Uma Imagem...Mil Sorrisos


“Uma Imagem… Mil Sorrisos” dá-nos asas à imaginação. Cada foto regista um momento que fica eternizado na nossa memória e provoca-nos sensações diferentes. Como fazer chegar uma imagem a quem não a vê? O que se espera é que cada um tenha a sua interpretação, para além da óbvia e esta pode valer um sorriso, ou melhor, mil sorrisos a quem a lê." Cristina Russo - mentora da iniciativa, criada especialmente para o meu primeiro grupo "Jardim de Poesia", em 2012.

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Esta iniciativa não tem tema, apenas uma foto a ser interpretada. Todas as semanas interpreta-se uma foto diferente.

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ATENÇÃO: Só é permitido usar as fotos das iniciativas noutros espaços desde que mantenham o nome do autor. Todas as fotos têm dono, por isso, vamos respeitar. Também não gostamos que usem os nossos poemas sem a nossa identificação. Todas as fotos que uso estão devidamente identificadas.

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Não usem fotos ou nomes de iniciativas antigas no grupo para não induzirem os restantes membros em erro. No grupo, ambos devem ser usados apenas no dia da iniciativa. 

*

Todos os poemas serão publicados aqui por mim e é responsabilidade dos membros participantes  certificarem-se de que os seus trabalhos se encontram aqui e corretamente. Prazo de reclamação..24h.

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A iniciativa não é obrigatória.

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Atenção, só serão válidas as publicações feitas no próprio dia, das 00:00h às 23:45h. Participações para além do dia, serão eliminadas.

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No ar às Segundas Feiras.

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Os trabalhos expostos são da responsabilidade dos autores. São publicados no Grupo SORRISOS NOSSOS e posteriormente copiados e publicados aqui por mim. Não me voluntario para fazer qualquer tipo de correção. 

*

1 - Obrigatório identificar a iniciativa: 

- ou com o nome da iniciativa,

- ou com a foto da iniciativa,

- ou com ambos.

2 - A foto a usar é sempre a do dia correspondente, fornecida por mim.

3 - Poemas só em texto, publicados diretamente no grupo. Não são permitidas partilhas, nem poema na foto

4 - Poderão participar com até 5 poemas. 

*

Helena Pena

5-1-2026

ABRIL

27-04-2026

https://www.pexels.com/pt-br/foto/36284503/


20-04-2026

















https://www.pexels.com/pt-br/foto/homem-pessoa-musica-chapeu-14449312/

13-04-2026

https://www.pexels.com/pt-br/foto/close-up-de-uma-formiga-na-grama-com-fundo-verde-suave-36447245/



06-04-2026


20

1 - DOIS MENINOS
.
Dois meninos riem com carinho
Um pequeno ser na mão a olhar
Num gesto leve bem devagarinho
Há tanta vida a começar
´.
Um deles beija com cuidado
O outro ri sem se conter
Num momento tão delicado
Que faz o tempo até esquecer
.
As mãos juntinhas a proteger
Algo tão frágil e tão bonito
Ensina a gente a aprender
Que o amor mora no infinito
.
E assim, num simples olhar
Sem pressa e sem complicação
Mostram que é fácil encontrar
Alegria no coração.
.
José Martinho.


2 - Cria de um Pássaro
Na floresta piava
um passarinho perdido
procurando a sua mãe
e nos irmãos o sentido.
Silêncio não lhe faltava
ao andar devagarinho
dois meninos encontrou
ficando assustado e com frio.
Os Meninos surpreendidos
com o indefeso animal
encontraram- lhe um abrigo
entre o calor d’um olhar.
Sorriram um para o outro
com desejos de o ajudar
ao pequeno passarinho
caído do ninho o seu lar.
Não se fizeram rogados
alegres no caminhar
levando-o da floresta
para o ajudarem a voar.
Alimentaram-no e bem
sabedoria não lhes faltou
ao crescerem na floresta
guia esta os ensinou.
Uma cria dum pássaro salvaram
a natureza agradeceu
ajudando animais indefesos
são espelhos que Deus nos deu.
6 de Abril 2026
Graciete Lima


3 - ASAS DE ARCO-ÍRIS
Nos galhos das árvores floriam passarinhos
Rompia o silêncio seu canto doce,
Acordando o sol, aquecendo os ninhos
Elevando-se ao céu em forma de prece
Num fim de tarde, o vento soprou forte
Passarinho pequenino perdeu o norte
Piando de tristeza e saudade
Passarinho que não voa, perde a liberdade..
Caiu devagarinho nas mãos da esperança
Pousou nas mãos puras de criança
Asas de anjo que lhe foram abrigo
Amor, cuidado, regaço de aconchego
Passarinho cresceu, é tempo de partir
Bate as suas asas de arco-íris
Segue o seu caminho, o verdadeiro amor deixa partir…
Pássaro cativo não canta nem é feliz!
@Fátima Arede
Todos os Direitos de Autor reservados nos termos da Lei 50/2004
de 24 de Agosto e 2ª versão (a mais recente) Lei nº 49/2015 de 05/06.


4 - Minha ternura 
**
Sempre gostei de animais 
Com grande satisfação 
Juntando -me ao meu irmão 
Ainda o gozo era mais 
Espantávamos os pardais 
Para espreitarmos os ninhos 
Que lindo ! aqueles biquinhos 
Que pediam alimento 
Para nosso contentamento 
Adoptámos um pintinho 
**
Comia na nossa mão 
Ou roçava a nossa cara 
Como era de raça rara 
Queria mais atenção 
Disputava com meu irmão 
Cada um á sua vez 
Tinha ele um gato maltês 
E eu uma franga pintadinha 
Que às vezes por sorte minha 
Punha um ovo , dois ou três 
**
E o pintainho enlevado 
Com eles coabitava 
Na minha cara lavava 
O seu bico amarelado 
Comigo ia a todo o lado 
Quando tinha permissão 
Em cenas com meu irmão 
Os dois lhe queríamos bem 
Sortudos como ninguém 
Era a nossa distração 
**
 Gertrudes Dias


5 - A inocência e o amor
Tem por certo… um esplendor!
Numa enternecedora constatação
Um passarinho, com temor
É acariciado com amor
E zeladora proteção!...
.
A primavera, o faz desencadear
Tão inspirado é o olhar
Em tudo o que nos rodeia
A vida brota na terra e no ar
Com pensamentos a voar
Num turbilhão em cadeia!
.
Vive-se de janelas abertas
Em sucessivas descobertas
Tão empolgantes e enternecedoras
Com chilrear de aves e crianças
Povoando felizes lembranças
Na inocência… de que são portadoras!
.
São Pereira


6 - Pintainho a arfar
Crianças procuram ovos no jardim,
Quando ouvem um, tal, estridente piar,
Sai detrás de um arbusto pintainho a arfar,
Perdeu-se da galinha-mãe no alecrim.
Os miúdos o apanham pelo capim,
Tão felizes com suas mãos o mimar
Penugem macia branca e escura, a asar,
Beijinhos lhe dão, ampla alegria sem fim.
Mas, o pintainho a sua mãe, ele queria,
Saltar-lhe pràs asas, estar em seus braços,
Então, as crianças vêm acima, outros pintos.
Correm p’la relva, o pio olhar atraía…
Poisam-no no grupo, família seus laços.
Logo, o acolheram com seu puros instintos.
Mary Lai (Cidália Teixeira)


7 - "Há cumplicidade"
Chagada a primavera 
E com ela a passarada
Nós dois vimos da janela
Aquela bonita Alvéola
Que se sentia abandonada.
Corremos na sua direção 
Queríamos saber o que se passa 
Depois de tomarmos uma decisão 
Demos-lhe carícias em tom de graça. 
Ficou entre nós dois nessa altura 
Foi uma aventura sensacional 
A nossa carícia era a verdadeira loucura 
E tudo entre nós foi tão dócil e real.
Nossos mimos não pararam de crescer 
Tão amiguinhos nós passámos a conviver
Ambos nos riamos pelo que estava a acontecer
E tão juntinhos... 
Beijinhos lhe dávamos até ele querer.
Lurdes Bernardo 


8 - Vejo aqui muita ternura 
Que me causa emoção
Ver duas crianças felizes
Com uma ave na mão
Tão pura e bela imagem
Transmitindo esperança
Levando a minha alma
Aos tempos que era criança
Dois melros tive comigo
E por mim alimentados
Entravam pelo postigo
Nunca os tive engaiolados
Entravam e saíam
Sempre a seu bel prazer
Mas faziam companhia
Sempre à hora de comer
          *********
      Sílvia *Santos


9 - Amor e ternura 
Não me consigo alhear 
Nem entendo  esta razão 
De uma ave acarinhar 
Na palma da minha mão 
**
Imagino uma festinha 
Nem que seja provisória 
Meu amigo um pinto tinha 
E com ele fiz história 
**
Beliscava a minha cara 
Para mim era um deleite 
Junto a esta paixão rara 
Nas minhas mãos era enfeite 
**
Meu amigo me dizia 
Que o país das maravilhas 
É teres que o levar um dia 
Pelo mar até Cacilhas 
**
E pronto ! Cá estamos nós 
A dar mimo e proteção 
E a mostrar a todos vós 
Que é amor no coração 
**
Gertrudes Dias


10 - Perdido 
Prendi a minha atenção 
Num piar pouco gostoso 
Que a mim por qualquer razão 
Me deu logo a sensação 
De um pintainho ansioso 
**
Perdido no matagal 
Acolhi -o com carinho 
Um anel de metal 
Na patinha era o sinal 
Que perdeu o norte ao ninho 
**
A par com meu companheiro 
Demos -lhe logo carinho 
Ansioso quis primeiro 
Revistar seu corpo inteiro 
Não tivesse algum espinho 
**
Só precisava de amor 
E dele fomos cuidar 
E vá lá para onde for 
Sempre lhe vou dar valor 
E um beijo pró animar 
**
Eu e meu companheiro 
Em disputa de mansinho 
Com carinho verdadeiro 
Para ver qual é o primeiro 
A receber um beijinho 
**
Gertrudes Dias


11 - QUANDO HÁ AMOR NO CORAÇÃO 
.
Duas crianças afortunadas
Vivem num mundo sem igual;
Entre muros, gritos e granadas 
Julgam estar a ver mal.
.
Surge plas ervas dum terreno 
A saltitar devagarinho, 
Um fofinho pinto pequeno,
De penas dum amarelo clarinho.
.
Chega com passos desajeitados,
Como se acabado de aterrar;
No "rosto" uns olhos assustados 
E um biquinho sempre a piar.
.
Nasce entre os três coisa bela,
Daquelas que enchem o coração:
Um laço puro e amizade singela, 
Feita de amor e comunhão.
.
As crianças aprendem a cuidar,
O pintainho ensina a sentir.
O mais importante é dar,
Sem nunca deixar de sorrir.
.
Correm juntos pela rua afora,
Inventam mundos no chão,
E o tempo, que por eles não demora,
Guarda tudo na mão.
.
Se um tropeça outro ampara,
Se um se perde, outro chama
E deles o pintainho nunca se separa,
Como se entendesse quem o ama.
.
Porque os amigos são assim:
Um caminho feito em união,
Ninguém andará sozinho,
Quando há amor no coração!
.
RAADOMINGOS 


12 - A galinha choca
Lancei a galinha choca nos ovos,
Ninho confortável e seguro,
Ambiente agradável e escuro,
Passado algum tempo, pintos novos.
Água e comida sempre em removos
Bem alerta vigio os venturo,
Lancei a galinha choca nos ovos,
Ninho confortável e seguro.
Crianças espreitam, me asseguro,
Primeiro pinto sai sem estorvos,
O pegam, carinhos nos renovos,
Felizes, em tal júbilo puro…
Lancei a galinha choca nos ovos.
Mary Lai (Cidália Teixeira)


13 - A CRIANÇADA
Dois Garotos sorridentes
Ficaram muito contentes
Ao procurar um pintainho
Que se escondeu por aí
Mas eu nem sequer o vi
Está agora... no colinho
**
Foi chamar um amigo
Que constatou o perigo
Se ficasse com ele !
Queres uma aposta
Que o Dono não gosta
Deixamos á porta dele
**
Quem acredita?
Nesta história bonita
Merece um louvor
"Putos" adolescentes
Foram convincentes
E mostraram "amor"
Laura Prates. 


14 - DOCE AVENTURA
O sorriso aconteceu
Nos seus rostos de meninos
Eram a doce alegria
Sorrisos alegres, brincando
Com doce animal
Invocando o próprio céu
Olhei a bela manhã
Vi crianças a brincar
Numa terna alegria
Com doçura e magia
Na beleza de sonhar
Brinca na luz da manhã
Um sorriso de ternura
Acordam os belos sonhos
Com beleza e candura
A Guardadora de Palavras
Fernanda Rocha
Direitos de autor reservados


15 - SONHO DESEJADO
Vieram os sonhos embrulhados
Nos seus olhos de meninos
Pintavam a manhã de luz
Com um sorriso encantado
Olhavam-se com tal ternura
Beijando um lindo animal
Preso em suas mãos
Como uma prenda real
Olhei-os deliciada
Ao ver tão grande carinho
O meu coração vibrou
Eram um sonho real
Naquela tarde encantada
Foi doçura, foi magia
Perfumando com ternura
A beleza desse dia
A Guardadora de Palavras
Fernanda
Direitos de autor reservados


16 - DOCE CRIANÇA
É tão belo ser criança
Sonhar com dias azuis
Prender com linhas de sonho
As nuvens brancas do céu
Tapar com um véu as nuvens
Dos dias enevoados
Ser criança é ter esperança
Na beleza de um sorriso
Sonhando poder alcançar
Um lugar no Paraíso
E nessa estrada sonhada
Banhada de luz e amor
Se acenda em nós a esperança
Para no nosso interior 
Sermos de novo crianças
A Guardadora de Palavras
Fernanda Rocha
Direitos de autor reservados


17 - Pintainho
Pintainho tão fofo de estimação,
Crianças o acolhem demais felizes,
Carinhos mil lhe dão com emoção.
Beijam-no rindo, ele é tão macio,
Pinto quieto na palma da mão,
Olho-o bem com atenção e sorrio.
Miúdos cheios de felicidade!
Ter animal, que gostam, os acalma.
Mary Lai (Cidália Teixeira)



18 - Felizes
são os que vivem
a simplicidade das coisas pequenas
daquela felicidade
natural encontrada
que só a inocência permite
um beijo com morada
é nascente
que transborda de candura
na madrugada dos que crescem
com a natureza
os puros sentimentos
são toda a sua riqueza
em seus simples gestos
e sorrisos serenos
está a esperança
que o perdido mundo procura
e, nos seus olhos
um manto de céu azul iluminado
leva acreditar
que nem tudo está perdido.
..........
maria g.


19 - UMA AVENTURA
Estavam dois "Rapazolas"
No jardim para brincar
E ao lado das sacolas
Uma bola para jogar
***********************
Eis que surge um passarinho
Correram para apanhar
Estaria perto o seu ninho
Pensaram em pesquisar
*****************************
Em pequenos voos fugia
Quando corriam atrás
Uma verdadeira alegria
Até que "um" foi capaz
*****************************
Inocência de crianças
Em suas mãos dão beijinhos
Ter liberdade é ter esperanças
Voar como passarinhos
********************************
E nas mãos aprisionado
Olharam as suas asas
Um acordo... combinado
E o largaram sobre brasas
*****************************
Não quiseram fazer mal
Foi tratado com ternura
Acaba bem ...afinal
Deliciosa Aventura !...
***************************
Laura Prates .


20 - UM INSTANTE DE TERNURA 
No campo aberto, leve e calmo,
duas crianças a brincar,
numa mão descansa um pássaro,
quase sem conseguir respirar. 
A outra criança sorri com doçura,
olhando a ave sem temor,
há ternura no silêncio,
e um gesto cheio de amor.
O vento passa devagar,
e o tempo parece parar,
naquele instante tão puro,
tudo é paz no mesmo lugar.
Celestina Esteves


MARÇO

30-3-2026

 
24

1 - INFINITO SER
.
Viajo no infinito do meu ser
Morro em ti e no tempo
Nesse tempo infinito de não ser
Contornos de luz ou escuridão
Dor desatenta de ocasião
Permanecida no tempo.
.
Tempo que me parece infinito
Tempo de ecos, murmúrios, vozes
Dentro de mim, um vazio
Viajo e entrelaço os dias no tempo
Tempo que foi meu, nosso,
Momentos do meu ser.
.
Viajo no tempo, na luz, ao vento
Ao luar, ou em dias de entardecer
No ser infinito sem destino
Por vezes perdida no tempo
Esse tempo que corre veloz
Perdida no desalento, fico sem voz.
.
Viajo no tempo infinito do relógio
Tempo veloz, escorregadio sem ti
Tempo que tropeça em mim
Ficarei um dia perdida no tempo
Marcado pelo destino, em nós,
Nas horas, como no tempo sem fim.
.
Cecília Pestana


2 - BELEZA E POESIA
Com um sorriso gaiato
Atravessei as salinas
O sol beijava-as com carinho
E o sal se oferecia
Qual paisagem de magia
No silêncio da manhã
Uma gaivota voava
Eu que atravessava as salinas
Deliciada com tanta beleza
Agradeci à Natureza
Poe abraçar este dia
------ Magia e Poesia - - -
A Guardadora de Palavras
Fernanda Rocha
Direitos de autor reservados


3 - AS SALINAS DE AVEIRO!
(1º Poema)
*****
As salinas de Aveiro
Fui um dia visitar
Estava frio, era Janeiro
Mesmo assim, senti o cheiro
Daquele sal a refinar!
*****
Vi que era volumoso
Porque agarrei um punhado
Tive de ser cauteloso
O piso era perigoso
E eu sou um desastrado!
*****
O sal naquele lugar
Tal a neve era branquinho
Mais parecia que ser o mar
Onde fui pr`a temperar
A vida nesse cantinho!
*****
Escolhi a minha receita
Com o rodo, puxei o sal
Pode que nem seja perfeita
Não sei se alguém a aceita
É minha e não há igual.
*****
Misturei ao sal, o alho
E alguma água a ferver
Meti-me depois ao trabalho
E sabendo o quanto valho
Foi-se o sal… derreter!
*****

“O Poeta Alentejano” - Renato Valadeiro
Todos os Direitos Reservados


4 - Senhor do Rio !
No rochedo do teu castelo te perdeste,
na tribuna o teu amor sobreviveu às correntes,
levando para o mar os teus sonhos.
Vives num jardim à beira-mar plantado
no País do Sol.
Sobreviveste ao proteger os teus amores
nas tuas asas deixando voar o teu ser
ficando a tua barca a navegar ao sabor das correntes.
Como as ondas d’um mar chão as lágrimas dos teus olhos
misturam -se com as cheias e lavram o horizonte do teu reino,
chamando o teu nome:
O Rio.
30 Março 2026
Graciete Lima.


5 - Vejo caminhos de terra marcados 
Com água a toda a volta
Que vão dar a alguns lados 
Ao que pareceu uma casa
Desabitada e tão solta.
Serão salinas aquilo 
Ou um lugar onde se pesca 
São os carreirinhos em volta
Que fazem crer que ainda se testa
Por ali alguma coisa solta.
Só um homem se vê por aqueles lados 
Que irá ele fazer naquele sitio ermo 
Em tempos quem sabe bem tratados
Mas hoje parecem degradados
Sem utilidade somente enfermo.
Vou criar aqui com imaginação
Um campo cheio de vida e cor
Onde fosse coberto este chão 
De poemas sol e muito amor. 
Lurdes Bernardo 


6 - SALINAS PL`O MUNDO!
(3º Poema)
*****
Mesmo sem especialista
Com conhecimento profundo
Quero do meu ponto de vista
Deixar-vos aqui a lista
De várias salinas pl`o mundo!
*****
Por cá neste meu país
Sabendo bem ser certeiro
Vejo o marnoto feliz
Sentindo o sal no nariz
Em Rio Maior e em Aveiro!
*****
Também o vejo em Tavira
Para ganhar seu pilim
No Brasil não é mentira
Maragogi será gira
Tal qual em Castro Marim!
*****
Cabo Verde, tem perfume
Suas praias têm fama
Salinas, pedra do lume
E no Chile grande volume
No solar do Atacama!
*****
Não posso finalizar
Sem querer qualquer represália
Fui Trapani visitar
E o sal de Marsala provar
Lá pelo sul de Itália!
*****

“O Poeta Alentejano” - Renato Valadeiro
Todos os Direitos Reservados


7 - SAL E SOL
Para todo lado que me viro só vejo o mar
Viajo pelas doces artérias do rio entre sal e maresia
Pulsando no meu coração na mesma sintonia
No êxtase das espumas das ondas, a aventura de ir e ficar…
*
O azul profundo cai sobre mim a prumo
Na distância me perco, sem remos nem rumo
O vento sempre sopra numa quietude que acalma…
Mas é a prata doce das águas que lava-me a alma!
*
O tempo abraça-me e corre calmamente
Entre as flores de sal e segredos murmurados docemente
Os sonhos, a maresia e o perfume das rosas
Nessas águas habitam o sal e o sol que me levam para casa…
*
Nos meus lábios de mel, embriagados de sal e vento
Navegam versos de quimeras e encantamentos …
@Fátima Arede
Todos os Direitos de Autor reservados nos termos da Lei 50/2004
de 24 de Agosto e 2ª versão (a mais recente) Lei nº 49/2015 de 05/06.


8 - REFLEXOS
Àquela hora
sou eu que corto a solidão da paisagem
qual imagem lunar
de águas quietas sem vida
que refletem apenas
o esboço fiel de todo e qualquer corpo
que nelas se deitem. 
Imagens sem alma
despidas deste sentimento
que carrego no momento
um sentir desolador 
provação, vazio, perda
onde me sinto órfã do amor maior
sempre mais distante em cada despedida.
..........
maria g.


