Reservados
15 - Pela madrugada
(Cantiga)
…
Mote:
Pela madrugada
Oiço uma coruja,
No alto castanheiro,
Ping ping da meruja.
…
Voltas:
Coruja e o parceiro
U u u u u u u no seu piar
Atração p'lo par
No mato o poleiro
Pio verdadeiro
No alvar p'la caruja
Dia a aparecer
Ping ping da meruja.
…
Mistério o seu fado
Tanta sabedoria
Na noite a magia
Racional brado
Intuitivo achado
Tão feliz rabuja
Presa, o alimento
Ping ping da meruja.
…
Na toca a ninhada
Num lugar seguro
Se esconde no escuro
No ocaso a soada
Numa desgarrada
No céu a garatuja
Comida às crias
Ping ping da meruja.
…
xxxxxxxxxx
Caruja--> orvalho
Meruja--> chuvisco
xxxxxxxxxxx
Mary Lai (Cidália Teixeira)
16 - Coruja
(Indriso)
…
Coruja ave de rapina
…
Bico curvo e tão afiado
Garras para capturar
Visão e audição bom legado.
…
Saber ancestral domina.
…
Mistério: proteção e morte
Vista como mau presságio
Por ser noturna, má sorte…
…
Mary Lai (Cidália Teixeira)
17 - O mocho e a coruja
Nem que a noite os assustasse
Nem que o dia os não traísse
Nem que fossem á rapina
Conhecidos pelo piar
E o gosto por insectos
Pelo seu corpo malhado
E a sua grande cabeça
Os tinham denunciado
Nem que os liguem ao agoiro
Nem a fama de assustar
Nem a árvore que é seu poiso
Os consegue demover
Do seu gosto pela caça
Das pessoas assustar
Por serem de mau agouro
Nunca a fama os vai largar
Nem que fosse pelo piar
Nem que a noite fosse branca
Nem que o seu corpo castanho
Onde a cabeça é enorme
E os olhos são amarelos
Seriam bons companheiros
A construir o seu ninho
Entre os outros os primeiros
Gertrudes Dias
18 - MOCHOS NA FLORESTA
.
Na floresta escura ao cair da noite
Vivem dois mochos lado a lado
Olhos atentos voo sem açoite
Um casal calmo e bem unido
.
Num tronco velho fazem morada
Onde o silêncio sabe falar
Ficam juntos de madrugada
A cuidar do ninho a descansar
.
Quando a lua sobe devagar
Ouve-se um pio pelo ar
É um chamamento a confirmar
Que nunca se vão separar.
.
Entre ramos passam a vida
Sem pressa sem confusão
Dois mochos mesma batida
Coração com coração.
.
José Martinho.
19 - Corujas
Entre sombras da floresta
espreitam olhos sem dormir
são corujas d’alguma espécie
em bicos de pés a bulir.
Mudas com tudo isto
junto a um rio que tudo vê
mata a sede às criaturas
mil feitiços prevê.
Milagrosa a floresta é
os galhos não veem os céus
tāo agreste e adormecida
o Ujo não grita… de dia.
A noite vem de mansinho
nas asas de um corujão
ideal para caçar
um coelho num alçapão.
A coruja voa ao de leve
deu às asas sem sermão
fujidias de um sol alegre
o luar não as descreve.
Roda a cabeça secreta
quando ao redor há algo
olhos magos com mistério
na ação na cobiça e no alvo.
Curiosas no escuro
nada que não seja ruim
são como os homens sábios
procuram o saber… até ao fim.
5 de Janeiro 2026
Graciete Lima
20 - Os Mochos,
.
Os mochos gostam das alturas
Durante o dia, descansam recolhidos
Não se arriscam em aventuras
Apesar de não terem muitos inimigos!
.
Fazem ninhos lá no alto
Num tronco apodrecido, esburacado
Precavendo-se de algum assalto
Dalgum inconveniente esfomeado!
.
Fofinhos, lindos e curiosos
Em pequeninos a espreitar
Com um lindo modelo de olhos
E um marco ao meio a separar!
.
Costumam-se anunciar na noite
Lembro-me que havia luar
Não à cuco que não se afoite
Quando pretende, à companheira agradar!
.
Os seus ecos no silêncio, dá para escutar
A natureza tem segredos, magia…
Lembro-me de os ouvir comunicar
Despertam-nos os sentidos, têm profecia!
.
São Pereira
21 - AS DUAS CORUJAS
No campo calmo, sob a lua a brilhar
Duas corujas conversam ao vento gentil
Segredos antigos começam a cantar
Na noite serena de um sonho sutil
Entre as estrelas, aprendem a voar
Por trilhas de prata no céu aberto
O mundo adormece, mas elas a pensar
Desenham futuros no caminho certo
Quando o sol nasce, vão descansar
No velho carvalho de tronco, duro
Pois toda coruja precisa guardar
Os versos da noite num lugar seguro.
CELESTINA ESTEVES
Sem comentários:
Enviar um comentário