9 - O campo alagado
Percorro o campo alagado, junto do rio,
Que abastece os diques pra regar plantações,
Cultivo do arroz, na lezíria as condições,
Sementes laçadas no espaço que vigio.
O arroz pra germinar, água abundante a fio,
Terreno trabalhado nas várias seções,
Plantio, de há três dias, sem hesitações,
Tempo preciso pra brotar, o desafio.
Pelo trilho, com cuidado, observo o arrozal.
Fico contente, vejo os pequenos rebentos,
Afiro se a água se mantém abundante.
Cada lote terá seu verde natural,
Virá floração e me trará muitos alentos…
Conto que a colheita seja significante.
Mary Lai (Cidália Teixeira)


10 - A AMIZADE
Águas paradas
Rio de calmaria
Frases pensadas
Ao romper do dia
Visto a minha capa
Amarelo é a cor
E nada me escapa
Tenho algum temor
Sigo recta fora
Vou directo á casa
Pois a esta hora
Há peixe na brasa
Faço companhia
A um amigo lá dentro
Muita sintonia
Aliada ao sentimento
Que vou atrasado
É imagem que passa
Vou estar abraçado
E tudo se ultrapassa !
Laura Prates 


11 - O QUE A VIDA TRAZ, TAMBÉM...
.
Entre os canteiros da paisagem
E onde o céu espelha o azul sem fim,
Ergue-se uma casa quase como miragem,
Cercada de água como um jardim.
.
Flores de cristais descansam da viagem
E nela o tempo também repousa assim.
E da sina inevitável de tanta romagem,
É porto certo, tenho isso pra mim!
.
O homem avança sem parar sozinho,
Nas salinas colhe o pão sob o sol a pino 
E do sal, sulcos que lhe moldam o olhar. 
.
Durante isso, ouve estórias plo caminho
E o suor transforma a dureza em destino;
Sabe o que a vida traz, também há-de levar!
.
RAADOMINGOS 


12 - O meu pensar 
**
Não digas nada 
Não digas meu bem 
Não digas que o sal não nos convém 
Campos de salinas são lindos , sustento 
E se me dá gosto dele não prescindo 
No meu alimento 
**
Não digas nada 
Que eu sei o que dizes 
Na água gelada não entres , não pises 
Á parte os deslizes , ponho a minha capa 
Nada mais me importa 
E entro á socapa 
Não digas nada 
Que não me convences 
Pela teimosia tu nunca me vences 
Em pleno dia é digno de olhar 
Do branco as salinas 
Tão perto do mar 
Não digas nada 
Sei que não te importa 
Mas é que eu adoro tudo á minha volta 
Olho lá em cima vejo um avião 
Mas volto a olhar 
As salinas salinas no chão 
O sal do mar usado com jeito 
Da para temperar 
Nada de exagero, tudo tem um conceito 
Olhando a campina de branco vestida 
Não penso em mais nada 
É a minha vida 
**
Gertrudes Dias


13 - AS SALINAS
.
Em quadrados delineados
Por caminhos contornados
Circulam os trabalhadores
Pelo sol são beneficiados
A solidificar o sal nos quadrados
Ficando a essência, prós sabores!
.
O sal é um tempero precioso
Que torna tudo mais gostoso
Sendo imprescindível dispensar
Bendito o sol quente e luminoso
Que acelera aquele bem precioso
Pra fascínio do nosso paladar!
.
Quem nas salinas trabalha
Tem uma salgada batalha
Cumprindo muito empenhado
Alguém tem que assegurar
Para todos nós, à mesa degustar
Aquele prato, divinamente apaladado!
.
São Pereira


14 - CAMINHOS DE TERRA
.
Na água parada o céu se reflete
Tudo parece calmo ao redor
Uma pessoa de amarelo segue e promete
Um passo tranquilo sem pressa ou temor
.
Caminhos de terra cortam o lugar
Como linhas desenhadas no chão
E ela caminha sem se apressar
Sozinha, mas cheia de direção
.
Há uma casinha simples ali perto
Parada, quieta, sem dizer nada
Como um segredo pequeno e aberto
No meio da paisagem espelhada
.
E nesta cena tão leve e serena
O tempo parece até descansar
Como se a vida simples e plena
Fosse só andar e observar.
.
José Martinho


15 - O meu passeio 
**
Não sei porque digo 
Nem sei se me queixo 
Quando saio contigo 
Guiares - me não deixo 
Com chuva ou com sol 
O meu passeio faço 
O rio é tão vasto 
Como branco lençol 
**
Há sempre um senão 
No sítio onde vou 
Passa um avião 
Alguém me acenou 
A capa amarela 
Dá sempre nas vistas 
E por mais que insistas 
Não saio sem ela 
**
Com os pés no chão 
Chapinho na água 
Só no meu colchão 
Reconforto a mágoa 
Esta vida á toa 
Só me dá prazer 
Mas vou -te dizer 
"Sou boa pessoa"
**
E se tu quiseres 
Levo -te comigo 
Se algo me deres 
Sou um bom amigo 
Meto os pés na água 
Lá no arrozal 
É um bom sinal 
Afugenta a mágoa 
**
Gertrudes Dias


16 - COM DESEJOS DE VOAR
Hoje a manhã nasceu risonha
Um sorriso surgiu por dentro de mim
Desejei poder voar
Para observar toda a terra
Como se ela fosse um belo jardim
De repente...
Uma gargalhada divertida
Acordou-me para a vida
Senti que tinha voado
Em sonhos e em pensamento
Por sobre a terra e o mar
Pairava..
Nas salinas do meu sonho
Sobre um recanto encantado
Eu era ave elegante
Com desejos de voar
A Guardadora de Palavras
Fernanda Rocha
Direitos de autor reservados


17 - De capa amarela
Para o sol não te queimar
Vais trabalhando o sal
Pra nossa comida temperar      
Podia eu te acompanhar
Nessa tua profissão 
Mas e se me cansar
Aonde me sento
Se só vejo água
E nenhum chão
    ********
   Sílvia *Santos


18 - QUIS PEGAR UMA MÃO CHEIA!
(2º Poema)
*****
Quis pegar uma mão cheia
De sal de qualquer salina
Para levar prá aldeia
E depois temperar a ceia
Com cuidado e em surdina!
*****
Em casa inda ninguém estava
Comecei a cozinhar
Mas o azar se anunciava
Porque distraído estava
Acabei por a salgar!
*****
O que tive de fazer
Para acalmar a mágoa
E se queria comer
Logo fui arremeter
Para o cano toda a água.
*****
Voltei a pôr na panela
Nova água e condimento
De sal, só uma bagatela
Porque assim seria bela
A açorda de alho e pimento!
*****
E com o sal que sobrou
Pr`a que não ande enfezado
Minha esposa me ensinou
Por isso à porta eu vou
Pô-lo contra o mau-olhado!
*****

“O Poeta Alentejano” - Renato Valadeiro
Todos os Direitos Reservados


19 - Arrozais do Sado
Vejo-me nos arrozais do Sado,
Percorrendo os estreitos caminhos,
A paisagem, só água a meu lado.
Aves voam sobre aquele espelho.
A pique mergulham a cabeça…
No silêncio a água a marulhar,
Muito lenta, nesse seu gemido.
Foto tiro para recordar.
Mary Lai (Cidália Teixeira)


20 - BELEZA SEM PAR
Silêncio
Nesta manhã de calmaria
Perco-me na extensão da paisagem
A brancura que irradia
O sol abraçando a Terra
Num hino à poesia
Fico olhando extasiada
Esta beleza sem fim
E sinto dentro de mim
Uma doçura macia
Que me envolve por dentro 
Como se fosse cetim
Perco-me em devaneios
Desejo poder voar 
Observar lá do alto
Esta beleza sem par
A Guardadora de Palavras
Fernanda Rocha
Direitos de autor reservados


21 - Gosto de passear 
**
Sempre gostei do ar livre 
Quer no campo ou na cidade 
Ao meu jeito e á vontade 
Vou á deriva , sou livre 
Uma vez ideia tive 
O tempo estava chuvoso 
Mas eu com meu ar teimoso 
Para sair me arranjei 
Com capa me aventurei 
Num caminho pantanoso 
**
A capa era amarela 
Para espantar os pardais 
Que a água nos arrozais 
Dá sempre pela canela 
Mas penso que a vida é bela 
Se prestar minha atenção 
Enchi de ar o pulmão 
Volto a casa satisfeito 
Tenho sempre este direito 
Quanto encontro ocasião 
**
Lá em cima um avião 
Apreciando a paisagem 
Consigo leva a imagem 
Se há tempo e ocasião 
Digam lá porque razão 
Não descem daquela altura 
Onde qualquer criatura 
Sente que é intromissão 
Desçam e pisem o chão 
Partilhem a aventura 
**
Gertrudes Dias


22 - UM RIO
Conheço este rio
Aqui passei frio
Era ainda uma criança
As gaivotas voaram
Em Lisboa pararam
Voltarão... tenho esperança
Aqui existe solidão
A quem dou a mão
Nesta casa está
A vida que entristece
E o ânimo desaparece
Amizade ficará
O rio esconde segredos
Amarguras e medos
Na neblina embrenhados
O sol os condenou
A chuva os perdoou
Na mente... estão guardados
O peixe que desliza
A água o caracteriza
Venho aqui... mas com pressa
Saudades do trajecto
Muito real e concreto
Irei escrever uma peça !
Laura Prates 


23 - P’lo trilho
P’lo trilho, na lezíria, a andar,
Na água o sol a se espelhar,
Água se move lentamente,
Paro! Algo brotava luzente,
Planta aquática pra explorar.
Arroz! Disse para brincar…
Mas, alguém me fez, pois corar:
- Para o arrozal está a olhar.
...
P’lo trilho, na lezíria, a andar
Sabedor me quis explicar,
Desde o arar até o alagar,
Do avião se lança a semente,
Quase logo o broto evidente.
Fiquei algum tempo ali a admirar…
...
P’lo trilho, na lezíria, a andar.
Mary Lai (Cidália Teixeira)


24 - ENTRE O SAL E O MAR
Sol em brasa arde lento,
cega a luz, fere o olhar, 
segue o salineiro atento,
ao chamamento do mar.
***
No seu passo vagaroso,
leva o sal, leva a dor, 
num viver tão penoso,
vai perdendo a cor.
***
Saco cheio, peito vazio,
teima ainda em caminhar, 
cada passo é desafio,
cada dia a suportar.
***
Mas no fundo do cansaço
guarda a força de esperar, 
que o destino, passo a passo,
traga dias de mudar.
Celestina Esteves




23-3-2026


1 - TRÊS CRIANÇAS.
.
Três crianças seguem devagar
À beira de água a brincar
O vento passa sem parar
E leva risos pelo ar
.
As rodas giram pelo chão
Num ritmo leve e natural
Cada passo é diversão
Num dia simples e especial
.
O sol já vai a descansar
Pintando o céu de cor quente
E o tempo parece parar
Num instante tão contente
.
Entre o céu, a terra e o mar
A infância corre sem fim
Sem pressa alguma de chegar
Guardando o melhor para si.
.
José Martinho


2 - NOS RECANTOS DA ALMA
Hoje ao acordar
Desejei ir passear
A casa não me apetecia arrumar
Há dias assim... em que não se
sabe bem onde "poisar"
Tomei o pequeno almoço
Depois do banho tomado
Vesti o fato de treino
E parti pra qualquer lado
---não havia destino pensado
Fui andando à aventura
A pé, sem bicicleta
Pelas ruas de Lisboa
Passear é coisa boa
Liberta a imaginação
Limpa-nos os pensamentos
E faz bem ao coração
E lá fui eu passeando...
Ao lado de muita gente
Que passeava o seu cão
Corri ruas e calçadas
Os jardins começando a florir
As árvores com folhas novas
Merecem umas belas trovas
Para alegrar o coração
A alegria voltou
como se fosse canção
Nos recantos da minha alma
Vai nascendo a inspiração
A Guardadora de Palavras
Fernanda Rocha
Direitos de autor reservados


3 - Primavera 
A primavera chegou 
 o céu está azul 
 os campos vestidos de flores dumas e doutras cores. 
O mar 'por um inverno atroz, cavou um rio que se fez foz. 
Uma foz entre colinas 
 calmas margens
 convidativo ao lazer 
 d' algumas viagens. 
Passeios a pé, de bicicleta
 ou trotinetes, relaxamento,
 adiante de poder querer
 alcançar alguma meta.
Agua azul 
 do céu, a dualidade
 tempo do tempo, quando
 nos envolve a saudade. 
Um poema, 
 uma Imagem 
 um tema 
 descrito a partir da imagem.
Florinda Dias


4 - FÉRIAS DE VERÃO
Nas minhas férias de Verão
Sem ter nada pra fazer
Fui passear para o Norte
Sem bilhete ou passaporte
Aluguei uma bicicleta e
Desfrutei da paisagem
Parava aqui e ali
Ia à solta pela vida
Sem bilhete prá viagem
O vento me despenteava
Beijava-me o rosto corado
Passeio por todo o lado
E, quando a fome apertava
Parava a bicicleta à porta
de um restaurante
Pedia a ementa e escolhia
Uma refeição suculenta.
A vida se oferecia
Como bela companhia
A Guardadora de Palavras
Fernanda Rocha
Direitos de autor reservados


5 - UM PASSEIO Á BEIRA MAR
Que maravilha, vejo agora
Esta imagem junto ao mar
Três amigos vão embora
De bicicleta pedalar
A imagem que diz muito
Á minha imaginação
Chamo á razão este assunto
Terá perigo ? Talvez não !
Penso que não estou errada
O mar os aproximou
Encontro á hora marcada
Foi o mar ... que os chamou
A onda que vai e vem
Traz a força na corrente
Suspira pelo seu bem
Que está de momento ausente
Nesta bonita visão
Vejo amor de qualquer jeito
Amigos que dão a mão
Guardam p'lo mar o "Respeito"
Laura Prates 


6 - Puros risos
Primavera no amanhecer,
Puros risos, sonhos atletas,
Crianças pedalam, prazer,
Nas faces as rubras rosetas.
Seguem no trilho devagar,
Pois, não usam um bom capacete,
Podem uma tal queda dar,
E uma feriada os afete.
Sem correrias e tropeços,
Em fila e por ordem sem pressa,
Felicidade tais começos,
Família, assim, unida expressa.
Pai os vigia com tal esmero,
Atrás pros ver a pedalar,
Sua atenção, sem exagero,
Supervisão sem sufocar.
Mary Lai (Cidália Teixeira)


7 - PEDALAR A VIDA
Vejo esse imenso azul do céu sorrindo
O mar que se estende para além do horizonte
No encantamento dos meus olhos, tão perto e tão longe…
Cabe inteiro nos meus dedos, esse azul infindo!
O sol primaveril arrasta seu manto dourado
Sobre os meus ombros e convida à vida
Vou com o vento, nas asas dos sonhos amanhecidos
Semeando a primavera nas alamedas floridas!
A brisa canta em sopros de ares de março
Chega de mansinho na ternura de abraço
Primavera atravessa o mar vestida de maresia e flores
Desperta o sentido numa explosão de cores!
Dou corda aos pés, apetece pedalar
Levando o aroma da vida que caminha sem parar!…
@ Fátima Arede
Todos os Direitos de Autor reservados nos termos da Lei 50/2004 de 24 de Agosto
e 2ª versão (a mais recente) Lei nº 49/2015 de 05/06.


8 - TRÊS JOVENS
São jovens adolescentes
Fazem desporto cientes
Que o sol lhes queima o rosto
Bicicletas a rolar
O mar vão desafiar
Mas vem aí ... o sol posto
São felizes mas porém
Não sabem que o mar contém
Segredos por revelar
O sol a pele bronzeia
Já chegou a maré cheia
São horas de regressar
Gargalhadas de alegria
Mostram a sua energia
Amanhã virão de novo
Têm no mar um amigo
Não têm noção do perigo
Julgam-se heróis, para o Povo !
Laura Prates 


9 - Pai e filhos gozam a manhã
Pedalar p’lo trilho junto ao rio,
Pai e filhos gozam a manhã discreta,
Pai e filho mais velho na bicicleta,
Mais novo em trotineta, o desafio.
Desfilam calmos, momento sadio,
Absorvendo a sã brisa tão secreta,
Com poesia como um tal poeta,
Felicidade neles sem desvio.
Crianças alegres, pai vigilante,
Água em rio serena no azul-mar,
Céu limpo beijado pelo rei-sol.
Manhã no trilho, primavera em cante,
Júbilo, família, são partilhar,
Pedalar, girar como o girassol.
Mary Lai (Cidália Teixeira)


10 - As minhas aventuras
**
Formei um grupo, queria correr á aventura
E dos passeios sempre voltava fascinado
De bicicleta podíamos ir a qualquer lado
Sem peias , escolhendo a melhor altura
**
Por vezes íamos subir a serra
Onde a Natureza se fazia admirar
Uma vez queria lá dormir , ai quem me dera
Mas depois o meu pai me ia ralhar
**
Lá ao longe o mar nos acenava
E arriscámos a seu lado passear
Na areia de bicicleta não íamos entrar
Não era assim que o passeio nos cativava
**
Quem me dera ainda ter a bicicleta
Os passeios onde punha o sonho e a razão
Tudo passa , a vida muda e com ela a ilusão
E a bicicleta jaz em qualquer canto pela certa
**
Ainda lembro essa idade tão querida
A bicicleta e o meu grupo de amigos
Alguns deles hoje são desconhecidos
Porque tudo se modifica nesta vida
**
Gertrudes Dias


11 - O AMANHECER !...
.
Que rico amanhecer
tom azul cor do céu
é mais um dia a crescer
quem amanhece tem
sempre de agradecer
por mais um dia prevalecer.
Lá fora o mar existe
e todos os seres a padecer
a Mãe Natureza se equilibra
mesmo quando o ser Humano
faz a maior das ruindades
e na Guerra a faz sofrer.
Lá fora o céu existe
os rios e os mares também
só a maldade da Humanidade
corrói tudo que é Vivo Ser,
um dia, a Terra morrerá também.
Nosso Planeta um milagre
que um dia se fez acontecer
o pior de todas as maldades
é o ser Humano não se entender.
Mas Deus que ouve e vê tudo
chora copiosamente desesperado
sem ainda poder compreender,
por mais que Ele perdoe todos 
os males e pecados do Mundo,
a Humanidade não quer saber!
.
Funchal, 23 de Março de 2026
Cecília Pestana


12 - Eu era feliz
Dentro da cidade onde eu morava
Crianças na rua é sempre um perigo
Levo a bicicleta , encontro um amigo
Na berma do mar havia calçada
Á água não vamos , está sempre gelada
E o meu vizinho traz a trotinete e segue comigo
**
Á borda do mar se faz a corrida
Em horas felizes que não voltam mais
Na calma dos dias dizia a meus pais
Que cada idade é para ser vivida
E aquela volta que era prometida
Já não era sonho , era muito mais
**
Na calma dos dias real o prazer
Minha bicicleta a melhor amiga
Quando for mais velho talvez não consiga
Desfazer -me dela por tanto lhe querer
Porque hoje só tenho que lhe agradecer
Pela companhia nem sei que lhe diga
**
Gertrudes Dias


13 - Na brincadeira
**
Nos meus tempos de criança
Feliz com meus companheiros
Com amigos verdadeiros
Eu tomava a liderança
Apostando á confiança
Para ver quem mais corria
Só uma roda vazia
É que empatava a corrida
E sendo assim a partida
Ficava para o outro dia
**
Grande lago contornado
De bicicleta era rápido
Na trotineta é mais prático
Meu pai tinha aconselhado
Não arrisquem qualquer lado
Tomem sempre a rota certa
Punha o meu sentido alerta
Eram horas de prazer
Para a brincadeira fazer
Tinha sempre a porta aberta
**
Se alongávamos o caminho
Queríamos ir ver o mar
Na bicicleta a rodar
Estava o nosso destino
Às vezes um passarinho
Assustava a trotineta
Mas a alegria era certa
E a volta era em euforia
A pensar que ao outro dia
Tinha ainda a bicicleta
**
Gertrudes Dias


14 - DÁ VONTADE DE SORRIR 
.
Neste dia primaveril 
O dia convida a sair
E num parque cheio de vida,
Entre águas de fugida 
Dá vontade de sorrir.
.
Vejo bicicletas a rodar 
Num vaivém divertido,
Todos no mesmo sentido;
Juntos no mesmo trilho,
Sempre prontos a andar.
.
Rodas, travões e vento,
Cabelos soltos no ar,
Igualmente a pedalar
Com coragem e alegria,
Num feliz descobrimento.
.
Ali, um pardal curioso
Salta perto do caminho
E alguém aponta baixinho
"Olhem ali!" e num olhar breve 
Surge brilho maravilhoso!
.
Num banco pra descansar 
Há agua, pão, fruta à peça
E estórias a partilhar.
Memórias que sem pressa,
Ficam pra mais tarde contar.
.
Não há urgência nem cansaço,
O tempo parece abrandar
E entre alegria e emoção
Fez-se grande aquele pedaço 
Guardo-o no coração!
.
RAADOMINGOS


15 - LISBOA PEREGRINA
Sentada na varanda a ver passar
As gentes que percorrem a minha rua
Umas depressa, outras devagar
Lá vão para os seus destinos
Sonhando qual menina
Desejei poder sair
Correr à solta na vida
Qual menina atrevida
Sonho poder passear numa bela
bicicleta pelas ruas e jardins
Agora que a Primavera
Nos oferece a beleza da vida a
renascer
Não tenho bicicleta...
Não importa... Vou a pé!!
Caminhar é o meu lema
Todos os dias o faço
Um longo e belo passeio
Ao lado do meu companheiro
Como gentil marinheiro
Navegamos à bolina
---Em sonhos, está bem de ver...
Mas gosto de conhecer
Ruas que estão bem escondidas
Por entre as belas colinas
Nesta Lisboa peregrina
A Guardadora de Palavras
Fernanda Rocha
Direitos de autor reservados


16 - A terra ainda gira sobre o seu eixo 
à volta do Sol 
no garante de mais um dia nascer 
com horas e minutos que só o tempo pode tecer. 
Ainda corre na rua a esperança sobre rodas
e a inocência 
perde-se pelos jardins
entre cores e perfumes de frescas rosas
Os passarinhos
ainda fazem ninho debaixo da minha janela
imagem enternecedora que me faz lembrar 
quanto a vida pode ser bela. 
Os rios ainda correm livres ao encontro do mar
com a mesma urgência
dos puros sorrisos de quem sonha à noite ter no céu 
as mais belas noites de luar. 
O homem resiste e quer ainda acreditar no depor das armas 
numa primavera à acontecer 
saída do nevoeiro imenso e hostil de um mundo 
onde ninguém quer viver! 
.......... 
maria g.


17 - "É segunda feira"
Hoje o sol está a transbordar
Com esse brilho que me apraz
Nesta semana que está a começar
Em vez de estar a trabalhar
Mais me seduzia deixar o trabalho
Para trás.
Sabia bem ir andar de bicicleta
Ou quiçá de trotinete
Desde que fosse assim divertido
Ir passear faz todo o sentido
À beira rio desfrutar de ar fresco
Logo pela manhã
Antes do calor chegar
Tomar um café e ficar de mente sã
Faz bem à mente para se regenerar.
Na chegada da primavera
Há grandeza no florescimento
As flores em sua longa espera
Regressam num lindo embelezamento.
Cheira a flores, se ganha vitalidade
E a café aromático numa esplanada
Com sorrisos juntos de verdade
Enfrentamos esta nossa caminhada.
Lurdes Bernardo


18 - Criança que fui um dia
Aprendi a pedalar
Pedalei que me fartei
Até que num dia de azar
Esqueci e não travei
Numa ravina fui parar
Logo eu me levantei
Mas os joelhos esfolei
Corri pra casa a chorar
E grande foi o meu pranto
Que a arrumei a um canto
Um ano estive
Sem na bicicleta pegar
Agora que adulta sou
Por vezes ainda vou
Pra bom sítio pedalar
********
Sílvia *Santos


19 - Chegou a primavera!!
Com ela, a renovação da natureza
As aves andam eufóricas
O canto das rolas… uma constante
Tudo se movimenta com harmonia
O campo veste-se com pequenas flores
Tapetando os espaços com lindas cores
Tudo inspira… vida e poesia!
Convidando a um belo passeio de bicicleta
A temperatura é amena, o mar atraente
O sol aquece
O olhar enternece
Para interiorizar… a beleza patente!
No seu esplendoroso brilhar
É uma bênção, que o coração agradece
E todo o ser merece
Sentir a primavera… a desfilar!
.
São Pereira


20 - INFÃNCIA EM MOVIMENTO
É sob o céu de azul profundo,
que o silêncio sabe a paz,
por ali corre um rio, sereno e fundo,
como o tempo que não volta atrás.
Na margem, risos em movimento,
há rodas que giram sem direção,
transportam crianças livres no vento,
pedalando seus sonhos no chão.
A passadeira é ponte e caminho,
para brincarem e os ver crescer,
cada volta vai traçando um destino,
cada queda ensina-os a viver.
E o mundo ali, é simples e verdadeiro
cabe um instante sem fim...
sob o céu, o rio, e o trilho ligeiro
a doce infância a sorrir assim.
Celestina Esteves


21 - PASSEIO À BEIRA-MAR!
(1º Poema)
*****
Num passeio à beira mar
Eu fui-te um dia encontrar
A andar de bicicleta.
Pedalavas bem à pressa
Para cumprires a promessa
De seres a primeira a chegar à meta!
*****
Sendo agradável, a brisa
Desabotoei a camisa
Para me sentir mais fresco.
Ri-me de ti, porque queria
Ser eu naquele dia
A dar o passo gigantesco!
*****
Mas no meio, uma criança
Com o seu ar de pujança
Corria assim mais veloz.
E eis que na realidade
Viu-se toda a felicidade
Com que nos ganhou a nós!
*****
Nunca se pode pensar
Em alguém querermos julgar
Ser mais fraco ou vigoroso.
Pois quando assim for
Perde-se todo o valor
Por se ser malicioso!
*****
Cada qual é como é
De bicicleta ou a pé
Importa é sempre o recreio.
Isso faz bem à saúde
Na velhice ou juventude
Exercícios sem receio!
*****
“O Poeta Alentejano” - Renato Valadeiro
Todos os Direitos Reservados


22 - RESPIRAR!
(3º Poema)
*****
Respirar o ar puro
É bom e não me ilude
Mesmo sujeito a um furo
Bicicleta é o futuro
Porque faz bem à saúde!
*****
Pedalar com muita genica
Dá vigor, traz alegria
E o exercício explica
Deixar a mente mais rica
Fugindo à melancolia!
*****
E na rua onde habito
Já não vejo nada disso
Apesar de ser bonito
No tempo desacredito
Sendo dele um submisso!
*****
De vez em quando uma corrida
Em jeito de desafio
Para apaziguar da vida
A aflição desmedida
De um país tão doentio!
*****
Assim para tal esquecer
Lá vou eu de bicicleta
Passear só por prazer
Para no fim escrever
O que dita a alma …do poeta!
*****
“O Poeta Alentejano” - Renato Valadeiro
Todos os Direitos Reservados


23 - Caminhada
Fui até à marginal,
Caudal do rio sereno,
Caminhada algo usual.
Gosto de ver movimento.
Pai e filhos a pedalar,
Solto risos encantados,
Que bom! Vida partilhar!
Esqueço as dores vividas…
Mary Lai (Cidália Teixeira)


24 - EM FAMÍLIA!
(2º Poema)
*****
Em família é sempre bom ir passear
Vai a mãe, o menino e a menina
Na sua bicicleta pequenina
Sentindo a brisa vinda do mar.
*****
O Pai, ficou em casa a descansar?
Não sei, mas não o vejo aqui
Quem sabe arranjou um álibi
E disse que o almoço ficava a preparar!
*****
Não importa sequer como terá sido
Interessa sim, o tempo decorrido
Desde a saída de casa à chegada.
*****
Depois as bikes irão para a garagem
Ficando na lembrança aquela aragem
Das ondas que molhavam… a criançada!
*****
“O Poeta Alentejano” - Renato Valadeiro
Todos os Direitos Reservados


16-3-2026


23

1 - "O camelo"
Move-se lentamente em passo lento
Suas patas estão adaptadas
Ao intenso areal quente do deserto
É de porte gigante algo pachorrento
No transporte de seus habitantes
Que vão chegando mais perto.
É um dromedário de olhar profundo
Turbilhão de desejos em sabedoria
Carrega fardos de anos pelo mundo
Em perseverança, resistência e harmonia.
Tem uma ou duas bossas e pelagem espessa
É muito elegante, engraçado e espertalhão
Aguenta sem água e comida por uma série de dias
Suas corcovas armazenam gorduras próprias.
Guarda segredos de um tempo longínquo
E é no deserto o mais corajoso
Tem força resistência ele é um símbolo
O camelo é um animal deveras interessante e valioso.
Lurdes Bernardo


2 - No deserto
Esta noite sonhei estar no deserto,
Cavalgava no dorso de um camelo,
Vento areias, me tocavam de perto.
O turbante me tapava o alvo rosto.
Miragem via, tua essência amável,
Logo me fugiu sem qualquer desvelo,
Camelo seguia suave e afável.
Despertei e não via a minha tiara.
Mary Lai (Cidália Teixeira)


3 - Fui ao zoo
Fui ao zoo ver os animais!
Parei no lugar do, areias, camelo,
Pelo pardo parece caramelo,
Pescoço comprido e boças reais.
Anos atrás camelo virou canção,
A pequenada com ela delirava,
Quem nunca o tinha visto, demais sonhava,
Mas puderam vê-lo p’la televisão.
Levei-lhe uma, demais carnuda, maçã.
A trincou e a devorou num ágil instante,
Olhou para mim, bastante confiante,
Outra queria, mas terá p’la manhã.
O camelo animal bem domesticado.
Pelo deserto é um firme transporte,
Caminha não sabendo qual sua sorte.
A um oásis quer chegar, está cansado.
Mary Lai (Cidália Teixeira)


4 - Os camelos que o não são
**
Eu já vi tantos camelos
Alguns só com duas patas
Não comem árvores das matas
Falam pelos cotovelos
Se mostram alguns desvelos
Na traição são matriarcas
**
Sugam a pele e os ossos
Sem viverem no deserto
De mim não os quero por perto
Em esquemas são asquerosos
Para camelo são vistosos
Mas falsos são pelo certo
**
Sempre de boa aparência
Sem curvaturas á vista
Deitam garras á conquista
Por falta de consciência
É trabalho com ciência
Que fazem como um artista
**
Amigos do bem alheio
Representam o perigo
Camelo da selva é amigo
Este de planos está cheio
Quem se fia em seu paleio
Fica roto e sem abrigo
Gertrudes Dias


5 - POESIA ALDRABADA
Eu já vi este camelo
Julgo estar a conhecê-lo
Talvez um familiar
Ao longe são parecidos
Os sinais comprometidos
Talvez deva perguntar
Conheci-o no deserto
Estive dele muito perto
Com a sua geração
Terras distantes porém
Não sabendo explicar bem
Cheguei a esta ... conclusão
Nasceu para carregar
Não estou a fantasiar
O lombo não me seduz
Por onde hei-de começar ?
Pachorrento no andar
Nele não encontro luz
Mas se Deus quis que nascesse
Nas circunstâncias vivesse
O resto é tudo invenção
Não é bonita criatura
Faz uma triste figura
Tenho perfeita noção !
Laura Prates


6 - FUI AO BADOKA PARQUE!
(3º Poema)
*****
Fui ao parque do Badoka
Ouvi dizer que é belo
Pedi um saco de pipoca
Mas fiquei fulo da “moca”
Fui roubado pl`o camelo!
*****
Esperava por mim na entrada
Para me cumprimentar
Mas eu não lhe achei piada
Com a maneira indelicada
Que teve de me humilhar!
*****
Fiquei mesmo chateado
Porque eu sou muito guloso
E ao ter sido “apunhalado”
Vi-o com ar engraçado
Por estar comigo no gozo!
*****
Fui falar com o gerente
Daquele parque bonito
Que seria mais que evidente
Que o camelo dali prá frente
Não arranjasse conflito!
*****
Foi numa cerca encerrado
Que agora qualquer casal
Sem que o veja acorrentado
Assim livre e idolatrado
A ninguém já fará mal.
*****

“O Poeta Alentejano” - Renato Valadeiro
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7 - TANTO CAMELO!
(1º Poema)
*****
Eu já vi tanto camelo
Mesmo sem ser no deserto
Que nos passam a mão pl`o pêlo
Mas que são um pesadelo
Logo que de mim estão perto!
*****
Diferente dos dromedários
Vão-se armando em acrobatas
Pois nos seus receituários
Com seu estilo de otários
Nem precisam…de quatro patas!
*****
Só com duas, sabem bem
Como urdir as suas manhas
Mas só porque lhes convém
Instruem sempre alguém
Pr´a nos tramar com façanhas!
*****
Esses sim são mais astutos
Que os do deserto do Sahara
Nós damos os contributos
E eles é que colhem os frutos
De uma vida parca e cara!
******
Tais camelos analisam
Como nos deixar na fossa
Nos seus salários não deslizam
E da gente ainda precisam
Tirando-nos dinheiro … da “bossa”!
*****

“O Poeta Alentejano” - Renato Valadeiro
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8 - NUMA NOITE SEM SONO
Numa noite de Verão
Quando o sono não chegava
Perdeu-me no céu estrelado
Olhou as nuvens rosadas
E começou a sonhar
Fantasiou aventuras
Entre deuses e demónios
Que entre si se gladiavam
Numa luta infernal
Por sobre as ondas do mar
Viu animais estranhos
Correndo à desfilada
Do céu desceram estrelas
Vestindo a terra de luz
As árvores floresceram
Seus ramos ganharam vida
Os animais se soltaram
Percorrendo a terra inteira
Naqueles dias risonhos
A Guardadora de Palavras
Fernanda Rocha
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9 - A Majestade do camelo
**
Rei na selva é sensação
Por sua grande opulência
Sempre na sua aparência
Suscita admiração
O seu peso é a razão
Do seu lento caminhar
Patas largas que ao pisar
Dão firmeza á robustez
As corcovas são talvez
O que se faz mais notar
**
Todo ele é fortaleza
Lábios grossos e ao comer
Se pode satisfazer
De plantas com dureza
É assim por natureza
Habitante do deserto
Não gosto dele por perto
Tenho sempre a sensação
Sem saber porque razão
Apetite lhe desperto
**
Gertrudes Dias


10 - Afasto as imagens reais do pensamento
que me ensombram e entristecem
e na urgência desse afastamento
fico atenta ao que me possa raptar a atenção. 
Nessa necessidade 
a novidade ou, originalidade 
cola-se ao meu olhar e leva-me a descobrir
os caminhos da via láctea do sonho. 
Nessa incandescência o coração interpreta 
as cores e a magia da imagem, à luz da poesia 
como se o verso vestisse a fantasia 
e rasgasse toda a intenção do guião. 
Então, surge qual sugestiva imagem 
da mais bela história de Xerasade 
fantasia, ilusão, dessa lendária rainha Persa 
autora das mil e uma noites que, lhe foram salvação!
..........
maria g.


11 - Na canção, és o areias
No jardim te posso ver
Pla rua
Por mim, alguns passam
Fazendo muitas asneiras
No dorso
Tens duas bossas
Devagar é o teu andar
Não vou dizer
Que és charmoso
Montar em ti
Nem pensar
********
Sílvia *Santos


12 - O CAMELO
Um camelo á minha frente
Visualmente não gosto
Tento ficar indiferente
Meu coração é o oposto
África... é reino animal
Passa lá bem os seus dias
No deserto passa mal
Quando as bolsas estão vazias
Caminhar lento e pesado
Preguiçoso a toda a prova
Sonha que está no passado
A dançar a Bossa-Nova
Também se modernizou
Gosto de os ver no Zoológico
Tocar o sino inventou
Acha que é ... pedagógico !
Laura Prates.


13 - NESTE CERCADO DE PEDRA
.
Com duas bossas no lombo
Caminha o bicho com calma
Sem medo de nenhum tombo
Pois traz o deserto na alma
.
O seu pelo é grosso e pardo
Neste cercado de pedra
Não teme o espinho ou o cardo
Enquanto a vontade medra
.
Olha em frente, sossegado
Neste dia de luz clara
Mesmo longe do seu prado
A jornada nunca para
.
Entre as árvores do monte
Vê-se o bicho a passear
Com o sol no horizonte
E um destino por traçar.
.
José Martinho.


14 - JÁ ESTOU COMO O CAMELO!
(2º Poema)
*****
Como o camelo, estou
Numa mazela profunda
O meu tempo, esse passou
Pois o que fui já não sou
Parecendo hoje um corcunda!
*****
Estando assim nesse estado
Nada é de todo, estranho
Quer a dormir ou acordado
Já não dou ar de engraçado
Pois só deito baba e ranho!
*****
E mesmo indo ao chuveiro
Ou pôr-me ao sol na varanda
Sem resultado é certeiro
Que sendo forte o meu cheiro
Por toda a parte tresanda!
*****
Por me encontrar deste jeito
Nesta “avareza” sem fim
Sei bem que estou sujeito
A que ninguém por preceito
Se chegue perto de mim!
*****
De “cabelo” por aparar
Fico assim todo eriçado
Só me basta acorrentar
Sozinho em algum lugar
Sem estar desanimado!
*****

“O Poeta Alentejano” - Renato Valadeiro
Todos os Direitos Reservados


15 - Cáfila
Camelo em zoológico a se exibir,
Pachorrento, duas boças, a me olhar
Me fez lembrar sua cáfila a pastar,
No deserto, no oásis a se nutrir
Cáfila é o sustento do seu emir,
Carne, leite, trabalha sempre ajudar,
Domesticado p’lo humano, milenar,
Selvagens, já não são, tenho que admitir.
Nas suas boças armazena gordura,
Que isola o seu corpo do enorme calor,
Também sua pelagem esparsa suave.
Camelo se adapta à forte secura,
Plantas ricas em sais, sucosas, vigor
Seu segredo, em resistir, a sua chave.
Mary Lai (Cidália Teixeira)


16 - FÉRIAS... APENAS A SONHAR
No remanso do jardim
Sem nada para pensar
Sonho com outras paragens
Por onde queria viajar
Neste sonho que me abraça
Parto pra longe de mim
Vou viajando por África
E pelos desertos sem fim
Vejo animais correndo
Camelos e saguins
Vejo cascatas correndo
Belezas e maravilhas
Neste sonho arlequim
Sonhei andar de camelo
No deserto de Marrocos
A noite me abraçava
Com uma terna doçura
A areia me chamava
Para uma nova aventura
Acordo assim deste sonho
Numa viagem interior
Nas margens desta aventura
A vida tem mais sabor
A Guardadora de Palavras
Fernanda Rocha
Direitos de autor reservados


17 - DA ÍNDIA AO DESERTO
Nasci em terras distantes
No bolso fiz a viagem
Sonho com animais bravios
Sou menina alegre e esperta
Tempero-me de alegria
Na Índia ou no Deserto
Mas não tenho passaporte
Viajo em sonhos e à boleia
Sou audaz e azougada
Viajo de sul a norte
Vou ao deserto de areia
No deserto encontrei
Camelos de várias cores
Na Índia me apaixonei
Sonhando... eu viajei
Na ilha dos meus amores
A Guardadora de Palavras
Fernanda Rocha
Direitos de autor reservados


18 - "G'ANDA" CONFUSÃO 
Plas areias do deserto na minha viagem
Avisto, camelos cortando o horizonte;
Vultos vagarosos em forma de monte,
Que a distância desenha na árida paisagem.
A sede do corpo e da mente em romagem,
Crê ver junto, água jorrando de uma fonte;
Mas quanto mais avanço pra obra defronte, 
Mais a verdade se desvanece na miragem!
Então, percebo na árdua e difícil passagem 
Que o deserto, nada oferece, nunca esconde;
Somos nós que levantamos na alma a ponte,
Fruto do desejo, da visão e falsa imagem.
E assim o pensamento na sua engrenagem,
Lubrifica o engano que ele próprio compõe:
Produz o oásis, a meta e a personagem.
Mas quando o real diante do olhar se impõe,
Só resta perceber na difícil aprendizagem
Qu'a ilusão, nasce da ideia qu'a mente supõe!
RAADOMINGOS 


19 - Aventura
O vento, soprava no deserto,
nada se conseguia enxergar,
um turista um camelo montava
era rápido no passo a caminhar.
Dono de uma extrema resistência
num Safari no deserto sem igual
na viagem o passageiro, caiu
ficando de pernas para o ar.
Mas este, não se fez rogado
no dromedário, foi-se sentar,
em direção à tenda, que o esperava,
para ver as estrelas ao luar.
Numa tenda à indiana,
nem um morto vivo a recusa
um chá beduíno numa taça
n’uma mão d’uma bailarina Andaluza.
Acordou, com o nascer do sol
experiência de um ser vivo atrevido
ergueu-se d’um colchão de areia
as costas d’um corpo tão dorido.
Sua calma foi a paisagem,
viu dunas a perder de vista,
num vestuário a condizer
fez d’aventura um sonho e conquista.
16 Março 2026
Graciete Lima


20 - A fortaleza do camelo
**
Sempre vagaroso tem um ar pesado
Desperta temor pela sua estrutura
Se veio pró Zoológico ele é reservado
Sua simpatia é de pouca dura
**
Impõe o respeito e o afastamento
Suas curvaturas dão para montar
Quando no deserto em qualquer momento
Por lugares de areia se vai viajar
**
Pela robustez e os lábios grossos
Vai comer plantas , a carne e os ossos
Mas sempre será lento a caminhar
**
Já foi rei na selva , hoje é atração
Da sua aparência , firme e pesadão
Quem vai ao Zoológico quer com ele gozar
Gertrudes Dias


21 - MESTRE DA SOBREVIVÊNCIA
Caminha na densa areia quente do deserto
No pico do sol abrasador em passos leves e destemidos
Sobre suas corcovas eleva-se o peso do mundo,
A resiliência, o calor do sol e nuvens de areia e vento
Dizem que move-se como um navio nas ondas de areia
Move-se lentamente numa caravana nómada
Mil e uma noites de dias de sol e noites de lua cheia
Levando nos olhos, oásis de sonhos onde o silêncio anda…
A árida imensidão que a ilusão alcança
O sol abrasa enquanto o tempo e o vento avançam
Moldando seu dorso numa escultura triangular
Narinas de vapor d’água, fogo e ar
Em terras da Arábia, deslumbrada de mistérios,
Estórias que se erguem entre o vento, o sal e as dunas
Arrastam o tempo, poeiras e deuses da fortuna,
O camelo, mestre da sobrevivência entre os prodígios!
@Fátima Arede
Todos os Direitos de Autor reservados nos termos da Lei 50/2004 de 24 de Agosto
e 2ª versão (a mais recente) Lei nº 49/2015 de 05/06.


22 - Na medida Certa
...
...ou errada! 
Às vezes até me apetece ser camelo 
E... é assim que descrevo a imagem... ao vê-lo! 
Tadinho do animal 
...É feio?
Não faz mal. 
Que importa a belezura 
Diante deste olhar de ternura.
O olhar diz tanto da sua postura.
É torto e cherigonzo
As pernas... são quatro 
São altas e tortas 
O lombo é diferente 
O pescoço é pomposo 
O espaço onde circula 
...é verde e livre 
E ele "o camelo" passa!!!
...passa 
Diante de tudo e de todos! 
...indiferente.
"Deixa falar quem fala sobre Ele e a sua postura. 
Quem dera alguns animais racionais!
Terem a sua agilidade, assim na sua conformidade.
Florinda Dias


23 - Não direi… que és bonito
Mas, de porte interessante
Pelo que de ti assisto…
Perto, não me sinto confiante!
.
A força e sede, são mais valia
Para atravessar o deserto
Podes superar muito dia
Sem que haja, água por perto!
.
Também és muito teimoso
Por vezes, muito desajeitado
O que tens de valioso
São as bossas, de que és dotado!
.
Guardam água, ajudam a carregar
Carregador é a tua missão
Fazes parte duma riqueza milenar
Propriedade, de muito rico cidadão!
.
És usado em muita troca
Até para adquirir companheira
Na tua valia se foca
A sobrevivência, duma família inteira!
.
São Pereira


9-3-2026


23
1 - LUZES DA ALMA
Ouço a harmonia das vozes antigas
Os sonhos bonitos desenhados em matizes de cores
O tempo passa por mim, meu coração se empolga
Os dias felizes, o tempo dos amores…
Já fui a doçura das águas de um rio
Atravessando vales e montes, ansiava encontrar o mar
Já fui vento, asa, viagem, navio,
Um pássaro migrante com o sol no olhar
Sou mulher, criatura de muitas vidas
Nas estradas de luzes e aventuras
Cavalgando as nuvens em horizontes de venturas
Pintando o tempo de palavras coloridas
Meus lábios de rosas perfumam a primavera
De estórias, sonhos, risos e quimeras
Eu sou a sombra mágica que se estende
No silêncio eterno das luzes da alma em ecos distantes…
@Fátima Arede
Todos os Direitos de Autor reservados nos termos da Lei 50/2004 de 24 de Agosto
e 2ª versão (a mais recente) Lei nº 49/2015 de 05/06.

2 - "Linhas cruzadas"
São linhas de luz e cores
Que não entendo o seu fim
Até podem ser flores
Deste meu belo jardim
Que alegram os meus amores.
Que linhas tão coloridas
Num chão de vidro polido
Imaginárias perdidas
Brilhante e de cor garrido
Destas novas criaturas
Pra quem tudo faz sentido.
Está muito bem feito isto
Cores de rosa e laranja
Algo que nunca tinha visto
Para quem o fez foi canja
Este chão ficou bonito
Com as cores de uma franja.
Lurdes Bernardo


3 - Lindo
**
Brilham as luzes no Céu
E o meu peito está carente
Desta luz resplandecente
Que se adensa como um véu
No astro , de léu a léu
Com riscas de cor e luz
Esta imagem me conduz
E isto sinto no peito
Embeleza o seu efeito
E á fantasia introduz
**
Neste Céu que é tão perfeito
Olho a luz incandescendente
Se olho nela de repente
Admiro o seu efeito
E penso muito a meu jeito
Que o brilho intensificado
É visto de todo o lado
Causando admiração
Petrificada no chão
A luz me passou ao lado
**
Gertrudes Dias


4 - Raios invisíveis
Raios invisíveis em fluorescência,
Vinda da luz dos candeeiros tão real,
Criando uma dinâmica ambiental
Que surpreende demais a minha essência.
Conforme, o objecto, sua proveniência,
Voam em todas direções, surreal!
Cor em onda multidimensional,
Luz refletida se transforma a evidência.
Gosto, assim, de observar pela noite a luz,
Que abraça a minha rua em baça neblina,
Entendo um tal zunido ténue em corrida.
Vejo, nela, fantasmas na contraluz,
Minha ilusão treme como gelatina,
Fascinada sinto-me nela envolvida.
Mary Lai (Cidália Teixeira)


5 - Admirável
**
Olhei aquele Céu , de onde o brilho jorrava
Uma luz que eu achei logo diferente
De fenómenos estou sempre consciente
Lá em cima meus sentidos se encantavam
Aqueles trilhos de luz me encandeavam
Estando daquela luz sempre pendente
**
Penso que nada mais me vai surpreender
Depois deste espectáculo tão intenso
A minha curiosidade sempre venço
E procuro no Céu compreensão
Para acreditar , ou será minha ilusão ?
Com esta dúvida não sei se me convenço
**
E na alegria ao pôr minha alma ao léu
Brilha um sonho que talvez vá florir
De agarrar aquela luz logo a seguir
E cobrir o meu peito nesse véu
Sem que o mundo vá fazer um escarcéu
E eu voltarei á vida para sorrir
**
Gertrudes Dias


6 - SONHOS E CORES
Brilha em nós a alegria
Nas cores bonitas da esperança
Brilha um sonho a florir
Nos olhos de uma criança
Nas cores belas do amor
Há uma luz a brilhar
As sombras que vão nascendo
Vivem em nós sem parar
Sonhos e cores pendurados
No meu peito a acordar
São um prenúncio de vida
Onde me quero entregar
A Guardadora de Palavras
Fernanda Rocha
Direitos de autor reservados


7 - NAS ONDAS DO TEU OLHAR
Nasceu o sol em meus braços
Caiu do céu o luar
Veio a chuva de mansinho
Abrir rios de ternura
Nas ondas do teu olhar
Fez-se sol na escuridão
Por caminhos de além-mar
Soltou seus raios ao vento
Fez da luz seu alimento
Ensinou-me a marear
Cruzei mares de luz e cor
Nas ondas do teu olhar
A Guardadora de Palavras
Fernanda Rocha
Direitos de autor reservados


8 - Sim à Paz e não à Guerra
Há luzes no Universo
Aonde não sei dizer
Vertigens será de um louco
Maquiavélico só pode ser.
Longe iluminam os céus
Terra outrora um jardim
Denominada Babilónia
Assim eu aprendi.
Peço a Deus a nossa proteção
Poupados desta agressão
Inocentes ou culpados
Deus lhes dará o perdão.
A guerra instalada está
Não é nem deve ser brincadeira
É tempo de espalhar amor
E não Cúmplice da guerra.
Sim à Paz e não à Guerra.
9 Março 2026
Graciete Lima


9 - RABISCO NO AR!
(3º Poema)
*****
Eu fiz um rabisco
Mostrei-o no ar
Mas veio o fisco
E aquele marisco
Não pude almoçar!
*****
O dinheiro que tinha
Levou-o o erário
Que nem pr`a uma sardinha
Há uma moedinha
Para tal cenário!
*****
O que vale ainda
É que o gatafunho
Estando na berlinda
Dele há quem prescinda
Por ter forte punho!
*****
No ar, tal esboço
Até fica giro
Compensa o esforço
Da falta do almoço
Que logo suspiro!
*****
Cores similares
Haja ou não comida
Que ao fotografares
Levam-me a lugares
Onde há… nova vida!

*****

“O Poeta Alentejano” - Renato Valadeiro
Todos os Direitos Reservados


10 - DÁ-ME LUZ!
(1º Poema)
*****
Pr`a que possa seguir
Senhor Dai-me luz
Preciso sorrir
E até sentir
Força em Jesus!
*****
A luz é essência
Prá mente brilhar
Sem que haja violência
E pura consciência
De não nos abandonar!
*****
Se for colorida
Torna-se mais intensa
E a minha vida
Que é uma corrida
Quer uma recompensa!
*****
Os raios luminosos
Ao longo de céu
Afastam os invejosos
E nós cautelosos
Erguemos “troféu”!
*****
Luz é mais que tudo
Para se viver
E eu sou um sortudo
Por seres o meu escudo
Pr´a me proteger!
*****

“O Poeta Alentejano” - Renato Valadeiro
Todos os Direitos Reservados


11 - FIOS DE BRILHO
.
A noite escura ganha cor
Com riscos de luz a brilhar
Parece um desenho de amor
Feito para nos encantar
.
Vão fios vermelhos e amarelos
Correndo num doce vaivém
São traços muito singelos
Que brilham como ninguém
.
Tudo se move num instante
Nesta dança que não quer parar
É como um sol radiante
Que veio o mundo iluminar.
.
José Martinho


12 - TRAÇOS DE LUZ NO CÉU
.
Conseguisse lá pousar
"Ó esfera de tantos cantos"
Seguir no céu o traço de luz,
Bordado em frios mantos,
E o teu segredo desvendar...
.
Mas não há maneira!
Nem com escada de madeira,
Nem no fumo da fogueira
Te consigo alcançar.
.
Já se nasce tendo como certo 
Mistérios que nos fascinam;
As estrelas, cometas...
E do distante Norte
As auroras que te iluminam...
.
Tens aquele enigma pitoresco
De cortinas a ondular
E eu que do universo "nada pesco"
Fico apenas a olhar,
Em vão tentando te decifrar 
.
Dizem que são ventos do Sol
Que vêm a noite pintar
Rios verdes e lilases 
No alto mar, capazes,
De o pôr a cintilar
.
Mas eu só sei que a Terra te atrai,
E em troca lhes dás as marés;
Ela sorri satisfeita
E manda o oceano valente
Vir banhar os pés.
.
Mas quando nos surgem 
Essas luzes a serpentear,
É como se o próprio universo
Quisesse sussurrar
Segredos ainda nele imerso.
.
Por certo ainda por descobrir,
Virão anos e séculos a seguir,
Entre o despertar e o repousar,
Até se decifrar
O seu oculto sentir.
.
Talvez seja por isso
Que ainda não consiga subir,
Mas continuo a tentar,
A insistir, passo a passo,
Como o faço? A dormir!
.
RAADOMINGOS 


13 - IMAGINAÇÃO
Esta imagem traduz
Abençoada luz
Nos céus ... ou no espaço
Faz-me imaginar
E muito sonhar
Com o teu abraço
******
Cada cor ... vejo nela
Uma pintura singela
Exposta pelo artista
Imagino além das cores
Um campo cheio de flores
Mas volto, a perder de vista
******
O fundo escuro ... pode ser
Trovões ao entardecer
Relâmpagos rasgam os Céus
São riscos de muitas cores
Chega até mim , os odores
É por Vontade de Deus !
Laura Prates.


14 - A luz que brilha
**
Nem que a noite fosse escura
Nem que a lua não brilhasse
Nem que algo se ocultasse
Sempre eu admiraria
Tanta luz resplandecia
Se o Céu não me o negasse
**
Nem que eu não admirasse
Nem que a luz fosse magia
Nem em delírio eu diria
Que aquela luz radiante
Seria eterna e constante
Efeito da luz do dia
**
Nem que eu já fosse perita
Nem que o sentido falhasse
Nem que eu nunca reparasse
Nestes trilhos que dão luz
Cena noturna me induz
A apreciar com classe
**
Gertrudes Dias


15 - NAS LAGOAS DOS TEUS OLHOS
Nas lagoas dis teus olhos
Veio o dia adormecer
Trouxe consigo as estrelas
E mil rios de prazer
Teus olhos doces luzeiros
Foram faróis no meu mar 
Acendendo a luz da esperança
Na beleza de brilhar
Acordaram as estrelas 
Nesse brilhar de mil cores
Teus olhos doces lagoas
Ensinaram-me a sonhar
Doces luzeiros, teus olhos
São do meu mar marinheiros
A Guardadora de Palavras
Fernanda Rocha
Direitos de autor reservados


16 - Sinais nos céus 
enigmáticos
rasgam a noite 
de quentes cores
em mistérios 
de certo, invulgares
que mais parecem 
tempestades magnéticas
que se afirmam 
belos espetáculos
nas noites abafadas
de verão. 
Brilham olhos 
extasiados 
seguindo a geometria 
e variantes de luz
riscando nuances 
e formas. 
Momentos 
de uma certa
compensação
aos difíceis tempos 
de tantos tormentos
realidade 
que é dor e cruz.
.......... 
maria g.


17 - PARA DISTRAIR
Em poesia é assim
Sinto a mente a divagar
É alegria sem fim
Quando posso rimar
******
Se decifrar não consigo
Imagem que foi proposta
Faço dela um artigo
E não arrisco resposta
******
A imagem fixei
Fez-se luz na minha mente
O que transmitiu bem sei
Sou corpo e alma presente
******
O fascínio de cores vivas
Despertam em mim sinais
Mesmo não sendo expressivas
Voam como vendavais
******
O poder da natureza
É qualquer "coisa" de belo
Ao olhar tenho a certeza
Que gosto do amarelo
******
São frases imaginárias
Ditadas pela emoção
Não sei ... se são secundárias
Mostram minha opinião
******
Laura Prates. 


18 - RAIOS DE LUZ!
(2º Poema)
*****
Serão raios de luz
Que a imagem traduz?
Mas fico a pensar:
- Talvez sim ou não
Ou uma técnica então
De se fotografar!
*****
A máquina dispara
Torna a luz mais clara
Continuo confuso.
E o flash amedronta
Vezes sem conta
Como que um intruso!
*****
Será efeito led
Que logo me impede
De o confirmar.
Se tal raio de luz
Afinal seduz
Quando se adensar!
*****
São feitos desenhos
Com esses engenhos
Da tecnologia.
É a modernice
De alguém que me disse
Ser uma ousadia!
*****
Branco e avermelhado
E em tons de laranja
Amarelo torrado
Ainda que engraçado
Ficam os nervos em franja!
*****

“O Poeta Alentejano” - Renato Valadeiro
Todos os Direitos Reservados


19 - Nascer do sol
Nascer do sol que me inebria
Nas árvores raios de luz
Vibram na alma com alegria
Nascer do sol que me inebria.
Trespassam monte em harmonia
Lusco-fusco a cor me seduz
Minha alma a luz amor traduz
Reflete no meu ser magia.
Nascer do sol que me inebria
Nas árvores raios de luz
...
Mary Lai (Cidália Teixeira)


20 - Luz
Seduz-me a iluminação de Natal!
Pulsa o peito em zunido,
Luz, em correrias, algo aturdida
Feixes de luz vital,
Se propagam rápidos pelo escuro,
Sensação perceptível,
Ilusão, sã magia, ilustre efeito,
Onda abstrata visível,
Como ondas sónicas pelo céu obscuro,
Meu espírito vibra assaz imperfeito.
Mary Lai (Cidália Teixeira)


21 - Peregrinante 
Insano parto em destino o lar ficando para trás embrenho-me na escuridão  almejando novo mundo, encruzilhadas por destino na graça semeando coragem
Na escuridão avanço temeroso ando pé ante pé a terra não a sinto, leva-me a minha alma ecoando a esperança de boa
aventurança ao sitio de luz esplendorosa
Na berma da estrada, caídos, perdidos outros voltando para trás, alucinados
de olhos vendados não ousando a visão,
temeroso resiliente rumo ao abismo.
Por fé e desígnio atravesso casas de
orgulho, outras de prazeres e paixões,
cantos de sereias e outras tentações,  provações senti e vi ali, não saí do lar.
Todos os direitos reservados 
António Alves.


22 - DELÍRIO duriense
Faíscam meus olhos de loucura 
Quando te olho, ó Douro feiticeiro
Nas noites em que me deleito
Com teu doce sangue, de mosto feito…
Teus socalcos vislumbro iluminados
Riscando a noite, 
Ébria de doçura,
Enquanto eu, embarco em rabelos de luz 
Sulcando teu leito noite adentro,
Perseguindo no infinito obscuro
Aos meus olhos sedentos de magia,
A minha luz.
Esse teu rio, negro e viscoso, escorre a doce linfa
Onde eu busco “no nada”, a minha fantasia.
E sobrevoo, enfim, como um milhafre
Neste delírio insano,
A encruzilhada de luzes
Que ofuscam na imensidão do xisto,
A minha ninfa.
 Manuela Vaz de Carvalho


23 - O SOM DA MAGIA
.
Vai soando o som no ar
Ai música, meu encanto,
Vou até ao fundo do mar
Magia de faíscas ecoando.
.
A beleza da flora marinha
Têm encantos de mil cores,
Belos seres, sons, ladainhas
Ai magia de eternos amores.
.
Vai soando o som no ar
Ai música, meu pranto,
Mágicas as ondas do mar
Na areia, ficam beijando.
.
O mar é como a música
Tem som, cor e espanto,
É leveza e característica
De quem ama esse manto.
.
Funchal, 9 de Março de 2026
Cecília Pestana



2-3-2026



24
1 - AS MÃOS SÃO TUDO
Mãos divinais
Que dão sinais
São dádivas de amor
Mãos postas em oração
Sabem pedir perdão
São gratas ao Senhor
Mãos tatuadas
Estão marcadas
Por alguma razão
Meigas inteligentes
Acariciam crianças doentes
Se há dor ! são coração !
Mãos que sabem escrever
Veem poesia acontecer
Na partida, dizem adeus
Enrugadas na velhice
O que parece chatice
Cuidaram dos filhos Seus !
Laura Prates.


2 - Prezo a liberdade
**
O meu casamento
Deu para admirar
Vermelho vesti
Para ir ao altar
Toda a gente a olhar
Sem compreender
O que eu quis dizer
Naquele momento
Foi um juramento
Por ser Indiana
Uma jovem que ama
Suas tradições
Todas estas lições
São o meu legado
Casamento é sagrado
E quero festejar
Para comemorar
Três dias é pouco
Neste mundo louco
Quero hoje brilhar
**
Mãos , anel de ouro
E luvas de renda
Que foram oferenda
E são meu tesouro
Longe o mau agouro
Não vou desistir
Deste casamento
Tanto ao meu agrado
E quem quiser vir
Fica convidado
**
Gertrudes Dias


3 - Tradição milenar 
**
Era meu destino de casar com um milionário 
Sempre gostei de o dizer a toda a gente 
Mas aquele dia aconteceu algo diferente 
E tive que o marcar no meu diário 
**
Esta paixão se revelou , e o casamento 
Foi marcado com pompa e circunstância 
Nada impediu , nem cultura nem distância 
Viajei e fui para a Índia sem lamento 
**
Casei de vermelho como manda a tradição 
O branco ou o preto lá trazem mau agouro 
O meu noivo milionário é um tesouro 
E o  casamento foi a grande solução 
**
Dias e dias e a festa sempre em frente 
Era um mar de gente na  terra a cirandar 
E eu risonha num casamento de encantar 
Fazia parte desse mundo e dessa gente 
**
Minhas  mãos , anel e luvas que orgulho 
Era noiva deslumbrada por casar 
Meu noivo milionário era o meu par 
E já tinha assegurado o meu futuro 
**
Gertrudes Dias


4 - AS MÃOS
Mãos que sabem acarinhar
Mãos que o fazem por amor
Mãos que querem ajudar
Mãos que estão ... sempre ao dispor
Mãos justas equilibradas
Mãos que constroem a Paz
Mãos que nasceram honradas
Mãos que tudo é eficaz
Mãos sempre adoráveis
Mãos doces e macias
Mãos muito prestáveis
Mãos humanas todos os dias !
O INVERSO
Mãos maldosas
Mãos que destroem
Mãos invejosas
Mãos que corroem
Mãos perigosas
Mãos traquinas
Mãos vaidosas
Mãos assassinas
Mãos ocultas
Mãos nascidas do mal
Mãos por vezes incultas
Mãos respondem no juízo final !
Laura Prates. 


5 - As tatuagens
Com pura henna as tatuagens,
Pó da planta e mais substâncias,
Faço inauditas imagens.
As mãos com subtis miragens,
Festa com exuberâncias,
Com pura henna as tatuagens.
Na minha amiga vantagens,
Cenas com tais luminâncias,
Faço inauditas imagens.
Ficam pulcras as montagens,
Desprovidas de constâncias,
Com pura henna as tatuagens.
Na Índia usam tais linguagens,
No enlace significâncias.
Com pura henna as tatuagens,
Faço inauditas imagens.
Mary Lai (Cidália Teixeira)


6 - A MAGIA DAS MÃOS .
.
Mãos cheias de palavras
Que não conseguem ficar caladas
Mãos, numa imensa comunhão
Mãos que se erguem a pedir
No momento duma aflição surgir
Em fervorosa oração!...
Mãos que acariciam com ternura
Que têm a essência mais pura
Na mais inesperada ocasião
Mãos que não se poupam, esforçadas
Trabalhando muito empenhadas
Numa valiosa missão!...
Mãos repletas de saber
Motivadas… sem horário ter
Para proporcionar satisfação
Mãos de tarefas empreendedoras
Haveis e dinâmicas gestoras
Que tantas alegrias dão!
Mãos que contam segredos
Que são calmantes dos medos
Presentes, na devida ocasião
Mãos de proximidade
Presentes, desde a primeira idade
Sem termo de duração!
-
São Pereira


7 -  TEMPO QUE ME ATRAVESSA 
.
Olho as minhas mãos já tão enrugadas 
E comparo-as às tuas, ainda tão iguais
Às que um dia foram minhas; alvas tais, 
Como pétalas de rosas delicadas.
.
Não têm marcas do tempo, das jornadas, 
Nem na pele histórias desiguais;
Não sabem dos silêncios nem dos ais,
Que a vida crava em horas demoradas...
.
Têm meninice, têm o que lhes pertence:
Candura, macieza; alvura, delicadeza;
São o veludo que na toalha ainda existe.
.
Mas minhas são obra, são acontecimento,
Vida em conhecimento; tempo qu' m lembra;
A minha orgulhosa sombra, obra que resiste!
.
RAADOMINGOS 


8 - MÃOS RENDILHADAS
Mãos tatuadas, rendas de cor alaranjada
Desenham segredos na pele reluzente,
Parecem trazidas de terra encantada,
Em linhas suaves que brilham, divinamente
***
Nos braços dançam pulseiras em tom dourado,
Brilham como sol nas dunas ao amanhecer,
Em traço árabe o destino é desenhado,
Feito poesia que o vento insiste em tecer.
Celestina Esteves.


9 - O dia do meu casamento
**
Solteirinha é que eu não fico
Já tenho com quem casar
Vai me levar ao altar
É jeitoso e muito rico
Muitas vezes tenho dito
Vai ser um dia diferente
E lembrei -me de repente
Vou casar á indiana
São casamentos com fama
Vou convidar muita gente
**
No dia do casamento
De vermelho me vesti
O branco ou preto não quis
Na Índia é um juramento
Simboliza no momento
Afastar o mau agouro
Minhas mãos , anel de ouro
Estão com tudo a condizer
E nunca me vou esquecer
Encontrei o meu tesouro
**
Gertrudes Dias


10 - TUAS MÃOS SÃO ALVORADAS
Percorrem as tuas mãos
Planícies e colinas
No redondo do meu corpo
Como flores desfolhadas
Atapetando o meu chão
Mãos compondo o destino
Na avidez do prazer
Emissárias dos sentidos
Marcando à flor da pelo
Os caminhos proibidos
Tuas mãos são alvoradas
Num constante amanhecer
Tuas mãos...
Percorrendo o meu corpo
São colinas de prazer
A Guardadora de Palavras
Fernanda Rocha
Direitos de autor reservados


11 - Mãos delicadas
Mãos delicadas, pura tela artística,
Tatuagens de Henna, na prometida.
Família, amigas, a pintam, querida,
Tão surreal a tradição tão mística.
Meu sonho voa… Pra Índia a logística,
Encontro os noivos que me dão guarida,
Felicito-os, prendas de seguida,
Cor, flores, danças, cena novelística.
Fico surpreendida… Tanta festa!
Três,…,sete dias, ritmo instrumental,
Flores, muitas flores e alegria.
Rituais, banhos, tatuagens e gesta,
Fogo sagrado e juras, recital…
Meu coração pulsa em sã harmonia.
Mary Lai (Cidália Teixeira)


12 - DESENHOS DE AMOR
.
As mãos estão cheias de cor
Com desenhos que têm brilho
Mostram a força do amor
Ao seguir este caminho
.
As pulseiras fazem som
Brilham como a luz do dia
O momento é muito bom
Cheio de paz e alegria
.
O vestido é bem encarnado
Como uma flor no jardim
Tudo foi bem preparado
Para um dia que não tem fim
.
É uma festa de união
Com muita gente a olhar
Sente-se no coração
A vontade de casar.
.
José Martinho


13 - DÁ-ME A MÃO
.
Dá-me a mão
Assim, bem apertada
Não a largues por nada.
Já me perdi nos passos
Do tempo envelhecido
Entre barulho dos pássaros
Dos ventos e das folhas molhadas.
.
Ando descalça, por aí perdida
Alheia à vida adormecida,
Amarfanhada, dormente e dorida.
Vá... não hesites, dá-me a mão
Aperta-a, meu sangue fervilha sorrindo
Não a largues por nada.
.
Além dos abraços
Com que me amarras,
E dos sorrisos raiados
E dos beijos molhados
Envoltos em choros e laços,
O amor é lago profundo
É vento bravo, sem fundo.
.
Vá... dá-me a mão
Quero que me segures
Em teus braços apertados
Gemidos e sonhos calados.
Ai tua mão é guia,
É rumo, alento, é alegria.
.
Dá-me a mão
Segura-a bem apertada
Não a largues por nada.
Trazes tua voz meiga
Quente e sussurrada
Ao meu ouvido beijada
Tua mão na minha, enrolada.
.
Cecília Pestana


14 - O QUE VEJO AQUI.
(2º Poema)
*****
O que vejo aqui
Eu quero explicar
É a arte Mehndi
Que lá em Nova Deli
Já é secular!
*****
É arte em pintura
Nas mãos e no pé
Onde a criatura
Diz de forma pura
Sentir bem mais Fé!
*****
As noivas a fazem
Se estão pr`a casar
E se satisfazem
Porque os espíritos trazem
Mais sorte que azar!
*****
A planta que é usada
Na pele da “pequena”
Deixa a apaixonada
Assim tatuada
Chama-se Henna!
*****
E quanto mais escura
De henna seja a cor
O noivo de alma pura
Com maior candura
Dar-lhe-á mais amor!
*****
“O Poeta Alentejano” - Renato Valadeiro
Todos os Direitos Reservados


15 - ASSIM É A MULHER!
(3º Poema)
*****
Assim é a mulher
Na forma de estar
Faz o que quiser
Sem tempo a perder
Por vezes sem pensar!
*****
No corpo só dela
Ninguém manda nele
Menina ou donzela
Apenas sabe ela
Dar-lhe o tom à pele!
*****
Tatuado ou não
Com algum misticismo
Faz a aparição
Fugindo à agressão
E até do racismo!
*****
Seu corpo especial
De linhas perfeitas
Torna-a sensual
E intelectual
Quando tu a espreitas!
*****
Com as unhas pintadas
Ou mãos que simbolizam
As minhas gretadas
Estando enlaçadas
Nas tuas deslizam!
*****
“O Poeta Alentejano” - Renato Valadeiro
Todos os Direitos Reservados


16 - FUI À INDÍA!
(1º Poema)
*****
Fui à Índia para ver
O que estava a acontecer
Nos corpos assim pintados.
E depois de analisar
Vi ser arte milenar
Que já vem de antepassados!
*****
É comum em casamentos
Pr`a vossos conhecimentos
Essa antiga tradição.
Usa nos braços pulseiras
Tornando as mulheres guerreiras
Símbolo de fértil união!
*****
O anel que levam no dedo
Talvez esconda o segredo
De servir contra o mau olhado.
Diz-se que traz boa sorte
Tornando o amor mais forte
Nesse ritual sagrado!
*****
Apesar de ser esquisita
Esta arte é bonita
Mas que me deixa a pensar.
Não haverá outra forma
De se vestirem por norma
Quando estão pr`a se casar?
*****
Contudo, eu digo até
Cada qual é como é
Díspar de país para país.
Não importa raça ou cor
Mas sim o jeito melhor
Pr`a que possa ser feliz!
*****
“O Poeta Alentejano” - Renato Valadeiro
Todos os Direitos Reservados



17 - Mãos de fada
Desperta a madrugada
o Sol está em Abril…
henna armada de cor
cortejo de luz a sorrir
Mãos de fada verdadeiras
tocar-lhes sem ruído
desenham nelas canseiras
em tons de rosas vermelhas.
Mistério há de certeza
manejando e colhendo
e sem os olhos pestanejar
mãos de fada em novelo.
Lindas unhas polidas
ideia de olhos pintados
desenhos são maquilhados.
em rituais partilhados.
A vida é uma dança
de cultura multicolor
seja ela onde for
desperta a arte em amor.
2 Março 2026
Graciete Lima


18 - Mãos pintadas"
Obras de arte!
Turcas mãos pintadas
Cores suaves vibrantes
Desenhadas tão rendilhadas
Legados ancestrais tonificantes.
São beleza de uma paz universal
Sejam de um azul turquesa
Ou pintura de ramagem florestal
Mãos pintadas dançam ao vento
De uma criatividade sem igual
Mãos desabrocham com alento
Num acalorado valor sentimental
De trabalho de amor e devoção
Obras de arte de grande beleza
Mãos são símbolos da criação.
Mãos pintadas por profissionais
Com lindos desenhos estampados
Desenhos criativos por demais
Pintados recordam ritmos passados.
Lurdes Bernardo


19 - MENSAGEM 
Em minhas mãos tatuei 
as palavras que não disse
doce sentir, desenhei
mapa florido pintado
código que amor sustém 
de receio que alguém visse. 
Ao mundo assim mostrado
sendo canteiro em flor
o segredo se mantém 
antes que desvanecida
essa mensagem de amor
na minha pele, pede vida! 
.......... 
maria g.


20 - MULHER.  
Tem mãos de renda fina
mulher jovem
qual noiva prometida
acredita que a felicidade
vem e não finda.
Em seus olhos há esperas 
e sonhos
num tempo de primaveras 
sonhos de amor e liberdade 
na febre da idade.
Depois de forma diferente 
vê seus sonhos erguidos 
desmoronarem, sem sentido
realidade presente
contrário ao seu critério 
Mulher, oculto mistério 
sagrado feminino sedutor 
amadurecido
em seu âmago retraído
já não crê no amor! 
.......... 
maria g.


21 - MÃOS ESCREVENDO POESIA
Minhas mãos
Amaciando a doçura
Desenham linhas imperfeitas no teu corpo
Correndo à solta sem pedir licença
Minhas mãos foram para ti
Sentimento e loucura
Depois
Escreveram em ti poemas de amor
Pintaram no teu corpo a alegria
Nas paredes da ventura
Acariciaram o teu sorriso
Com uma doce magia
Minhas mãos e as tuas mãos
Pintadas de alegria
Em recolhimento
Escreveram esta doce poesia
A Guardadora de Palavras
Fernanda Rocha
Direitos de autor reservados


22 - LINHAS VIVAS DO CORAÇÃO
Sonho-me nas noites do Oriente
Nos jardins suspensos de mistérios transcendentes
Colhendo a sina em folhas de henna
Projetando o futuro em versos de um poema
Celebra-se um novo ciclo, na noite ecoam os hinos
Acordam os sonhos que repousam nas nuvens de algodão
Acendem-se as estrelas traçando o destino
Na palma da mão, em linhas vivas do coração
Na inocência de um jasmim perfumado
Sândalo, patchuli, aromas exóticos debruados
Uma pintura em traços fortes
Em desenhos de felicidade e sorte
Aroma de jasmim, pungente e doce
Bálsamo em notas orvalhadas derramado no coração
Mãos que dançam
ao luar em jeito de prece
Embalando o destino nas rotas rubras de paixão
@Fátima Arede
Todos os Direitos de Autor reservados nos termos da Lei 50/2004 de 24 de Agosto
e 2ª versão (a mais recente) Lei nº 49/2015 de 05/06.


23 - As divas
Cores garridas festivas
Mãos tatuadas, as divas.
Na noiva obstam mau-olhado
Livra-a do triste fado.
jóias usa e coloridos
Encantos enaltecidos
Música em instrumental
Danças no mel ritual.
Depois saem tatuagens
Vida segue suas vantagens.
Mary Lai (Cidália Teixeira)


24 - TUA MÃO NA MINHA MÃO
Se eu te contasse ao ouvido
Tudo aquilo que eu sei
Plantava em tua alma
Os desejos de uma vida
Abriria sem saberes
Uma estrada com sentido proibido
Desfaziam-se as tristezas
Como bolas de sabão
Lado a lado seguiríamos
Olhando o sol poente
O ontem era o presente
Capinávamos quimeras
Feitas de sonho e de luz
Na porta da felicidade
Como o destino traçado
Seguiríamos à aventura
Tua mão na minha mão
A Guardadora de Palavras
Fernanda Rocha
Direitos de autor reservados




FEVEREIRO

23-2-2026


24
1 - COMO ANJO RENASCIDO
Em mim
A música do silêncio
Diluía-se no lusco fusco da manhã
Notas soltas no prazer de sonhar
Dançam as notas na pauta
Incautas
Bailam ao vento
Despertam os meus sentimentos
No murmúrio da manhã
A música do silêncio
Embala os sonhos despertos
Voa por dentro do meu peito
Um silêncio reconfortante
Que me preenche os sentidos
Acordo da letargia
Como anjo renascido
A Guardadora de Palavras
Fernanda Rocha
Direitos de autor reservados


2 - UMA INCÓGNITA
São quatro janelas
Por elas entra o luar
Por cada uma delas
É diferente o nosso olhar
Uma cadeira vazia
Ignorando quem ocupa
Verdade ou fantasia
Começa ali...uma luta
É uma sala meio triste
De reuniões secretas
O silêncio a que se assiste
Contribuí p'ra descobertas
A noite já terminou
As luzes já se apagaram
Com o sol que nela entrou
As paredes se alegraram
Sala que guarda segredos
De palestras importantes
E que alguém, grita sem medos
A sentença dos amantes. !
Laura Prates. 


3 - A minha casa ?
**
Uma casa sombria um dia encontrei
E pensei mudar essa escuridão
Comprei um tapete pra forrar o chão
Abrindo as janelas a luz encontrei
**
Á volta da casa uma mata densa
Onde o sol espreitava com todo o carinho
Mudei a paisagem protegendo um ninho
E o sol entrou sem pedir licença
**
Arranjei cadeira para me sentar
Queria conforto e gozar a vida
A estar nesta casa estava resolvida
Por isso a cadeira tinha alto espaldar
**
Nas horas que o sol vence o arvoredo
Sentada já estou na minha cadeira
Vou gozar a vida á minha maneira
Porque eu sou assim neste sonho ledo
**
Gertrudes Dias


4 - TEMPO IMPERFEITO
Silêncio
Tudo é silêncio e calma
Escrevo recados à alma
Sentimentos já sonhados
Sem tinta nem endereço
Sem ter fim nem ter começo
Neste silêncio pesado
Vestido de negras sombras
Embarco, então, na viagem
Que a vida me oferece
Sem bilhete ou passaporte
Vagueio por entre os sonhos
Procurando o meu norte
Talvez um pouco perdida
Mas a vida pretendida
Não nos indica o caminho
Pode ser bem conseguida
Ou então ser ao contrário
------vida dentro do armário
Sem soltar os sentimentos
São dolorosos momentos
Cavados dentro do peito
Neste tempo imperfeito
É a Incógnita da vida
Magoando os sentimentos
A Guardadora de Palavras
Fernanda Rocha
Direitos de autor reservados


5 - À ESPERA DA LUZ.
.
No centro de um quarto sombrio
A cadeira espera a luz
Vence o silêncio e o vazio
Que a própria sombra produz
.
Pelas janelas abertas
O dia espreita lá fora
Em linhas claras e certas
Que o sol no chão desenha agora
.
O brilho que invade o espaço
Traz um calor de alento
Como se fosse um abraço
No meio do esquecimento
.
Descansa a peça isolada
Nesta moldura de cor
Sendo a presença esperada
Num mundo sem mais rumor
.
José Martinho


6 - SERÁ SALA DE CINEMA?
(1º Poema)
*****
Será sala de cinema
Ou apenas um salão?
Eis aqui o problema
Que descrevo no poema
Sem encontrar solução!
*****
Fico na espectativa
Que alguém me diga a resposta
A imagem não cativa
Que raio de iniciativa
Qualquer dia dou à costa!
*****
A incógnita continua
Atrás dos vidros, lá fora
Mas ninguém averigua
Se o que está na rua
É bananeira que aflora!
*****
E porquê só uma cadeira 
No meio desse soalho?
Não está lá por brincadeira
Perdoem-me se digo asneira
Descobrir dá-me trabalho!
*****
Se eu não for assertivo
Que me caia a cabeleira
Só porque sou compulsivo
Pr`a mim é o centro interpretativo
Da banana na Madeira!
*****
“O Poeta Alentejano”- Renato Valadeiro
Todos os Direitos Reservados


7 - O silêncio em sinfonia
Na minha marquise ao fim do dia,
A cadeira solitária me espera,
Sombras negras nas plantas, tal quimera,
Azul do céu afronta com a ironia.
Neste espaço o silêncio em sinfonia,
Na cadeira incide a luz e lidera
Fantasia de estar só tão severa,
Monstros que desenha na ramaria.
Janelas olhos que veem o céu!
Nem pássaros ali voam gentis,
Na pasmaceira entra em mim a saudade.
Chão atapetado de verde, gemeu…
Passos pesados, vivência excluis,
Vida lenta, solitária, a verdade.
Mary Lai (Cidália Teixeira)


8 - O meu palacete
**
Tenho um palacete em pequena aldeia
Posso garantir que não há igual
Tem muitas janelas , o que é bom sinal
Entrando por elas o sol me bronzeia
**
Em todo o espaço tenho cor e luz
E uma cadeira pra fazer repouso
Sentar -me na rua às vezes eu ouso
Mas o interior a mim me seduz
**
Chega a Primavera e o sol brilhando
Vem ensolarar todo o interior
Se abro a janela vem o cheiro da flor
Que á volta da casa estou plantando
**
E toda a aldeia fica admirada
O meu palacete até já tem fama
A simples razão está porque se ama
A casa mantida tão bem conservada
**
Gertrudes Dias


9 - UMA SÓ CADEIRA!
(3º Poema)
*****
Uma só cadeira
Serve de bandeira
Nessa sala imensa.
Mas ninguém se senta
E vira tormenta
Que é mesmo ofensa!
*****
Quatro janelinhas
Sem que haja vizinhas
A espreitar por elas.
Nem sequer as folhas
Permitem escolhas
À lua e às estrelas!
*****
Um céu azulado
Quiçá algo errado
Não vejo quem o veja.
Sem gente por perto
Não se sabe ao certo
Se alguém ali esteja!
*****
Voltando ao assento
Por depoimento
Tem a cor d`alvura.
Mas ali tão só
Está sujeita ao pó
E até murmura!
*****
Quão grande é o espaço
Que até um abraço
No tempo se vai.
E tal como nós
Cadeira sem voz
Já não me distrai.
*****
“O Poeta Alentejano” - Renato Valadeiro
Todos os Direitos Reservados


10 - Até ao sol -posto
**
Uma casa quis comprar
Com alguém me aconselhei
Nos sítios que procurei
Nada havia de encantar
Mas por fim fui encontrar
A casa da minha vida
Uma visão colorida
O sol a dar nas janelas
Entrando por todas elas
Numa área protegida
**
Mesmo á hora do sol -posto
Inda o sol queria entrar
E eu gostava de sentar
Numa cadeira ao meu gosto
Com espaldar pra recosto
Numa sala ensolarada
Não precisava mais nada
Era a casa do meu sonho
Onde entrava o sol risonho
Se eu soltava a gargalhada
**
Gertrudes Dias


11 - Sentada medito
No cento do espaço uma tal cadeira,
Nela sentada medito e reflicto,
A luz incide no meu ser, veleira,
Pressinto meu espírito em tal conflito.
Pelas janelas observo o céu azul,
Lá, navego à procura de mim,
Em contraluz vejo o tempo taful
Da existência crescendo num jardim.
Lugar silente onde baila a tal sombra,
Nos meus olhos brilha a alucinação,
Sombras chinesas acima da alfombra,
Onde assenta a cadeira em perfeição.
Solto gemidos tão silenciosos,
Me elevo transcendendo o meu segredo
Divago nos espectros curiosos,
Protagonizando o real enredo.
Mary Lai (Cidália Teixeira)


12 - Há sombras tardias 
e alongadas
por trás de janelas 
despidas de vida
de um amplo espaço 
vazio e silente 
uma só cadeira 
nesse cenário perdida. 
Cenário minimalista  
num palco soturno 
cujo ator está ausente 
da representação 
da peça tão frequente 
que explora o absurdo 
de quem se sente anulado. 
Sim! Ator anulado 
quase sempre invisível 
que já não colhe aplausos
do seu saber com norte
gastou o tempo útil 
agora fora de prazo 
esconde-se na solidão 
sentimento tão previsível 
fazer o luto da sua morte. 
.......... 
maria g.


13 - ENCONTRAR
.
Sob a quietude do tempo,
O pouco que ainda me sobra;
Corrijo nas brancas folhas,
O assento de tão vasta obra.
Rendo-me ao elenco mui forte,
Perco-me na longa estória.
As linhas parecem adivinhar 
O norte da minha glória...
Revejo-me na árdua sorte;
Dura imagem na memória,
Sentada, ainda que me conforte
É hora de seguir, de a apagar!
Quiçá a paisagem que observo
Traga a harmonia e confiança
A um servo, cuja esperança
É a poesia para se encontrar...
RAADOMINGOS


14 - Reciclagem
Encontrei uma cadeira
junto a um ecoponto
inteira e em madeira
encostada levemente.
Alguém a largou
para ser reciclada
era deveras caseira
encosto do meu encontro.
Imaginei-a com brilho
e muita vida para viver
sobre ela me assentei
para estes versos escrever.
Imaginá-la presumo
numa atitude alheada
dar-lhe-ei outros traços
da minha vida passada.
E para tal acontecer
sobre ela descansei os braços
buscando no ar os seus traços
Com almofadas e laços.
Para mim não há melhor
nem mais nada bonito
ter a cadeira garrida
encerada e com brilho.
Uma sociedade social
viu a cadeira tāo bela
pediram-me para a doar
a fim de uma creche alegrar.
23 Fevereiro 2026
Graciete Lima


15 - "Uma sala"
Uma sala tão soturna
Que será que aqui existe?
Umas janelas tão grandes
Que deviam encher de luz
Um espaço de lazer
Ou quiçá um escritório
Uma história para contar
Numa cadeira de encosto
Cá fora um jardim há
Com umas árvores é suposto.
Pode ser uma sala de reuniões
Ou um cinema talvez
Com tão poucas confusões
Apenas uma casa de nudez.
Nudez de móveis de estilo
De pessoas e de bens
De qualquer forma é castigo
Tão silencioso motivo
Pode estar escuro e em perigo.
Quem aqui morará vá se lá saber
Quanto pagará por este imóvel
É alguém podem querer
Um ser humano
Seja lá que sítio for
O importante é ser acolhedor
Um lugar apetecível
Desde que seja divertido
Para desfrutar seja invencível
Um lugar deveras agradável
É sempre preferível.
Lurdes Bernardo


16 - PINTURA ABSTRACTA!
(2º Poema)
*****
Realidade ou pintura
Fico na dúvida assim
Porque esta imagem pr`a mim
É só mais uma aventura!
*****
Nem sei o que representa
Ou onde quer que seja
A “mestra” não dá de bandeja
E quer toda a gente atenta!
*****
Talvez janelas sem nada
E uma cadeira a baralhar
Tudo isto dá que pensar
Mas não lhe acho piada!
*****
Lá ao longe um alto prédio
Que parece ser solitário
E eu aqui num calvário
Sem que encontre o remédio!
*****
Haja então alguém que venha
E seja à foto fiel
Pr´a transportar pró papel
O que ache ser a senha!
*****
“O Poeta Alentejano” - Renato Valadeiro
Todos os Direitos Reservados


17 - No centro
Mote:
A luz reflecte a cadeira
No centro com nitidez.
Glosas:
Nas sombras, o pensamento
Arquiteta mil visões,
Em tempo reais fusões,
Em destorcido segmento,
O negro, de amor sedento,
Esconde com avidez
Toda a sua insensatez
De querer passar fronteira…
A luz reflete a cadeira
No centro com nitidez.
Neste mistério me afundo,
Só meu leve respirar
E das plantas, singular,
Vivos, ainda, para o mundo,
A solidão espinho imundo
Que sinto com lucidez,
Na alma com tal timidez,
Ultrapasso a tal cegueira…
A luz reflete a cadeira
No centro com nitidez.
...
Mary Lai (Cidália Teixeira)


18 - ESSA MANHÃ
Essa manhã nascendo devagarinho
Foi mistério a desvendar
Foi percurso enviesado
Perdida na alvorada
Foi pedinte de carinho
A manhã
Percorreu os meus sentidos
Fez da minha cadeira seu chão
Abriu-me os braços com calma
Ensinando-me a sonhar
Como se fosse oração
Essa manhã
Percorreu todo o meu corpo
com doçura
E eu...
Esquecida da luz
E carente de amor por dentro
Aceitei todo o carinho
E entreguei-me à aventura
A Guardadora de Palavras
Fernanda Rocha
Direitos de autor reservados


19 - A CADEIRA
.
A cadeira aguarda pelo ator
A peça se ira desenrolar
O monologo, também é mentor
Da peça que ira apresentar!
.
Esperando incidir em si toda atenção
Com o silêncio ao acontecimento devido
Numa empática manifestação
Para o implicitamente sentido!
.
Encaminhamento de sentir e pensar
A cadeira até perde existência
Com o conteúdo suspenso no ar
Sendo recolhido pela assistência!
.
A mensagem enigmática sorrateira
Com alcance, despertando a emoção
Hábil, abrangente e verdadeira
Com o cair do pano, a enorme ovação!
.
São Pereira


20 - INVENTADO
Uma noite escura e fria
Encontro a sala vazia
A cadeira espera alguém
Aqui se julgam pessoas
Umas más e outras boas
Quem vier... venha por bem
Janelas altas na casa
Surpreendem quem arrasa
Juiz...chegou ao tribunal
Há um certo corrupio
A voz tremendo de frio
E alguém passando mal
Depois da sentença lida
Houve "gente" divertida
E trocaram cumprimentos
As salas metem respeito
E julgou ... quem de direito
Mas também houve lamentos !
Laura Prates.


21 - Tribunal
Eu não tenho paciência
De ficar numa cadeira
Onde há escuridão
E janelas com bandeira.
Fujo a sete pés…
Se encontro um lugar destes
O que ele me faz lembrar
É um polícia a questionar.
Num tribunal abandonado
Onde um juiz foi insultado
O arguido foi julgado
Pr'a prisão foi mandado.
À média luz resta à sala
Com uma cadeira vazia
No chão há esperança
Amanhã é outro dia.
23 Fevereiro 2026
Graciete Lima


22 - RECANTOS DO SILÊNCIO
Olho para a cadeira vazia, tão cheia de saudade
Lá fora vejo o tempo do relógio
Dentro de mim, passa lento, contado pelo silêncio
No coração submerso entre as sombras e a claridade
Nos corredores escuros do meu pensamento
Uma réstia de sol insiste em me visitar
Num sorriso sereno num profundo alento
Adormece o cansaço na eternidade de um despertar
O tempo, senhor de ausências,
Uma breve passagem, um instante flui na sua essência
Traz a saudade de um travo doce amargo
Em murmúrios de silêncio, fica comigo
A noite desce num silêncio sonolento
Uma estrela repousa no meu colo
O coração se recolhe do outro lado do tempo
Preenchendo de luz os recantos do silêncio…
@Fátima Arede
Todos os Direitos de Autor reservados nos termos da Lei 50/2004 de 24 de Agosto
e 2ª versão (a mais recente) Lei nº 49/2015 de 05/06.


23 - SOMBRAS NA NOITE
.
Cada passo uma sombra
Caída em noite já longa
As horas tocam a compasso
E eu despida de sono.
Cada passo uma memória
Cada sombra, vulto, silêncio
Caída em noite fria e longa
As horas ficam sem rosto.
Cada passo longa espera
Caída em noite escura
Cada vulto um mistério
Horas tocam no silêncio.
E eu sentada na cadeira
Despida do tal sono infame
Fico acordada a noite inteira
Cada passo uma sombra.
Passam sombras sem rosto 
Moribundas fazem eco
Passam por entre as janelas
Despidas, caídas e mortas.  
A noite finda, chega a aurora.
.
Funchal, 25 de Fevereiro de 2026
Cecília Pestana


24 - ENTRE O VAZIO E O VERDE
Na sombra ergue-se a casa em silêncio fechado,
Quatro janelas fitam o mundo em solidão,
Plantas sussurram segredos no vidro embaçado,
Enquanto o vento murmura na escuridão
***
Por fora a vida cresce em verde delicado,
Folhas dançam leves na suave claridão,
Por dentro apenas um assento abandonado,
Guarda memórias presas no coração.
***
A cadeira espera o peso do passado,
Rangendo histórias na fria imensidão,
E a casa respira, no tempo suspenso e calado,
Entre o vazio interno e a vida em expansão.
Celestina Esteves




16-2-2026

24

1 - Livraria Lello

A Livraria Lello

no Mundo não há igual

vê-la ao vivo é uma maravilha

na cidade do Porto em Portugal.

Há livros até ao teto

olhos de águia não os alcançam

a talha e arquitetura

são poemas são leitura.

Um dia algo estranho me aconteceu

numa noite dura escura

tudo o que era mudo desapareceu

só uma coruja permaneceu.

O cheiro a papel velho recordo

longínqua é em sabedoria

tenho memória deste lugar

os livros voavam enquanto eu lia.

Os meus sentidos ecoaram

nas abóbadas e nos vitrais

Ressurgiram escadarias encarnadas

exóticas e em espirais.

16 Fevereiro 2026

Graciete Lima


2 - ABISMO

.

O branco desce em curva sinuosa

Neste abismo de um rubro profundo

Uma geometria tão graciosa

Que parece abraçar todo o mundo

.

O olhar perde-se na eternidade

Degrau a degrau num ritmo lento

Procurando no fundo a claridade

Que foge na asa de um momento

.

Nesta descida que o passo ensaia

Onde o centro é um ponto distante

Deixa que a alma no brilho descaia

Sempre serena sempre constante

.

José Martinho


3 - O amor em espiral

**

Há um labirinto nesta minha vida

Subindo queria o Céu alcançar

Se tu não quiseste ir em meu lugar

E a minha sina tem de ser cumprida

Fica este amor em terra prometida

No peito esta dor de longe ficar

**

Subindo degraus bate o coração

Lembrado das juras de felicidade

Quando rejeitaste sem teres piedade

Porque só querias pisar firme chão

E tudo a meu lado foi ingratidão

Subi às alturas vendo a falsidade

**

Lá em cima estou junto ao astro -rei

Não sei se um dia vais compreender

Nesse dia e hora vais te arrepender

Lembrando o amor que a ti confiei

A fidelidade que um dia jurei

Serei sempre sombra se á terra descer

**

Os degraus da vida ou sobem ou descem

Subindo encontrei a paz desejada

Firme ao corrimão desta mesma escada

As dores que na vida lá no alto esquecem

Há sempre amarguras que desaparecem

E a alma fica mais pura e lavada

**

Gertrudes Dias



4 -    DEGRAUS 

.

Pra onde levam ou trazem? E que vida?

O que se passará entre e pr' além disso?

Que lanço íngreme ou duro passadiço

Superará os sonhos e a sorte pedida?

.

... ou, até quiçá, passada alguma sofrida,

Mas símbolo da lealdade e compromisso;

Um majestoso acesso que lhe foi omisso,

Surpreendendo a alma, deixando-a florida.

.

É nessas alturas de aurora surgida,

Que o coração aprende o valor do amigo

E a esperança ergue-se forte e destemida.

.

Assim, pra lá do último lance ultrapassado,

Há menos peso, engano, dúvida concebida,

E depressa o coração repousa, aliviado!

.

RAADOMINGOS 



5 - PARA REPRESENTAR O SEU PAPEL

Entrou a saudade pela porta da frente

Subiu as escadas da imaginação

Não pediu licença

Tornou-se senhora e dona da alma

Foi batendo às portas

Sempre em contramão

Não tem lugar certo

Dorme em cama fria

Não faz concessões

A saudade é cruel

Artista sem palco

Nas escadas da vida

Anda à deriva para representar

o seu papel

A Guardadora de Palavras

Fernanda Rocha

Direitos de autor reservados



6 - ESCADAS DA VIDA

Desci as escadas da vida

Nas longas horas do tempo

Era caminho marcado

No calendário dos sonhos

Onde me encontro perdida

Perdi-me nessas curvas imperfeitas

Corri por entre as giestas

Brincando com a ternura

Encontrei o meu caminho

Feito de amor e doçura

Depois...

Sem hora marcada

Deixei entrar as palavras

Guardei-as dentro do peito

Delas fiz cama e leito

A Guardadora de Palavras

Fernanda Rocha

Direitos de autor reservados



7 -   EVENTO

É com muita alegria 

Que desço a escadaria

Onde o Sol não vejo

Um espaço respeitado

Será sempre lembrado

Poder visitar, é meu desejo

Muitos degraus para descer

Passo em falso, pode acontecer

Salto alto, vestido a rigor 

Escadaria de sonho 

Cuidado extremo proponho

De braço dado com seu amor

Lugar bonito debaixo do chão 

Lágrima no olho, por tanta emoção 

Relíquias guardadas, que dão a Paz

Amizades sinceras de anos atrás 

Hoje sou feliz, por ter sido audaz !

    Laura Prates.  



8 - TRISTE SOLIDÃO

Nas escadas escurecidas

Percorri o meu caminho

Não encontrei o meu rumo

Às escuras tacteando

Era menina perdida

Sem a bela luz da vida

Perdida na noite escura

Em plena escuridão

Sem a luz de um sorriso

Apagou-se a minha estrela

Na mais triste solidão

Quero a luz do teu olhar

Para encontrar o caminho

Na doçura de te amar

A Guardadora de Palavras

Fernanda Rocha

Direitos de autor reservados



9 - NO SOBE E DESCE!

(1º Poema)

*****

No sobe e desce da vida

Certo dia eu já subi

Desde o ponto de partida

Fui em busca de guarida

E só a encontrei em ti.

*****

D`igual nessa escadaria

Certamente eu já desci

E aflito e em agonia

De novo me albergaria

Nos teus olhos, quando os vi.

*****

E tal como um caracol

Fui subindo a passos lentos

Procurando a luz do sol

Fiquei preso ao teu anzol

Pr´a apagar dias cinzentos!

*****

E de roda em tais degraus

Andamos os dois ao jeito

Fugindo de instantes maus

E de Seres como calhaus

Sem nada dentro do peito!

*****

Sem saber contabilizar

Dessa escada , a dimensão

Escalamo-la sem balançar

Na esperança de encontrar

Muito amor… muita afeição!

*****


“O Poeta Alentejano” - Renato Valadeiro

Todos os Direitos Reservados



10 - Há desertos de cimento armado

natureza morta tão evidente

um sobe e desce de sabor amargo

dureza de vida permanente. 

E tudo em nome da modernidade

cada degrau tem a dor presente 

dura espiral de contrariedade

afunilada no olhar temente. 

Chão pisado tamanha dureza

gente frustrada sem outra opção

realidade invertida à natureza 

vidas reais em dissolução.

Enquanto se extingue a liberdade

prisão para os fugidos do campo

qual castigo e, desumanidade

à vida simples plena de encanto!

..........

maria g.



11 - Finita escada

Finita escada, onde me levará?

Subo até ao primeiro patamar,

Elevo o olhar, vendo o corrimão a par,

Penso a vida… O sonho me embalará.

Mais um lanço… Que me acontecerá?

No meu templo, a minha alma a contemplar

Verdades, instantes, aqui a brotar.

Será primavera? Me alcançará?

Sempre a subir, descanso em cada vão,

Sinto o vermelho a pulsar em amor,

Me motiva cada degrau a subir.

Vi-me a içar outros degraus, emoção!

Cada passo, entoo canção em louvor,

Com coragem, minha essência a emergir.

Mary Lai (Cidália Teixeira)



12 - DEGRAUS DO CÉU

Subo as curvas dessa íngreme escada

Levo o tempo as memórias, o amor e os sonhos

Às vezes passageira clandestina nesse meu caminho…

Como saber onde me levam os degraus do destino?

A vontade de ser tocada pela brisa dos dedos de Deus

No desejo ousado de, por um instante, alcançar o céu!

Nos braços dos sonhos a minha alma se entrega…

Nos degraus do firmamento entre o céu e a terra,

Meus olhos de infinito em visões de amor e ternura

Quedam-se, beijando as faces da lua

Subo as escadas da vida com os olhos do coração

Com a esperança de um girassol, sem olhar para o chão

A cada degrau, sinto que a vida é presente

Só me resta olhar o céu e viver plenamente!

@Fátima Arede

Todos os Direitos de Autor reservados nos termos da Lei 50/2004

De 24 de Agosto e 2ª versão (a mais recente) Lei nº 49/2015 de 05/06



13 - Descer ou subir ?

**

Perdida em alturas me vejo em confusão

Subo ou desço ? Se estou a meio caminho

Lá em cima ficarei do Céu muito pertinho

Mas prefiro o meu conforto em firme chão

**

Subindo a espiral uma esperança me sustenta

No cansaço da subida meu corpo em exaustão

Se nas alturas vou sentir esta aflição

Deixo em terra outra paixão que me alimenta

**

Quando um dia decidir o meu caminho

As voltas do labirinto irei vencer

Voltarei aos teus braços ao descer

E assim irei cumprir o meu destino

**

As mil voltas que o labirinto me apresenta

São as curvas para dar em vida minha

Sabendo que lá em cima se alinha

A solução para a dor que me atormenta

**

Gertrudes Dias



14 - A GRANDE ESCADARIA!

(3º Poema)

*****

Erguem-se as escadas em degraus de sonho

Feitas tanto de tempo, quanto de memória

Cada passo guarda um eco risonho

E em cada pedra, pedaços da história!

*****

Subo devagar, de coração atento

Sentindo nos pés, o peso dos dias

Nesse corrimão vou em passo lento

Seguindo com o sonho … feito fantasias!

*****

Em baixo talvez, haja alguma luz

Ou simplesmente perguntas no ar

Mas sigo, porque a vida me conduz

Sem que sequer tenha…outra volta a dar!

*****

E no tempo que demora a passar

Os degraus lembra-me o meu destino

Mas enquanto eu não páre de sonhar

Poderei continuar a ser menino!

*****

A grande escadaria não termina

E o sonho também não terminará pr`a mim

Escalá-la ou desce-la traz-me adrenalina

Somente por não lhe conhecer…o fim!


*****


“O Poeta Alentejano” - Renato Valadeiro

Todos os Direitos Reservados



15 - Sorridente na magia

Olhei para a escadaria,

Vejo um tal jogo da glória,

Sorridente na magia.

Inventei uma bela história,

Cada degrau, uma ampla ação

Que me leva à vitória.

Lanço o dado, alva emoção,

O meu sonho a pelejar,

Pra me dar satisfação.

Percorro sempre a galgar

Cada alvo instante da vida,

Pra de amor me alimentar.

Cada etapa tão vivida,

Trilho por onde tropeço,

Luz, em mim, demais cingida.

Escalada, o meu começo,

Altos e baixos, surgir,

Felicidade mereço,

Levantar, sempre sorrir.

Mary Lai (Cidália Teixeira)



16 - "Caracol de escadas"

Só de olhar me arrepia

Tanto caracol de escadas

Com as dores da minha bacia

Já nem a um lance chegavas

Tal era a tremenda picardia.

É lindo para o olhar se regalar

Um belo trabalho arquitetónico

Dá vontade apenas de olhar

Para descer e subir

Seria um verdadeiro pandemónio.

Ficarei apenas pelo enrolar

Que de cima para baixo olharia

Se descesse...

Uma grua teriam que me mandar

Para me içar, pois jamais eu subiria.

Mas irão certamente estudar

A forma de fazer com que se desça

Certamente só uma vez a contar

Tanta escadas a outro lugar pertença.

Lurdes Bernardo



17 - Algo de grandioso

Ocorre por aqui

Edifício majestoso

Confesso que nunca vi

A música de fundo

Parece que chama

Envia p'ro mundo

O convite da Fama

Primeira impressão

Um estádio de futebol

Vendo com atenção

É uma escada em caracol

Com curiosidade

Desci por ali

Espantoso na verdade

Em especial, quando subi

Grandes eventos organizados

Pobres e ricos com tradição

Descem escadas, os mais ousados

Falam os outros, sem confusão !

Laura Prates. 



18 - Labirinto de escadas

**

Encontrei um labirinto

Que subi por ser robusta

Só eu sei o quanto custa

Inda cansada me sinto

Subi as escadas não minto

Lá no cimo me encontrei

Tão perto do astro -rei

Da luz brilhante do sol

Que ao tingir o arrebol

Quase com a mão lhe toquei

**

O Céu de azul celeste

Brilhava á luz do sol -posto

Afogueando o meu rosto

Tantos degraus contornei

Nesta espiral invoquei

Da obra a sua razão

Para tanto subir em vão

Porque o chão já almejava

Aonde tu te encontravas

Estava o meu coração

**

Gertrudes Dias



19 - EU JÁ FUI A BUDAPESTE!

(2 º Poema)

*****

Eu já fui a Budapeste

Também te quero lá levar

Não sei sequer se já leste

Mas é lugar que se preste

Para um dia te mostrar!

*****

Toda a sua arte é Déco

Nessa grande escadaria

E sempre que eu lá vou

Qualquer Homem que a criou

Pôs-lhe logo sincronia!

*****

Existem de muitas cores

Brancas, azuis e encarnadas

Sem ter quaisquer ascensores

Digo que os seus construtores

Preferiam fazer escaladas!

*****

Quando for a dissensão

Faz-se com mais facilidade

Só apenas o ancião

Mesmo de bengala na mão

Sentirá dificuldade!

*****

Sei que a arte tu adoras

Por isso levo-te lá

E assim sem mais demoras

Já serão mais do que horas

De conceder-te esse alvará!


*****

“O Poeta Alentejano” - Renato Valadeiro

Todos os Direitos Reservados



20 - PERCURSO

.

A vida é uma escada

Com degraus, de felicidade… ou dureza

Pela idade delineada

Com início e fim, a uma mão presa

Até à subida da descontração

Não se pensa na escadaria

Nem na sua conclusão

Sobe-se, sobe-se… com alegria

Com castelos emoldurados

Tudo facilmente resolvido

Quer na mente, ou nos passos

Tudo surge, belo e colorido!

Até se faz uma corrida,

Sem conhecer dificuldade

Em paralelo com a vida

Disfrutando da mocidade!

Até os passos, serem tímidos e inseguros

Reconhecida, a altura e dificuldade

Quando de anos já maduros

Com um enorme peso…o da idade!

.

São Pereira



21 - Titanic

Com portas e janelas

nas escadas passadeiras

mãos rudes e delicadas

passos de damas solteiras.

Está na hora do chá das cinco

é necessário descer

descer a extensa escadaria

e no luxuoso salão conviver.

Lordes de braço dado

fumando charuto cubano

dão primazia às ladys

para tocarem piano.

Segue-se o jantar que delícia!…

ostras caviar em alabastros

a ânsia de Rose com laços

alguém a desenha em retratos.

O zig-zagueia do Barco de luxo

navega no Atlântico d’águas frias

corre sem medida e medo

destino da perda de vidas.

Amarras lemes e quilhas

tentam o barco desviar

dum enorme iceberg

que fez o barco despedaçar.

O pânico instalou-se

numa noite com estrelas

os botes o capitão ao mar lançou

num dos quais Rose se salvou.

16 Fevereiro 2026

Graciete Lima



22 - SUBIU

As escadas tinham luz

Eram altas,

Mas o fim o seduziu

Subiu

Subiu sem medo

Subiu

Subiu com destreza

Foi um sonho belo

No fim a luz forte

Seus olhos feriram!

Correram as lágrimas

Eram quentes

Eram ardentes

Pelo rosto desceram

Caíram faíscas

Ouviu-se a trovoada

A chuva caía desalmada,

Mas as escadas ali continuavam

E, subiu

Subiu com alegria

Porque no fim o Céu aparecia

Resplandecente

Era o seu SONHO de SEMPRE!!!

D. A. Reservados

Autora

Irene Matias



23 - A VIDA É UMA ESPIRAL

A vida é uma escada em espiral

cada degrau é aprendizagem

em busca da paz e da felicidade

em caminho espiritual

com audácia subimos em viagem

procurando dignidade e verdade

em trilho de eternidade

A vida é uma espiral

em degraus de nuvens cavalgamos

desde criança balançamos

na esperança e inquietude

em alucinantes sonhos

de chegar onde ainda nem sabemos

talvez lugares floridos risonhos

sem barreiras nem fronteiras

sem guerras sem trevas sem bandeiras

tonalidades de aromas tão diversos

o chão tem mil tons de verde

abundam os jardins dos poetas

e a poesia ali se encanta e se perde

e voa como as pombas e borboletas

e as músicas são divino acorde!

Fascinante promessa temporal

A vida é uma espiral…

Tiló Henriques



24 - O SOBE E DESCE DA VIDA

Assim é nossa vida

Um sobe sobe um desce desce

Sempre na luta

Sempre a correr

A maior parte das seres

Não sabe para onde vai

Vai vai com os outros vai

Sem parar sem pensar

Como a Marília que sobe sobe

Sobe a Calçada sem nunca parar

Pobre gente que não para escutar

Que não pensa por si

Que não decide por si

Tem o sistema a escravizar

Preza na teia não sabe sair

Sem outro caminho para seguir

Assim sobe sobe dá trambolhão

Outras desce desce se estatela no chão

Assim continua a escravidão

O coração cansado de tanta exaustão

Nesta vida de tribulação e emoção

Grita a alma por libertação!

Tiló Henriques



9-2-2026


28

1 -  TUDO TERÁ UM FIM 

.

Flutua como borboleta, seu corpo,

Quando com gosto se põe a dançar; 

Do peito, nasce um puro e leve sopro, 

Ansiando que o não deixem parar.

.

Veste seda que se funde na pele,

Incendeia plateias - vê-se a paixão

Vivos - o suor e sal, são sangue fiel,

Toca fundo o mais insensível coração. 

.

Até arrepia - tem a delicadeza dum sonho,

Cada gesto é um verso, cada salto uma rima. 

Tudo é poesia. Uma verdadeira obra-prima!

.

Finda a noite, esse ser luz, essa estrela divina, 

Com a alma cheia marcada pla sorte da sina,

Sabe, no último suspiro, o ato menos risonho!

.

RAADOMINGOS 


2 - Bailarina da lua

Movimentos alegres e vivos, com passos de elevação

Espírito livre que dança no compasso do coração!

Bicos de pés disfarçam feridas, mãos bonitas

Bailam com o vento, suaves asas de borboletas

Nas sapatilhas mágicas de dor e paixão

Rodopia um sorriso no rosto, sublime doçura no olhar

Em gestos primorosos de arte e determinação

Num cabriole, nos braços do vento, salta para o ar!

As estrelas embriagam-se na essência da sua rota

Rodopia, rodopia, até que as deixa tontas!

Os astros alinham-se só para a ver dançar

Na delicadeza passos, espalhando seu perfume no ar

No palco do Monte Celeste, protagonista principal

Na sua melhor performance, num espetáculo magistral!

@Fátima Arede

Todos os Direitos de Autor reservados nos termos da Lei 50/2004, de 24 de agosto.



3 - LINDA VOADORA

Não me canso de ver

Bailarina a descer

Numa dança veloz

Sem sequer dizer

Tem em seu poder

Alegria para nós

Desceu dos céus

Com recado de Deus

Um anjo dançando

Flutua sem medo

Não guarda segredo

Vem cantarolando

O milagre acontece

O sol aparece

A chuva termina

Pois o tal recado

Por Deus enviado

Traz benção divina !

Laura Prates. 



4 - SONHO DE MENINA 

Seu sonho de menina

e muita arte na veia

tornou-a bailarina

entre alguns lamentos

e privações, é realidade

hoje colhe, satisfação. 

Tem nos braços leveza 

num voo sem asas 

levantado do chão

leve como uma pena

no tule que volteia

a história de princesa. 

Tão leve e serena

que por momentos 

esquece a exibição 

julga-se ave real 

em plena liberdade 

pelo espaço sideral. 

.......... 

maria g.



5 - DANÇA DO ESQUELETO

Os pezinhos de mansinho

Ensaiaram uns passinhos

De dança.... Está bem de ver.

Que menina recatada

Tem que ser bem comportada

O sapato não gostou

Estava cansado de andar

Não queria entrar na festa

Começando a protestar

Mas a perna era teimosa

Não queria ficar parada

Só queria entrar na dança

E praticar a "lambada"

Fica o tronco curioso

Com vontade de avançar

Timidamente experimenta...

Logo ficou a gostar

Entra, então, já todo o corpo

A cabeça a comandar

O esqueleto já não pára

Lá vai a rodopiar. !!!

A Guardadora de Palavras

Fernanda Rocha

Direitos de autor reservados



6 - SENTIRES

.

Os sentires esvoaçando

Vão-se nas voltas libertando

Por qualquer janela aberta

Por onde sai a imaginação

Os pés deixam o chão

Voando… à descoberta…

.

Esvoaçam sentires libertos

De pernas e braços abertos

Em bailados de liberdade

Na leveza duma dança

Enquanto o coração balança

Com sincronizada vontade!

,

Leve como uma pena…

Na amplitude serena

Com entrega e paixão

Quando tudo vale a pena

E, a vontade não é pequena

Balança o nosso coração!

.

São Pereira



7 - CORPO LEVE

(3º Poema)

*****

Corpo leve

Pés no ar

Tudo descreve

Esse balançar!

*****

Perna esticada

Braços abertos

Forma delicada

Movimentos certos!

*****

Pezinhos de lã

Assim tão suaves

Que numa mente sã

“Esvoaçam” como aves!

*****

Maillots e collants

De cetim, sabrinas

Fazem nesses clãs

Melhores bailarinas!

*****

E toda a leveza

Tal como em criança

Mostram a riqueza

Que há nessa dança!

*****

“O Poeta Alentejano” - Renato Valadeiro

Todos os Direitos Reservados



8 - SONHOS COLORIDOS

Na solidão da manhã manhã

Os sonhos dançam à solta

São meninos bailarinos

Voando no pensamento

Alegrias e lamentos

que se sentem a crescer

Qual flor bem plantada

No peito à desfilada

Na mansidão da paisagem

Parto de novo em viagem

Levando dentro do peito

aquela luz

Que me ensina o caminho

Abro-me inteira

Como se fosse flor

E recebo aquele amor

Que se oferece sem rodeios

Vibrante de belas cores

São meus sonhos coloridos

De gargalhadas vestidos

A Guardadora de Palavras

Fernanda Rocha

Direitos de autor reservados



9 - O BAILADO

.

Gostaria de ser bailarina

Para o meu corpo voar

Arte de imensa disciplina

Espetáculo de encantar.

.

Gostaria de ser bailarina

O balé é arte de embalar

Arte de muita disciplina

Meus olhos ficam a falar.

.

Gostaria de ser bailarina

Para o meu corpo voar

Corpos, intensa adrenalina

Esbeltos, bonitos de exortar.

.

Se um dia fosse bailarina

Seria como uma ave no ar

Voaria de forma genuína

Leves piruetas nesse voar.

.

Funchal, 9 de Fevereiro de 2026

Cecília Pestana



10 - A Bailarina!

A bailarina, leve como uma flor

No palco um sonho cheio de amor

Com graça e elegância, ela se move

E a cada passo, o mundo comove.

*

Seus pés deslizam, em perfeita harmonia

Em cada giro, uma nova magia

A bailarina, um ser de luz

Que encanta e emociona, conduz.

*

Com leveza e paixão, ela dança sem parar, 

Em cada movimento, um novo lugar. 

A bailarina, um exemplo a seguir, 

Com a dança, ela faz o mundo sorrir.

@Carmen Bettencourt !



11 - A alegria da dança

**

Alegre por natureza

Seja no palco ou na vida

A vocação está cumprida

E nela põe a certeza

Sua grande ligeireza

Dá -lhe asas para se elevar

Só quando o chão vai pisar

Vê dos sapatos o brilho

Sempre seguiu este trilho

E atrás não quer voltar

**

Já a dança a cativou

Seu corpo é templo sagrado

Num altar imaculado

A dança depositou

O seu lugar conquistou

Assumindo o seu bom gosto

Ensaia á luz do sol -posto

Á noite faz delirar

Quer o mundo cativar

Num lindo luar de Agosto

**

Se o mundo se fosse opor

Á sua dedicação

Voltava a pisar o chão

Da dança sempre ao dispor

Seja ao frio ou ao calor

Só dançar a satisfaz

Enfrenta tudo , é tenaz

Tem uma força interior

Que incentiva no louvor

Só a dança lhe dá paz

**

Gertrudes Dias



12 - É Bom Dançar!

É bom dançar, soltar o corpo e a alma

Sentir a música, que acalma

Esquecer as mágoas, as dores e o dissabor

E deixar a dança mostrar o amor.

*

Rodopiar, girar, em passos ligeiros

Em cada movimento, novos pensamentos

A dança liberta, traz alegria e paz

E faz a vida sorrir, cada vez mais.

*

É bom dançar, sem medo de errar

Com o coração leve, pronto para amar

Em cada ritmo, uma nova emoção

Em cada passo uma linda canção!

@Carmen Bettencourt !



13 - ESSA TUA DANÇA!

(2º Poema)

*****

Essa tua dança

Talvez seja herança

De um sonho antigo.

Só por te admirar

Também eu quis dançar

Um dia contigo!

*****

E essa bailata

Fez-te ser “gaiata”

Na dança da vida.

Onde eu tive sorte

De ver o teu porte

De mulher destemida!

*****

Porque esse bailado

É do meu agrado

E o teu corpo voa.

E até tens leveza

No corpo a destreza

Nessa dança boa!

*****

Pernas no ar, peito afora

Sapatos de meia-ponta

A dança se comemora

Sempre que alma assim chora

Quando tal arte desponta!

*****

E nós os dois nessa dança

Jamais há o que nos cansa

Pois gostamos de dançar.

No ballett ou corridinho

Importa é nosso carinho

Tendo Deus a abençoar!

*****

“O Poeta Alentejano” - Renato Valadeiro

Todos os Direitos Reservados



14 - Leve no Balé...

Leve no balé, um corpo que voa acima

Em cada passo a alma se aproxima

Com graça e leveza, a dança se encontra

Em cada movimento a vida se mostra.

***

A música embala, e o corpo responde

Em cada giro a alma se esconde

Leve no balé, um sonho a realizar

Em cada passo, a vida a celebrar.

***

Com paixão e entrega, a dança é a lei

Em cada movimento, um novo rei

Leve no balé, a vida a fluir

Em cada passo, o prazer de sorrir.

@Carmen Bettencourt !



15 - Bailarina num evento

Dança clássica, o talento

Brilho, no palco, real

Flor rodando em tal portento.

Bailarina num evento

Postura tão triunfal

Dança clássica, o talento.

Sonho na cena que enfrento

Caixinha... dança viral

Flor rodando em tal portento.

Suaviza este momento

Pela noite cultural

Dança clássica, o talento

Fascínio sempre em aumento

Balé num bel ritual

Dança clássica, o talento

Flor rodando em tal portento.

Mary Lai (Cidália Teixeira)



16 - TU QUERIAS SER BAILARINA!

(1º Poema)

*****

Em teus sonhos de menina

Tinhas um especial

Tu minha musa divina

Querias ser bailarina

Com teu ar angelical.

*****

Pondo-te em bico dos pés

Esse teu sonho profundo

Leva-te de lés a lés

Só para mostrares quem és

Nos maiores palcos do mundo!

*****

E em toda a coreografia

Nos teu movimento eleito

Só pela tua alegria

O teu coração cabia

Cá dentro deste meu peito!

*****

Num adágio(1) ou promenade(2)

No alegro(3) ou no tendu(4)

Mostrando a tua beldade

Com toda a autenticidade

Logo eu via que eras tu!

*****

E num perfeito ballet

Sempre com a precisão

En dehors(5) ou em plié(6)

Nunca perdeste essa Fé

Que trazes no coração!

*****

Notas:

(1) - Exercícios lentos e sustentados

(2)- Giro lento sobre uma perna

(3)- Saltos rápidos, pequenos ou grandes.

(4)- Esticar a perna para a frente, lado ou trás, ficando a ponta do pé no chão.

(5)- Rotação externa das coxas, crucial para evitar lesões

(6)- Flexão dos joelhos para aquecer e alongar

“O Poeta Alentejano” - Renato Valadeiro

Todos os Direitos Reservados



17 - Bailarina

Tinha uma caixa de música

na tampa uma bailarina

sumiu-se numa gaveta

é melhor deixá-la esquecida.

As minha mãos de menina

rodavam nela e mexia

davam-lhe corda e dançava

enquanto ela vivia.

Saudosamente recordo

um ballet de mil cores

que na minha vida inteira

foi um dos meus amores.

Dançava a minha alegria

nos meus olhos de menina

dançava a bailarina

em pontas e música divina.

Vestia saia de tule

num lago de luz ao luar

as pontas eram de seda

fixas num pedestal.

9 Fevereiro 2026

Graciete Lima



18 - "Bailo" 

Sou dançarina do tempo

Numa dança arrojada

Se me voa o pensamento

Minha dança é aprumada.

Bailarina nunca soube ser 

Mas dançar é uma emoção

Sempre dancei com prazer

Me entreguei de coração.

A dança me eleva ao colo

Do meu amado instante

Num romance desde o solo

Que me deixa hilariante.

Bailo de noite e de dia

Com amor e devoção

Seja em perfeita sintonia

Ou simplesmente paixão.

Lurdes Bernardo 



19 - "Dança comigo "

Neste espaço de tempo atormentado

Há dança em mim.

Espargata num passo cadenciado

Flores sedentas de um novo jardim.

Ramos de partículas coloridas

Cheias de vida e engrandecimento

Pétalas macias e rendidas

Musicalidades de um feliz momento.

Danças numa esplanada de café

Entrelaçadas em contentamento

Onde o amor profundo é

Um esplendor que vem de dentro.

Saltitando nas passarelas da vida

Vivendo cada instante com suor

Em cada cadência desprendida

Plena de liberdade e alguma dor.

A festejar contigo quero estar

Tamanha criatividade e emoção

Dançarina que não sai do seu lugar

Não sobrevive à dança com paixão.

Lurdes Bernardo



20 - SONHEI SER BAILARINA

Ser bailarina sonhei:

nos bicos dos pés, deslizar

e por um instante imaginei

que assim poderia voar. 

Meus braços eram asas abertas,

voando num corpo leve e sereno,

sonhando nas horas certas,

dançando, desenhando o pleno 

Contorno estrelas, abraço a lua,

nesse vai e vem de sonho,

enquanto a magia continua,

invento um mundo feliz, risonho. 

Um céu azul me veste o instante,

em cetim de luz e emoção,

deixando no espaço um rastro brilhante 

voando, dançando esqueço o chão,

Celestina Esteves



21 - Balé no voo do cisne

Mote:

Ser bailarina o meu sonho

Balé no voo do cisne.

Glosas:

Em bicos de pés, risonho...

Fluidez de movimentos,

Tão precisos e portentos,

Ser bailarina o meu sonho,

Domínio no meu entressonho.

Bela coreografia,

Figurino e fantasia,

Música me faz saltar,

Num tão subtil aclamar,

Balé no voo do cisne.

Fino tecido vigonho,

Na bainha do meu corpete

A saia como compete,

Ser bailarina o meu sonho,

Nunca se torna enfadonho.

Arte linda, o meu fascínio,

Em postura e autodomínio,

Bailado tão belo e mágico,

Em mim real, nada trágico,

Balé no voo do cisne.

Mary Lai (Cidália Teixeira)



22 - A BAILARINA

Hoje a Cinderela

Subiu pelo ar

Os sapatos dela

São p'ra admirar

Voando no espaço

Leve e sedutora

Não sente cansaço

Arte promissora

Irradia luz

Em gestos suaves

O vento a conduz

A um bando de aves

Elegância e mestria

Sorriso no rosto

Não é utopia

É lugar de Agosto

Nas nuvens bailando

É muita magia

Devo estar sonhando

Neste Lindo Dia !

     Laura Prates



23 -  A MÚSICA FAZ-ME VOAR

Na sala o gira discos tocava

uma valsa doce e calma

Eu sonhava ao sabor da música

Voava nas asas dos acordes

encantados

E desejava conhecer o País dos

meus sonhos

Onde a música nascia como água

A cantar num doce amanhecer

Iria até Viena, cidade da música

E dos melodiosos artistas

Escutava um concerto de Chopin,

Mozart e de Vivaldi

Voaria nas asas da fantasia

Invocava Bach

Para me ensinar a tocar

Essas maravilhosas sinfonias

Sentiria no peito aquela doce

alegria

Que me faz vibrar e sonhar

Em recolhimento sentia...

A música faz-me voar

A Guardadora de Palavras

Fernanda Rocha

Direitos de autor reservados



24 - A nova arte

Bailado contemporâneo, a nova arte,

Liberdade, criação e inovação,

Ações e estética em tal conjunção,

E com o seu fã público reparte.

A mistura de estilos: à lá carte,

Numa tão bela experimentação,

Dança aparece, força em criação,

Visão surreal, o sonho o estandarte.

Dá ao bailarino autonomia,

De a coreografia improvisar,

Transforma instantes reais em virtuais.

Seu corpo parte integrante - a magia,

Equilibra a cena: amar e criar

Momentos mágicos demais virais.

Mary Lai (Cidália Teixeira)



25 - BAILARINA VOADORA

.

A bailarina voa mas sem motor

A saia é gigante que grande fulgor

Parece que a gravidade não tem valor

Mas a aterragem... ai, que dor

.

Com a perna no ar tipo gafanhoto

Faz poses estranhas parece um robô

O cabelo rapado que estilo esquisito

Parece que a dança a deixou num sobressalto

Quase a tocar o teto num salto final

O fotógrafo clica que momento genial

Esperemos que o chão não seja fatal

Senão acaba a dança num hospital

.

José Martinho



26 -  A bailarina

**

No seu sonho esvoaçando

Seus sapatos de cristal

Devagarinho pisando

Vai uma dança ensaiando

Tão leve como um pardal

**

Pé -ante -pé que está só

Sozinha quer lá estar

Vai dando mil voltinhas

E todas as manhazinhas

Vai sua dança ensaiar

**

Espreita o sol de mansinho

Não se vá ela assustar

Vão os seus pés deslizando

Suas roupas flutuando

Quando se eleva no ar

**

E na dança em rodopio

Despe as vestes de criança

Ao abrir seu peito á esperança

Vai correr o desafio

Na vida fazer mudança

**

Gertrudes Dias



27 - A minha vocação

**

Se eu tivesse que mudar

Esta minha vocação

Só a dança me dá gozo

Feliz é meu coração

Eu não quero viver triste

A dançar não vivo , não

**

Aspiro subir ao mais alto

E na dança me elevar

Devagarinho pisando

Vou o meu sonho alcançar

Só tu me dás sina minha

Esta ideia de pensar

**

Vou conquistar meu lugar

Ao elevar -me do chão

Vou cumprir o meu destino

Nesta doce tentação

E um dia ter o mundo

Na palma da minha mão

**

O sonho comanda a vida

Eu comando o meu pensar

Vou seguir este caminho

Na dança rodopiar

Com ligeireza nos pés

Irei na dança singrar

**

Gertrudes Dias



28 - COMO UMA GARÇA

Há no palco vazio

uma penumbra silenciosa ,

qual mar, no ocaso do dia,

em maré vasa e sombria…

Aguarda o chegar bonançoso

da alvorada clara e musical para

despertar.

E chegou,

De asas leves

Pisar subtil

Esvoaçando em livres lances

ao sabor do sussurro das brisas,

ao ritmo dos arpejos de cada rajada

em movimentos de garça:

Ondulantes

Sinuosos…

E no seu planar oscilante,

Sobrevoa o palco e,

mergulha docemente

nas sombras,

no silenciar

da música.

Manuela Vaz de Carvalho





2-2-2026


23
1 - A LINDA LISBOA 
.
Cidade de costumes calorosos,
Têm os transeuntes a linda Lisboa;
Ninguém se sente só, quando na rua ecoa 
Risos, cantigas e afetos gostosos.
.
Se procuras momentos maravilhosos,
Tens o crepitar que nas noites ressoa,
Sardinha assada que plas mãos se escoa 
Entre cestos de pão e vinhos generosos!
.
Com o Sto. António a abençoar altares 
É ela a rainha das festas genuínas;
Das marchas, dos arrais e dos cantares 
.
E se enamorada, arrasta-se plas esquinas,
Faz dos becos os seus principais pares, 
Dando a impressão que dança entre colinas!
.
RAADOMINGOS 


2 -  "Raridades" 
São trabalhos manuais
Que com gosto se executam
Ficam lindos por demais
Por fora pintados exultam.
Gosto muito destes trabalhos
Feitos com muita mestria
São bonitos e muito práticos
Para usos do dia a dia.
Trabalhos feitos por artesãos
Que dão muito jeito para guardar
Coisas que são feitas à mão
Para a casa também embelezar.
Julgo que são feitos de vimes
Cortados ao pormenor
Peças bonitas trabalhadas defines
De uso doméstico ou decorador. 
Lurdes Bernardo 


3 -  OBJETOS SIMPLES
.
Este cesto castanho feito de palhinha
É perfeito para guardar o pão quentinho
Ou talvez as frutas lá na cozinha
Acolhe tudo com carinho e jeitinho
.
A esteira colorida redonda e bela
Serve de toalha para um bom piquenique
Ou até de tapete para a casa amarela
Trazendo alegria sem ser muito chique
.
São objetos simples que a gente usa
No dia a dia com facilidade e amor
A arte do povo que o tempo recusa
Esquecer mostrando seu valor.
.
José Martinho.


4 - O ARTESÂO
.
O artesão é um criador
Cria peças com amor
À verga. palha e vime, a utilidade
É um perito sim senhor
De produtos manobrador
Sem recusa na idade!
.
Tudo sai na perfeição
Tem os modelos na mão
Tudo dali sai perfeito
Dá gosto a observação
Pra ver trabalhar o artesão
Dando as voltas e o jeito
.
As peças feitas com sabedoria
Vende-las é uma alegria
Pro sustento assegurar
Numa enorme cestaria
Eu me lembro que havia
Um sem fim para comprar!
.
São Pereira


5 - O valor da simplicidade
**
O valor não se mede na simplicidade
Feito com bom gosto adoro o tricô
Na originalidade mais valor lhe dou
É artesanato e de utilidade
**
A palhinha varia e faz grande efeito
Para decorar não digam que é fútil
Alcofas e cestos, no trabalho é útil
E o cesto do pão na mesa dá jeito
**
Eu tento mostrar que em minha casinha
O artesanato tem sempre valor
Tapete amarelo , azul , outra cor
É tudo ao meu gosto porque a casa é minha
**
E já consegui aqui bem pertinho
Arranjar palhinha para trabalhar
Quando há dias vi na mão do vizinho
A palha ideal que eu queria comprar
**
Gertrudes Dias


6 - ESTA LINDA CESTARIA!
*****
Esta linda cestaria
Com a qual fico encantado
Nunca eu próprio a faria
Porque o meu jeito é falhado!
*****
Cestos em cores naturais
Assim tão bem coloridos
Em tons rosa, divinais
Pr`a me alegrarem os sentidos!
*****
Para que servem então?
Para a fruta e prós legumes
Para colocar o pão
Ou mesmo ao que te acostumes!
*****
Bases de mesa, pr`a sopa
Que ainda esteja assim quente
Um maior pr`a pôr a roupa
Que sempre é mais potente!
****
E nesses que estão tapados
Algo se esconde afinal
Por isso há que ter cuidados
Pode ser cobra letal.
*****


“O Poeta Alentejano”- Renato Valadeiro
Todos os Direitos Reservados


7 - FÉRIAS NO MÉXICO
Numas férias com o meu marido
Visitei o lindo México
País muito colorido
Também foram alguns amigos
Num prazer retribuído
Foi no mês de Novembro
O mês em que se veneram os mortos
Que os mexicanos celebbram com
muita alegria
Há danças e cantorias
P'las ruas da cidade
Muita cor e fantasia
Vestem-se de cores garridas
Levando presas no avental
Caixas de palha pintadas
Onde guardam as oferendas
Que aos defuntos oferecem
Qual prenda celestial
A Guardadora de Palavras
Fernanda Rocha
Direitos de autor reservados


8 -  Abanico
Abanico colorido
feito e pintado à mão
É um lindo arco-íris
Magia d’um artesão.
Abanico é lindeza
Abana numa tarde de verão
Seja na mão de uma princesa
Bebendo refresco de limão.
Abanico também dança
Numa dança sevilhana
Máscara de carnaval
Numa cidade italiana.
Abanico de palha com asa
Voa no Danúbio azul
Abana as Damas em casa.
2 Fevereiro 2026
Graciete Lima


9 - Arte à mão
Artesanato, arte à mão de trabalhar,
Matérias primas singelas para o fabrico,
Palhas, folhas palma, junco, vime, os aplico,
Cestos, capachos abanicos… entrançar.
Com amor, as palhas secas a preparar,
Naturais, coloridas, assim, me dedico,
Obras de arte simples, nelas meu dom pratico,
Fascinada por estes saberes herdar.
Fui, assim, à feira do fumeiro a Vinhais...
Uma banquinha com os artigos exponho
Os abanicos, o artigo mais procurado.
Fogo atear…secar as carnes nos varais
Esta minha arte, só possível no meu sonho
Cruzar as palhas e fazer-lhes rendilhado.
Mary Lai (Cidália Teixeira)


10 - ARTESANATO É ARTE
Comprei numa linda feira
Lá prós lados do Alentejo
Cestas de palha entrançada
Lindas e muito bem pintadas
Numa beleza de cores
Invoquei os meus amores
Oferecendo-lhes uma cestinha
Muito bela e decorada
Gosto de passear pelas feiras
Admirar seu belo artesanato
Pintado e decorado à mão
Fico sempre extasiada
Com a enorme creatividade
Desses nossos excelsos artesãos
Artesanato é arte
Merece todo o respeito
Gosto de o apreciar
Até mesmo de o comprar
Louvando os artesãos
Que o "criam" a preceito
A Guardadora de Palavras
Fernanda Rocha
Direitos de autor reservados


11 - A minha casinha
**
Se eu tivesse uma casa, mesmo minha
Como eu gostava de ser eu a decorar
Teria o necessário , isto é fácil de dizer
Onde o artesanato teria sempre o seu lugar
Uma mesa com tudo a condizer
E nela teria a chance de trabalhar
Um cesto para os meus papéis meter
E a sala arrumada tinha sempre que estar
Cestos , pegas , tricotar é a minha vocação
Para mim tudo seria fácil de fazer
Nessa mesa haveria tudo o que preciso
Com bom material para trabalhar
Tudo a meu gosto teria que escolher
Artesanato é um gosto que em mim diviso
Nada melhor para assentar o meu juízo
Duas mãos , duas agulhas , tudo me iria dar prazer
Gertrudes Dias


12 - FIO A FIO
Trançadas fio a fio em tramas delicadas
Entrelaçando o tempo e as cores
Na arte de mãos dotadas
Em formas geométricas, desenhos e flores
Na magia do bem fazer, passando por gerações
Não deixam morrer as tradições
Sabedoria que perdura no tempo
Transformando a matéria em sentimento
Vai e volta, nas mãos calejadas do artesão
Em cada volta pulsa o coração!
A palhinha transformada em lindos certinhos
Enfeitam os nossos lares com amor e carinho!
@Fátima Arede
Todos os Direitos de Autor reservados nos termos da Lei 50/2004, de 24 de agosto.


13 - Feitos de verga
Por mãos habilidosas
Que a arte lhes entrega
Pra criar coisas maravilhosas.
O abano pra acender a fogueira, a lareira, o fogareiro, ou a churrasqueira.
O cesto pra ir à mesa
Recheado de pão
Para acompanhar a refeição.
Cores pra avivar
Efeitos com muita cor
Mãos autodidatas
Que trabalham com amor.
Florinda Dias.


14 - COISAS SIMPLES
Importâncias sem valor
de estima simplesmente
acrescentam-me fantasia
a meus olhos dão alegria
enchem-me a vida de cor.
Surgem-me sem procura
alimento para o coração
à beleza estou sempre atenta
elemento que sustenta
o meu Ser, de inspiração.
Deem-me a cor matizada
de imensa tela de vida
que é natureza colorida
da primavera renovada
pois dela, sou dependente.
..........
maria g.


15 - Raridades da Minha Terra
São raridades,vibrantes,da terra que se ama
Quadros de cores, que o coração inflama
Que cantam, a história contada, Quadros que mostram, a alma da estrada.
*
Vibrantes da terra que me viu nascer
Quadros de cores que me fazem renascer,
São a cultura do meu lugar,
Quadros que mostram o que quero amar.
*
Joias raras que o tempo não pode apagar
Como quadros que brilham e me fazem sonhar
Mostram a força do meu povo,
Eles pintam um futuro novo!
@Carmen Bettencourt !


16 - A VIAGEM
Subi a montanha
Mas ali não fiquei
Segui para Espanha
O porquê ? Não sei !
Entrei numa loja
Muitas cores garridas
Com montras vistosas
Bonecas... despidas ...
Na rua...a esplanada
Era outra visão
A palha é bordada
Em adereços de mão
Comprei várias peças
Sou muito exigente
Depois das conversas
De artigo atraente
Saí satisfeito
Com as compras que fiz
Deito-me em meu leito
Sorrindo feliz !
Laura Prates 


17 - Artesanato de África
Sim,a arte que África criou,
Mostrando, o que o povo amou.
Recipientes,um tesouro sem igual,
Como quadros que brilham, um dom natural.
*
Quadros que mostram o que o coração amou,
É a arte que a alma revela,
Tesouros que o povo criou.
E contam uma historia singela.
*
Um ledado de fé e de suor,
Enfim guardam o nosso valor,
Voz que o vento para longe leva,
Que mostram a força que eleva!
Carmen Bettencourt


18 - As Quimbalas!
Quimbalas, a voz da tradição,
Quadros de cores, que acendem a emoçã,
Quimbalas,um canto de fé e de amor,
Quadros que vivem,com todo o folgor.
*
De as tocar tenho saudade,
Nelas ver o mantimento
A grande realdade
Trago-as em pensamento.
*
São a beleza que a alma erradia,
São usadas com aquela alegria,
Tesouros que devemos guardar,
Como quadros que devemos amar!
@Carmen Bettencourt !


19 - Mãos ágeis
No atelier os trançados,
Mãos ágeis, feitos criados.
Natura a matéria prima,
Se apanha, seca e me anima,
Como se fosse bel rima,
Feitos aperfeiçoados.
No atelier os trançados,
Mãos ágeis, feitos criados.
Turista aprecia esta arte,
Pros artesãos baluarte,
Seus sonhos com ele parte,
Pelo mundo afortunados.
No atelier os trançados,
Mãos ágeis, feitos criados.
Mary Lai (Cidália Teixeira)


20 - É LINDO !
Uma imagem colorida
Que dá alegria á vida
É numa feira qualquer
Nela tudo se apregoa
Qualidade muito boa
Dirigindo-se á "Mulher"
Pendurados em estendais
Sacos, cestos e muito mais
Caminham de lés a lés
Do outro lado do rio
Têm outro desafio
Correria a "sete pés"
A arte, á disposição
Trabalhos feitos á mão
Há muita mercadoria
O povo tem muita sorte
Artigos de grande porte
Com muita sabedoria !
Laura Prates. 


21 - Este meu jeito
**
Sempre gostei de ir á feira
Tem tudo em variedade
Produtos de qualidade
Pelo chão , á nossa beira
E eu , de qualquer maneira
Gozava aquela aventura
Com curiosidade pura
Revia os cestos , as pegas
Eram lindas nas entregas
Vinham sempre em boa altura
**
Meu avô atrás de mim
Ria de curiosidade
Típico da minha idade
Uma feira é sempre assim
Os cestos tinham um fim
Para os produtos da horta
O dinheiro pouco me importa
Para a casa eram as prendas
Artesanato em oferendas
Alegria á minha porta
**
Se arranjava material
Imitava em perfeição
Tricotar minha eleição
E ficava sempre igual
Fazia uma cesta oval
Ou um suporte ao comprido
Estava sempre resolvido
Ficava um trabalho perfeito
Se para isso tenho jeito
Fazia todo o sentido
**
Gertrudes Dias


22 - MARAVILHOSA IMAGINAÇÃO
Por todo o Mundo me perco
Viajar e o meu lema.
Conhecer outros países
Apreciar sua arte
Que me oferecem sorrir
Nas férteis terras verdejantes
Ou no maravilhoso deserto
Seja no Vietname, no Perú ou
na Mongólia
A sua imaginação
Cria obras maravilhosas
Que tocam o coração
Na China, obras pintadas
De um puro azul turquesa
Que nos tempos mais antigos
Eram só p'rá realeza
Em papel de arroz se pinta
Doces e belas paisagens
Exaltando oamor
Como um hino à Natureza
Admiro as maravilhas
Criadas pela imaginação
Onde a sensibilidade se inspira
Com amor e emoção
A Guardadora de Palavras
Fernanda Rocha
Direitos de autor reservados


23 - ONDE A MÃO VIRA ARTE
Entre palhas trançadas nasce na mão,
Cada fio carrega uma emoção.
Tecem histórias de sol e de chão,
Que batem forte no coração.
***
Cestos guardam sonhos, cores e calor,
São arte viva a nos ensinar
Que cuidar também é um gesto de amor,
Feito de paciência, esperança e amar.
Celestina Esteves



JANEIRO

26-1-2026

22   

1 - ENTRE MEUS PLANOS 
.
Assim verdinho eu gosto, de resto,
Dói-me ver tudo cercado de arame;
Só quando não há escolha - ele e macadame;
É que por esse caminho me presto.
.
Mas este - de heras e odor que chega lesto,
Tem tudo para que os meus sentidos o ame;
Não há maior, coisa alguma que me chame, 
Que a natureza e família - pra ser honesto!
.
Recordo o tempo lindo dos dourados anos,
A idade que tinha e a que queria pra mim;
Os dias que me perdia em grande fantasia. 
.
Só ansiava que tivesse mais quatro ou assim,
Pra pegar-lhe na mão e dizer-lhe que um dia, 
Haveria de se encontrar entre meus planos!
.
RAADOMINGOS 


2 - O VERDE
.
Por entre o verde
faço a minha caminhada
sempre de cabeça erguida
na procura da outra margem
com voz na mão nunca perdida.
Caminho por entre a natureza
de tal beleza que ela contém
a vida dá sempre alguma leveza
traz a força que nos convém.
O verde que nos alimenta
assim como o verde esperança
traz frescura e imensa destreza
apazigua a alma e a mente.
.
Funchal, 26 de Janeiro de 2026
Cecília Pestana


3 - Meditando
Meditando pelo túnel da vida,
Ligação do maternal ao mundo,
Esp’rança no verde, sonho profundo
De chegar no tempo em brisa florida.
P’las vigias a luz entra esbatida,
Prima instantes surreais, no segundo,
Meu espírito feliz demais fecundo,
De amor, paz nesta terra prometida.
...
Passo a passo chego ao fim do trilho.
Aí, claridade tanto me ofusca,
O sol rindo da minha palidez.
Caminho contente plena de brilho,
Sensação duma forte dor tão brusca,
Me faz pensar na minha pequenez...
Mary lai (Cidália Teixeira)


4 - NESSE CASTELO!
(1º Poema)
*****
Nesse lugar encantado
Gostava de entrar um dia
Mesmo que envenenado
Tem plantas pr`a meu agrado
Que com medo…colheria!
*****
São flores vindas do chão
Raízes firmes na terra
E nas videiras que lá estão
Que nem lhes toque com a mão
Sempre que for à Inglaterra!
*****
Pois é nesse país lindo
Que há esse lugar tão belo
Girassóis e um “mundo” infindo
De tantas flores abrindo
Sempre que entras no castelo!
*****
Um corredor pr`a quem passa
Mas que passe com cuidado
Porque até achando graça
Pode haver uma desgraça
Depois de lhes ter tocado!
*****
Porque tal trepadeira
Ao parecer tão inocente
Torna-se do mal, parceira
Entrelaçada ou rasteira
Pr´a quem seu…veneno sente!
*****
“O Poeta Alentejano” - Renato Valadeiro
Todos os Direitos Reservados


5 - TÚNEL.
.
Um túnel vivo em folhas se desenha
Onde a luz brinca em tons de verde e ouro
O chão conduz a alma que caminha
Num silêncio que vale mais que um tesouro
.
Ramos curvados formam um abraço
Guardando o tempo lento do passar
Cada passo encontra o seu compasso
Num convite sereno a continuar
.
A natureza escreve sem voz nem tinta
Histórias feitas de sombra e clarão
E a curva ensina suave e distinta
Que o fim do medo é mudar de direção
.
Ali, o caminho não pede pressa
Só presença atenção e respirar
Pois quem aceita a beleza que começa
Descobre que viver é atravessar.
.
José Martinho.


6 - TÚNEL.
.
Um túnel vivo em folhas se desenha
Onde a luz brinca em tons de verde e ouro
O chão conduz a alma que caminha
Num silêncio que vale mais que um tesouro
.
Ramos curvados formam um abraço
Guardando o tempo lento do passar
Cada passo encontra o seu compasso
Num convite sereno a continuar
.
A natureza escreve sem voz nem tinta
Histórias feitas de sombra e clarão
E a curva ensina suave e distinta
Que o fim do medo é mudar de direção
.
Ali, o caminho não pede pressa
Só presença atenção e respirar
Pois quem aceita a beleza que começa
Descobre que viver é atravessar.
.
José Martinho.


7 - JARDIM DE PLANTAS VENOSAS!
(2º Poema)
*****
Jardim de plantas venosas
No interior de um castelo
Tal como as gentes maldosas
Até o perfume das rosas
Entre si…forma um duelo!
*****
Parecem flores sem pecado
Mas tal pecado, é mortal
Lá nesse sítio encantado
Está o castelo assombrado
Por um veneno ancestral.
*****
Pr`a que qualquer flor se toque
Há que ler o que está escrito
Senão ficará em choque
E com elas se sufoque
Pois afinal…não é mito!
*****
Em Inglaterra é assim
Pr` a quem tal lugar visita
Mesmo ao ser, lindo o jardim
Pode ser o nosso fim
Para mal dessa desdita!
*****
Então que haja cautela
Quando o quiser percorrer
Até quem por ele zela
O seu coração regela
Se tais plantas…não conhecer!
*****
“O Poeta Alentejano” - Renato Valadeiro
Todos os Direitos Reservados


8 - JARDIM INSTRUTIVO!
(3º Poema)
*****
Criou-o certa duquesa
Prós lados do Reino Unido
Para que por tal defesa
De alguma forma coesa
Se visse algum saber retido!
*****
Chamava-se Jane Percy
Em Itália se inspirou
Querendo mostrar que ali
Pelo cheiro que absorvi
A sapiência ficou!
*****
Plantas ainda que tóxicas
Eram conscientização
Apesar de mortais, narcóticas
Seriam nas nossas ópticas
Instrumento de educação!
*****
Elucidavam das linhas
Que as drogas podem trazer
Porque ao serem daninhas
Pode ser que te definhas
Acabando por morrer!
*****
Até uma planta venosa
Pode ter utilidade
Chegando a ser valiosa
De alertas de gente honrosa
Para os males … da sociedade!
*****
“O Poeta Alentejano” - Renato Valadeiro
Todos os Direitos Reservados


9 - O labirinto
**
O verde vesti
Aqui caminhei
E andei , andei , andei
Logo reparei
Com mais atenção
No fim desta estrada
Qual a solução?
Sigo o coração
Volto atrás no tempo
Ao som do lamento
Do verde das folhas
Meus pés já com bolhas
Feridos , cansados
Requerem cuidados
Que a estrada é comprida
Leva a minha vida
Por espaços errados
**
Quando amanhecer
Voltarei então
Para ver crescer
A flor em botão
E a minha atenção
Voltará para Deus
Tudo aconteceu
Pela sua mão
**
Gertrudes Dias


10 - Sem princípio nem fim
**
Esta estrada que me vejo a prosseguir
E um dia vai marcar o meu destino
Foi Deus que me escolheu este caminho
É por ele que tenho que seguir
Se de verde pensou em o vestir
Aqui vou soltar a minha gargalhada
Na planura que vejo nesta estrada
Será o meu adeus quando partir
Neste caminho a verdura vai florir
Porque o verde já formou uma latada
**
Quando vier a Primavera com flores
Vou sentar -me á sombra a descansar
Vou ouvir os pássaros a cantar
E sentir o ar impensado com odores
Vou esperar aqui os meus amores
Ou terei que andar ao Deus -dará
Mas voltar para trás não sou capaz
A estrada me levará ao meu destino
Não quero andar neste mundo em desalinho
Porque a vida tudo leva e tudo trás
**
Gertrudes Dias


11 - ALAMEDAS DO PENSAMENTO
Aprendi a dialogar com o silêncio
Que pode ser música, inquietação,
Intervalo de doçura, meu refúgio
Espaço onde me reconheço e consigo escutar o coração
Nos vales secretos onde habito
O céu veste-se de um azul profundo
O vento meigo sussurra lá bem no fundo…
Só a pureza do silêncio consegue falar o que sinto!
A chuva miúda dança com o tempo
Vestida de pérolas, insinua-se para o vento
Sem pressa caminho nas alamedas do pensamento
Vou no silêncio, viajo por dentro…
Às vezes cai a lágrima de chuva e tempestade…
No rir de um amanhecer manso, sem alarde
Na paz do silêncio me quedo, pertinho da vida
Sem pressa caminho nas suas alamedas floridas!…
@Fátima Arede
Todos os Direitos de Autor reservados nos termos da Lei 50/2004 de 24 de Agosto
e 2ª versão (a mais recente) Lei nº 49/2015 de 05/06


12 - Labirinto encantado
Numa linda tarde de verão
vesti um vestido de chita
com saia rodada bonita
e de bandelete catita.
Vaguei ao encontro do sol
templo que não é um altar
rios de folhas eu vi voar
o vento as levou para o mar.
O destino marcou a hora
do que se pode sonhar
o meu amor fui encontrar
Com belas flores pr’a me dar.
Jogamos à cabra-cega
num labirinto encantado
caminhando lado a lado
o qual não pude olvidar.
Não houve muitos rodeios
felizes fomos inteiros
com segredos e devaneios
encantados feiticeiros.
26 Janeiro 2026
Graciete Lima


13 - Porque será ?
Percorri este caminho em minha vida
Curiosa sem saber qual o destino
Onde será que me leva este caminho?
Com tanto verde é paisagem colorida
**
Será para o mal ou para o bem ?
Vou reparando na verdura plantada
Pode ser ideia minha ou não ser nada
Mas não sei se tudo isto me convém
**
Irei mais além cumprir a minha sina
Não vou ficar e perder o meu alento
Quero saber se o pensamento que sustento
Ou tanta verdura é um mal que contamina
**
O que irei encontrar do outro lado ?
São perguntas que faço em minha mente
Se esta paisagem não me é indiferente
Porque tenho este gosto tão amargo ?
**
Gertrudes Dias


14 - Entre o verde
Passeio entre o verde
que me é caminho
onde às vezes me falta horizonte
no verde esbatido dessa fonte
onde bebo a ilusão
de outro destino.
Não esqueço a cor dos olhos
que refrescaram a secura dos meus
mas, logo ficou nítida
a encruzilhada dos escolhos
desse enorme desatino
do verde dos olhos teus!
..........
maria g.


15 - TUNEL,
.
Num túnel verdejante
Circulei a imaginação
Fiquei perto do distante
Em pura contemplação!
.
Imaginei uma aparição
D`alguém sorridente e feliz
Ao seu amor dando a mão
Fazendo o que o coração diz!
.
Num quadro deslumbrante
Emoldurado pela natureza
Com paixão no semblante
No coração, tanta certeza!
.
Nunca é tarde nem cedo  
Para ao amor dar lugar
Da felicidade não há segredo
Ela se faz anunciar!
.
São Pereira


16 - Entro no túnel floral
Mote:
Ando p’lo parque real…
Sonho, no túnel, viagem.
Glosas:
Entro no túnel floral,
Poucas flores, nele avisto,
Neste tal tempo imprevisto.
Ando p’lo parque real…
Meu espírito algo ancestral
Me guia com retidão,
Nos arcos sinto a emoção,
O silêncio, odor e paz,
Torna, assim, minha alma audaz…
Sonho, no túnel, viagem.
Passagem imperial
Onde se acalma o meu ser,
Confusão, quero deter,
Ando p’lo parque real…
Nesta tão bela espiral,
As trepadeiras dão vida,
Em primavera cingida,
Alegra o meu mel momento
Repleto de sentimento…
Sonho, no túnel, viagem.
Mary Lai (Cidália Teixeira)


17 - Os ninhos
A Primavera chegou
Já os dias são iguais
Crescem despreocupados
Com a verdura nos varais.
Parreiras sobem levemente
Tecem fios nos estendais
Juntos prometem abrigos
aos ninhos dos melros e pardais.
Como mantas de seda
Fartas de puro aconchego
Também têm fartura
De sombra calor e sossego.
As andorinhas voam felizes
as rolas enrolam o canto
desejam fazer os seus ninhos
Para pôrem os ovos entretanto.
Vi searas tāo férteis
Sem secura nada têm
Vejo nesta verdura
Ninhos feitos de escultura.
26 Janeiro 2026
Graciete Lima,



18 - CÂNTICO À NATUREZA
Olho a Natureza
Templo sagrado matizado de cores
Explosão de alegria
Abrindo seus braços
Ao sonho e ao amor
Árvores, flores e pássaros
Cantando nas matas sem fim
Cantos de alegria que alegram
o dia
Enchendo os jardins de doces
sinfonias
Cânticos de amor
Preenchendo a nossa vida de
profunda beleza
Grito de liberdade
Num hino à Natureza
A Guardadora de Palavras
Fernanda Rocha
Direitos de autor reservados


19 - Passagem encantadora
Passagem encantadora a miragem
Onde demais passeio a minha essência,
Meu espírito renova a sua roupagem,
Equilibrando a real existência.
Verdura odorosa a contemplação,
Luz esbatida, ilumina a emoção.
P’la simples vigia o passarito entra…
Feliz pelo pulcro acontecimento,
Ninho na verdura, algo me desperta.
No alto da espiral muito bem zelada,
Sua casa do tempo resguardada.
Neste túnel a luz tão clara alerta
Que tudo nele é sem fingimento,
E o meu mistério aqui bem se concentra.
Mary Lai (Cidália Teixeira)


20 - CATEDRAL VERE
Em reflexão
Nesta catedral verde onde os sons,
como orquestra afinada, soam de
uma forma melodiosa
Sinto!
Em recolhimento percorro-me por dentro
Vou-me libertando das lutas interiores
Das dores maiores que por vezes fazem
cama no meu peito
Aqui...
Nesta catedral onde me sento
Sinto-me vibrar, pulsar por dentro
Delicadamente
Um pássaro poisou perto dr mim
Debicando o chão na procura de
alimento
Desejei falar a linguagem dos
pássaros
Voar com ele na beleza do momento
Em recolhimento e na humildade de
que nada sei, cresci
Aprendi a viver
A Guardadora de Palavras
Fernanda Rocha
Direitos de autor reservados


21 - SENTIMENTOS E DIVAGAÇÕES
.
Sereno
Sentiu que a vida se lhe oferecia
em pleno
Olhou em volta e sorriu
Deixando-se acariciar pelo vento
Pelo cheiro quente da mata
Pelas flores silvestres
Que se abriam na beleza da manhã
Desejou saber pintar
Para poder transmitir o que
estava a sentir
Seus olhos perderam-se ba beleza
da paisagem
Abriu-se inteiro à vida que o
abraçava por dentro
Liberto de mágoas... Sorriu
A Natureza, na sua beleza, era o
seu alimento
A Guardadora de Palavras
Fernanda Rocha
Direitos de autor reservados


22 - O TÚNEL VERDE
Num túnel de arame coberto de verde
a luz vai caindo suave e natural
as folhas murmuram segredos que pede, 
a quem passa depressa, um olhar, leal
***
O chão de calçada sustém o caminho 
de passos antigos, gravados no chão,
cada pedra guarda um lento carinho 
de vidas que foram na mesma direção.
***
Caminho no centro desse arco fechado
onde o tempo abranda, na lentidão 
no fim do túnel, talvez seja o passado
ou apenas a luz pedindo atenção.
Celestina Esteves





19-1-2026

1 - A paisagem da serra
**
Se o sol faltasse naquela serrania
Ou a lua não lhe viesse dar alento
Se os pássaros não encontrassem alimento
Se a Primavera não lhe trouxesse a alegria
Só as árvores lhe faziam companhia
E nunca a serra teria valimento
**
Mas ela se fortalece a cada hora
Vai gemendo e vai cantando a solidão
Vem o homem a subir , em exaustão
Mas todo o cantinho ele explora
Só á noitinha desce a serra e vai embora
Voltará ao outro dia em prontidão
**
Colhe dela o necessário ao seu sustento
Olhando aquela luz do sol nascente
Ao outro dia tudo será diferente
As árvores vão dar fruto e alimento
Trabalhar gera o seu contentamento
Porque a Natureza do trabalho é consciente
**
Gertrudes Dias


2 - METÁFORAS DE VIDA
No ocaso do dia
Uma cancela de luz
Derrama-se na mata
Folhas e raízes urdem um tapete fofo
Lugar calmo convidando a meditar
Só o canto dos pássaros quebra o
silêncio
Sem me aperceber, tinha parado
Envolve-me uma luz quente
Retrocedo no tempo
Deixo cair pedaços da alma
Escorrega-me do peito uma
saudade mansa
Em comunhão com o Natureza
Percebo
A dor e a alegria são uma metáfora
É necessário abrir a alma e perceber
todo o seu sentido
A Guardadora de Palavras
Fernanda Rocha
Direitos de autor reservados


3 - Estremeço em fascínio…
Debaixo do arco, repleto de vida,
Penetra no meu olhar luz em clarão,
Estremeço em fascínio com visão,
Sol se ergue! Calor e luz prometida.
No horizonte cósmico ampla guarida,
A essência se desdobra em gratidão,
Forças que conjugam intuição,
Caminhando alegre e tão protegida.
Vem a águia e comigo num bailado!...
Surreais os quereres encontrados,
Respeito a energia sublime que une.
Poiso na árvore, instante sonhado!
Ela estende os braços esverdeados,
Natura harmoniosa que não pune.
Mary Lai (Cidália Teixeira)


4 - ÁRVORE SOZINHA
.
No meio da rocha a árvore sozinha
Resiste ao tempo e ao sol que a ilumina
O horizonte arde em fogo e esplendor
Num quadro de paz e um vibrante calor
.
O tronco escuro silhueta viva
Contra o sol que brilha canto sagrado
Na terra árida a forma pensativa
De um guardião fiel antigo e amado
.
O céu laranja acende a natureza
Um espetáculo que a vista alcança
Tanta força e calma tanta beleza
Que no olhar de quem vê a alma descansa
.
José Martinho.


5 - O ESPETÁCULO
O raiar do dia é um espetáculo
Nessa junção da noite com o amanhecer
É uma beleza sem explicação
Aflora a nossa inspiração.
Momento que enaltece
Com seus raios alaranjados
Chega e nos contagia
Numa doce e perfeita sintonia.
Como é belo olhar o horizonte
Quantos caminhos foram trilhados
Até aparecer atrás do monte.
Um momento que vem humanizar
Às turbulência do dia a dia
O Sol tem o poder de nos hipnotizar.
Autoria Irá Rodrigues


6 - ONDE MINHA ALMA FLORESCE
.
Solitária, sobrevive a árvore antiga, 
Seus ramos recortam o céu imenso, 
A seiva ainda pulsa em ritmo intenso, 
Guardando a vida que nela se abriga. 
.
A sombra também acalenta gente amiga, 
Enquanto a luz se extingue no firmamento;
As folhas descansam do movimento, 
E o campo em paz do burburinho se desliga. 
.
Quando o sol se põe em cores d' ouro e rubi, 
A ramagem incendeia a encosta serena; 
Sinto que a minha alma aqui sorri.
.
Nada troca esta chama que me acena, 
Nem cidade, nem pressa, nem o que já vi;
Pois sou raiz, sou caule, sou terra plena!
.
RAADOMINGOS 


7 - ATÉ ISTO É POESIA!
(3º Poema)
*****
Até isto é um poema
De beleza extrema
Que me traz feitiço.
Esse reluzir
Deixa-me cingir
E ser submisso!
*****
Até isto é poesia
Que o olhar irradia
Ante tal beldade.
Pois cada estrofe
Faz que eu filosofe
Essa realidade!
*****
Até isto é lira
Que o Cosmos conspira
Para nosso bem.
Cada letra afina
A cor que fascina
E me faz refém!
*****
Até isto é esperança
Pr`a que uma criança
Possa ver o Universo
De forma diferente
Onde o Ser vivente
Não ande disperso!
*****
Até isto é vida
Que traz de seguida
Um outro caminho.
Porque a Luz é oiro
E esse tom de loiro
És tu…que és meu ninho!

*****


“O Poeta Alentejano” - Renato Valadeiro
Todos os Direitos Reservados


8 - LUGAR MÁGICO!
(2º Poema)
*****
Sinto haver magia aí nesse lugar
Onde eu pudesse um dia ir também
Sentir-me em consonância com o além
E com os meus antepassados…conversar!

Quisera eu, talvez poder contar
Quantas mudanças surgiram neste mundo
Agora feito de guerras, ódio e imundo
De gente sem bondade … a subestimar!

Que a luz que aí emana fosse a resposta
Pr`a que a humanidade estivesse predisposta
A essa necessidade urgente de mudar

E o fascínio que o Sol nos transmite
Deixasse que o Homem por limite
Não fosse impedido…de Sonhar!

*****
“O Poeta Alentejano” - Renato Valadeiro
Todos os Direitos Reservados


9 - PAISAGEM DE LUZ!
(1º Poema)
*****
Paisagem de luz
Sol celestial
A mim me seduz
Que os versos compus
De forma normal.
*****
Espelho de magia
Que “bate” na rocha
Traz tons de poesia
Misto de alegria
Que em mim desabrocha!
*****
Tudo é deslumbrante
Que até me proponho
Neste mesmo instante
Dizer que se garante
Parecer um sonho!
*****
Eu próprio me atrevo
Só para meu espanto
Propor-me e se devo
Subir por enlevo
A esse recanto!
*****
Pois tal radiação
Dá-nos o esplendor
De que um coração
Mesmo sem ser verão
Pode ganhar cor!

*****

“O Poeta Alentejano” - Renato Valadeiro
Todos os Direitos Reservados


10 - LINDA A NATUREZA
Imagem que marca
A minha imaginação
Que lembra sem data
O Poder da Criação
*
O Sol nasce iluminando a terra
Faz crescer a árvore mãe
É para nós uma quimera
E tudo, que imaginamos no além
*
Imagem que nos faz bem
Meu olhar a acaricia
A seus "filhos" também
Sensação de nostalgia
*
Contemplo o horizonte
Com muita alegria
Bebo água na fonte
E escrevo poesia
*
Sensação de paz interior
Usufruindo de tanta beleza
Derrama bênçãos de valor
Para um mundo, que vive na incerteza !
Laura Prates 


11 - Ó luz da vida
.
Vergo-me perante ti
ó luz da vida
nascente, terra, poente
luz do sol
resplandecente
Aurora em mim
principio meio e fim.
.
O mar em minha mão
desperta
silencioso navegar
ondas em tormento
ou simplesmente
em mim desliza
lágrima sentida
escorrida e lavrada
em teu rosto, ferida.
.
Meus sentidos vibram
em cada acordar
no olhar teu
desbravando o desmazelo
sonolento sangue a pulsar
cor rubra e quente
singela nascente
que sustenta a vida
na luz breve e vivida,
espanto meu
quando a vida se esvai
em pranto.
.
Partirei para lá
dos montes um dia
quando a púrpura luz
se desvanecer
no horizonte longínquo
do meu ser,
serei então brilho
pedaço saudoso de vida
que fui, em teu viver.
.
Cecília Pestana


12 - NOS RAMOS DESPIDOS
Baila o sol poente em doces enlevos
Convidando a alma ao recolhimento
A tarde caindo acalma a cidade
Esperando a noite feita de segredos
Perde-se o olhar na imensidão
por sobre as colinas em fundo dourado
As nuvens rosadas decoram o poente
Breves pinceladas de sonho encantado
Folhas em rodopio enfeitam o chão
Castanhas, douradas no Outono risonho
Quais meninas atrevidas dançando
ballet
São cores matizadas em tempo de
sonho
Sem folhas, as árvores abraçam o céu
Braços estendidos libertos de penas
Natureza pura mostrando segredos
Nos ramos despidos penduro poemas
A Guardadora de Palavras
Fernanda Rocha
Direitos de autor reservados


13 - O esplendor da Natureza
**
Se o sol um dia faltasse
Para dar claridade ao dia
Só solidão existia
E a Terra talvez mudasse
Se a sua luz não ficasse
Dando cor á Natureza
Tudo seria tristeza
O verde não mais tornava
E a árvore nua ficava
Não retornando em beleza
**
Onde a solidão existe
Amanhã é Primavera
Lá longe , o alto da serra
Sem o sol seria triste
Quando a mão de Deus persiste
Prospera todo o cantinho
A terra dá seu carinho
Que o homem sabe entender
Tudo dela vai colher
Com uma ajuda ou sozinho
**
Gertrudes Dias


14 - Juventude, sinto…
Presa no sol-pôr, a minha alegria
Juventude sinto, em extroversão,
Sentimentos confiantes, magia,
Criação plena de motivação.
Meu espírito sensível se fascina,
Como árvore, medito a admirar.
Ligação: dia à noite, aglutina,
Silêncio onde espraio o leal sonhar.
O jogo de luz, demais deslumbrante!
Se entranha na essência, pura e feliz,
Júbilo patente, alvo diamante,
Energia que gera a geratriz.
Natureza no auge, rara beleza!
Sorrisos, liberto felicidade,
Pela pequena, grande subtileza,
Que arrasa uma qualquer profanidade.
Mary Lai (Cidália Teixeira)


15 - A solidão da serra
**
Nasce o sol onde morava a solidão
Onde tudo é tão agreste e tão profundo
Perto do Céu, longe de tudo deste mundo
Fica a serra e a sua enorme vastidão
**
O sol nascente é tão intenso e tão brilhante
Só as árvores se sentem desprotegidas
Erguem suplicas que ao Céu são estendidas
Por do mundo se sentirem tão distante
**
E a Terra ao chorar tanta incerteza
Põe nos homens a esperança de algum dia
A inovação também ali faça magia
Em conjunto com a própria Natureza
**
Mas um dia se dissipa essa tristeza
Voltam os pássaros e constroem o seu ninho
A terra recebe sua companhia e o carinho
É a Primavera que a reveste com beleza
**
Gertrudes Dias


16 - DOÇURA DE UM BEIJO
A lua adormece embalada pela flauta dos anjos…
O sol desperta meu coração com a doçura de um beijo
Dourando de vida o templo da terra
Renasço a cada amanhecer como flor de primavera
Suspiro o amanhecer na varanda azul do firmamento
Solto o dourado dos cabelos, entrego-me ao vento
Assobia, rodopia, dança, passa por mim atrevido
Leva-me ao colo, enrosca-se no meu vestido…
Até que cai a chuva, ornada de pérolas e diamantes
Macia, miúda, exibe-se para o vento, enciumada
Na doçura de um beijo que escorrega no horizonte
Vento, sol, chuva, arco-íris, de que é feita a madrugada?
Talvez seja feita de azul, um dia perfeito e limpo
Desperta no coração a luz que atravessa o tempo
No infinito de mar e céu galgo a montanha dos sonhos
Na doçura dos rios que correm no peito desbravo caminhos!
@Fátima Arede
Todos os Direitos de Autor reservados nos termos da Lei 50/2004 de 24 de Agosto
e 2ª versão (a mais recente) Lei nº 49/2015 de 05/06.


17 - AROMAS E COR
O Verão
Era uma porta a oscilar
Jardim secreto abrindo-se aos perfumes
Manhã onde o orvalho poisava
O vento...
Canção de eterno embalar
Trazia nos dedos os sons da música
Fazendo as folhas dançar
Longos os dias
Acordando memórias esquecidas
Nas horas redondas da cor do ar
Pairava um doce odor a cerejas
maduras
A fruta acabada de colher
Lentamente
Num lânguido entardecer
O dia desmaiva
O sol num jogo de luz e cor
Era o arauto da noite anunciada
Sombras dançantes pintavam o horizonte
Provocando o dia num beijo de amor
A Guardadora de Palavras
Fernanda Rocha
Direitos de autor reservados


18 - ENCANTAMENTO
Bastou-me um olhar
E sem meditar
Vi algo de belo
O Sol a nascer
A árvore a crescer
Céu, cinzento e amarelo
Hoje é Janeiro
Mês do ano primeiro
Sem fazer prognóstico
Poesia é fantasia
É sim uma utopia
Fiz o diagnóstico
Olho o chão que piso
Enquanto organizo
Minhas rimas singelas
O tema é bonito
Por mim foi escrito
Dei verdade a todas elas
Imagens brilhantes
São estrelas dançantes
Nos braços da Lua
Chegou até mim
Um cheiro a Jasmim
E espalhou-se na rua !
Laura Prates


19 - Pôr do sol
Fios de ouro o sol expõe
Cada um tem o seu fim
Cada um para o poente
Nenhum é para mim.
Vejo tanta beleza
Desde o céu até ao chão.
Vejo tanta grandeza
Rimas em poemas serão.
Pintam-se numa tela
Árvores em nostalgia
Fortaleza foram um dia
Qual cortiça ou resina.
Entanto nunca vi tal visão
Ou um negativo de fotografia
O enquadramento é perfeito
Visualizo resiliência e sabedoria.
19 Janeiro 2026
Graciete Lima


20 - O SOL POR
.
É um sublime entardecer
A cor… é da mais pura magia…
O sol segue para novo nascer
Enquanto deste lugar se despedia!
.
Empresta uma imensa tranquilidade
O olhar é seduzido pela concentração
São momentos que deixam saudade
Nem se encontra… explicação!
.
Tudo é belo e encantador
Tão atraente… a ausência demove
Por ser tão belo o seu esplendor
Que ao rever, a saudade consome!
.
Espero novamente me deparar
Com aquela paz imensa no interior
Apaziguados os vendavais a soprar
Venha a paz, que me permita apreciar
O mais lindo e gratificante sol por!
.
São Pereira


21 - A árvore do Sobreiro
Tão velhinho é o sobreiro
Passou por tantos vendavais
O tempo olhou para o lado
Não ouviu os lamentos e ais.
Troncos esfarrapados
A roupa alguém lha tirou
Seria o tempo inclemente
Ou o homem para si a usou.
O sol viu todos os movimentos
Sem querer sempre a iluminou
Aqueceu todos os dias o seu ventre
Uma janela lhe abriu e ficou.
19 Janeiro 2026
Graciete Lima.


22 - O dia declina
Mote:
O dia declina
Laranja vital
Poente sonhar
Na vida real.
Glosas:
Rotação ocultar
A luz do poente
Ciclo dial rente
Horizonte ornar
Descanso mimar
Mago ritual
Nas trevas a estrela
Na vida real.
Sombras difundir
Medos e magias
Nossas fantasias
No sonho sentir
Luz coexistir
Nascer triunfal
Com motivação
Na vida real.
Na roda da vida
Agora, amanhã
Dia talismã
Viver tão querida
Paz bem pretendida
Tão transcendental
Perfeição, beleza
Na vida real.
Mary Lai (Cidália Teixeira)


23 - Enquanto o Sol brilhar 
a meus olhos existirá sempre 
o mesmo espanto
espanto que é estímulo de vida 
assistir ao júbilo da natureza 
perante ele. 
Sol, elemento 
que é poder de recriar
todas e quaisquer maravilhas dispersas
até, nas paisagens mais inóspitas
a sua luz quente e radiante 
transforma milagrosamente tudo em beleza. 
Sobre a terra tudo floresce
e no mar, seu brilho resplandece 
intensificando a cor nele espelhada 
do azul céu em cada dia 
do nascente ao poente 
realidade que é excelência, primazia. 
.......... 
maria g.


24 - Uma
Árvore especial
que Deus criou com carinho
revela sua beleza
altiva recebe o sol
luz que a todos irradia
acordo-nos para um o novo dia.
Uma imagem divinal
cheia de belos mistérios
na terra para todos verem
na sutileza da natureza
e encanto para a  vida.
Árvore sob a luz do sol pôr
que enfeita a imensidão
luzes entre a terra e o céu
e lembranças mágicas
de juras eternas minhas e tuas.
Mila Lopes 
Direitos de @utor reservados


25 - "O safari"
Que haja beleza na pintura da vida
Como o sol de cada dia ao passar
Que fazer para quem tem alegria?
Basta com Deus viver e se animar.
Quando acordo o meu coração bate
Com a fascinação deste idílico momento
Os meus olhos radiantes são o escape
De louvores a Deus como flores ao vento.
Com os olhos percorrendo o horizonte
Extasiada pelas cores da natureza gloriosa
Percorre-me o pensamento o rinoceronte
Com a profundidade de uma paixão ditosa.
Aprazível me consola deveras inebriante
Como se quisesse ver um amor assim
Aguardando com uma visão hilariante
Tamanha maravilha de animais sem fim.
Lurdes Bernardo




12-1-2026


29
1 -
NUM TERNO GESTO
.
Escrevo um poema ao tempo
Com as cores da harmonia
Sonhando dançar no ar
Numa dança de carinho
Fazendo da noite, dia
Cores doce e delicadas
Pintando um belo céu
Como se fosse um véu
A noite no seu chegar
Devagar.... devagarinho
Ensina-nos o caminho
Num terno gesto de amar
A Guardadora de Palavras
Fernanda Rocha
Direitos de autor reservados


2 - MOINHOS
Oh! Vendavais
que venceram a força
das pedras que cantavam 
hinos de alegria antigos
nas velas que rodavam
brancas entre varais! 
Mudaram de sentido
(e que a vontade não torça) 
as paredes de pé erguidas
que se tornaram abrigo
lembranças antigas, memórias
de, ancestrais histórias! 
.......... 
maria g.


3 - "Já não há moleiros"
Já não há moleiros
Mas há ainda moinhos
Não moem farinhas
Nem têm burrinhos.
Não levam até às casas
A farinha que faz o pão
Mas recordam as amassas
Daqueles tempos de então.
Eram famílias inteiras
Que a farinha davam a moer
Para não passarem fome
Pois não tinham que comer.
Eram esses tempos tão difíceis
Felicidade de quem os não conheceu
Para tantos um naco de pão e sardinha
Era um grande pitéu.
Lurdes Bernardo


4 - MOINHO VELHO.
.
No alto do monte parado no tempo
O velho moinho já não faz farinha
Não gira as pás ao sabor do vento
Descansa sozinho na sua casinha
.
As velas rasgadas não sentem o ar
A pedra da mó já não quer rodar
Ficou em silêncio a ver o luar
Sem ter o trabalho de outrora a ocupar
.
As pessoas que passam olham de longe
O muro de pedra que o sol já queimou
Parece um velhinho tal como um monge
A ver o progresso que o vento levou
.
Embora cansado e sem movimento
Ainda domina a serra inteira
Guardando as lendas e todo o sustento
Que deu à aldeia de forma fagueira.
.
José Martinho.


5 - CHAMADA FELICIDADE
Perco-me na doce luz do poente
Cor linda, sensual e quente
Que me adoça por dentro
É a luz do sentimento
Pairando muito baixinho
Por entre as franjas do tempo
Ao longe sinto bailar
Aquela doce magia
.
Que me traz a alegria
De poder de novo sonhar
No poente da verdade
Sentido com nostalgia
Nasce uma nova magia
Chamada felicidade
A Guardadora de Palavras
Fernanda Rocha
Direitos de autor reservados


6 - ...Igual
Se não é igual é parecido
...Bem parecido!
Ao moinho da minha aldeia
Um moinho a'inda erguido
Um moinho que é memória
Um moinho que faz parte
Da minha longa história.
Lembro com ternura
A minha infância
Essa em que...!
Da minha casa avistava
O moinho do Ti Ventura.
Sei que é Iniciativa
Contudo escrevi com sentimento.
Escrevi o que a minha Alma sentiu
Neste maravilhoso momento.
Florinda T Miguel Dias


7 - Memória Moída
Erguem-se as torres, de pedra e de tempo
Com pás que giravam em todo o momento
Moendo o trigo, pão para a nação
Um ciclo de vida em cada moção.
**
Foram o sustento, de tempos remotos
Guardando segredos, em seus alicerces rotos
O som da engrenagem, um eco a vibrar
No labor diário, a vida a moer.
**
Hoje, parados ou a girar com vigor
Contam histórias de muito labor
Moinhos de vento, relíquias do chão
Memórias moídas, em nosso coração!
Carmen Bettencourt !


8 - O Dançarino Silencioso!
Um dançarino mudo, no campo a bailar
Com braços que giram, sem nunca parar
O vento é seu mestre, a música a soprar
E ele obedece, sem reclamar.
***
Sua sombra se move, em círculos no chão
Um jogo de luz, pura imaginação 
Observa o horizonte com olhar sereno
Um ponto de força, num quadro ameno.
***
Que traga a esperança, em cada rodar
Que a força que move, nos venha inspirar
O moinho que dança, no imenso lugar
Um símbolo vivo, a nos recordar.
Carmen Bettencourt !


9 - A vida é como um moinho de vento
que sopra por todos os lados 
mas as velas é que decidem
a seu modo o girar.
Assim também a vida de todos nós 
cada palavra,cada gesto, cada sopro 
que damos é  sentido por  nós e move a cada movimento  da nossa vida . 
O vento passa mas é na forma como o acolhemos que o caminho se desenha á nossa volta.
___________*____________
Assim como o moinho de vento que marca a passagem da brisa e vai girando.
A vida passa pela gente e a gente passa pela vida girando todos os dias  superando, aprendendo e amando e lutando para  irmos evoluindo em cada experiência por nós vivida.
Mila Lopes


10 - NO VENTO A ECOAR
Do homem sua coragem
sobe a arriba em carrego
da semente pra moagem
leva e traz com gratidão
chora e ri, seu coração.
Hoje o moinho de vento
é verso, prece a ecoar
o não esquecimento
daquele muito estratego
para as bocas alimentar.
Lá, no alto do planalto
firme a tocar o céu
como ermida erguida
é pouso de avezinhas
que dela são rainhas!
..........
maria g.


11 - Moinho na serra tão sozinho
Moinho na serra tão sozinho…
Solitário na bel paisagem,
Vento o beija com tal carinho,
Velas se movem com a aragem.
Vem, moleiro, para moagem,
Traz os tais grãos pelo caminho,
No burro o saco, pulcra imagem,
Sobe a serra bem de mansinho.
A mó no seu real cantinho,
Vai moendo a sua dosagem,
Pó de farinha tão fininho,
O farelo já na miragem.
O padeiro faz a triagem,
Amassa o pão com tal jeitinho,
Fermentado, faz a moldagem,
Coze no forno bem quentinho.
Pronto, tiro um bom pedacinho,
Logo levo demais vantagem,
Funde a banha devagarinho,
Sorrisos ao prazer reagem.
Nesta minha, bela viagem
P’lo tempo onde sempre me aninho,
Era preciso ter coragem…
Moinho na serra tão sozinho…
Mary Lai (Cidália Teixeira)


12 - Moinho
Um moinho abandonado
Já foi um ofício d’alguém
moeu milho o centenário…
milho não comeu de ninguém.
Os sentidos ecoaram
em altares velas e vitrais
orgulhosas as estrelas
brilharam à volta sem ais.
Um cheiro ao passado
aproximaram pardais
é lenta a melodia
os dias são todos iguais.
Preserva sonhos lindos
grãos de trigo os ideais
transformou-os em delírios
O tempo não volta mais.
Ó moinho dantes rangendo
finges a todo o momento
solitário num céu aberto
o teu futuro é incerto.
12 Janeiro 2025
Graciete Lima


13 - VELHO MOINHO!
(1º Poema)
*****
Velho moinho
Onde o moleiro
De tão pobrezinho
Vivia sozinho
Um dia inteiro!
*****
E em que as velas
Ao sabor do vento
Nas noites tão belas
Sem haver janelas
Viam desalento!
*****
Para lá se ir
Ao cimo do monte
Tem de se subir
Para admitir
Ser belo o horizonte!
*****
O dia aparece
O sol desponta
E o moleiro “tece”
O pão que abastece
Famílias sem conta!
*****
Vai-se o dia embora
Volta a solidão
E o moleiro chora
Por não ver a hora
De outra solução!
*****
“O Poeta Alentejano” - Renato Valadeiro
Todos os Direitos Reservados


14 - O Bailado do Vento!
No alto da colina, um guardião se ergue
Com braços que giram, enquanto o vento urge
Um bailado eterno, no azul do céu,
Pintando paisagens, com seu véu.
*
As pás deslizam, num ritmo constante
Colhendo a força, num sopro vibrante 
Transformando o ar, em energia pura
Um espetáculo que sempre perdura.
*
Sussurram histórias, de outrora e de agora
Testemunhas caladas, de cada aurora
Gigantes gentis, no campo a girar 
Um hino à natureza a nos encantar.
Carmen Bettencourt !


15 - REMANDO O VENTO
Roda a par com o tempo as pás de um moinho
Remando o vento, o mar e os sonhos
Ás vezes é cantiga na voz da brisa
Outras é ventania, sal e maresia
O salpico meigo das águas numa embarcação
Numa viajem para as terras do oriente
Trazendo floração colorida das sementes
Em lábios doces e picantes no paladar das especiarias
A ternura da seda que escorre na tua pele macia
Entre as penas brancas da noite
Flutuando com a brisa no
silêncio da meia-noite
Trazendo teu perfume de sândalo e rosas
As águas do tempo correm para frente numa só direção
Girando a saudade no meu coração!…
@Fátima Arede
Todos os Direitos de Autor reservados nos termos da Lei 50/2004 de 24 de Agosto
e 2ª versão (a mais recente) Lei nº 49/2015 de 05/06.


16 - Nasce o sol!
Nasce o sol! Moinho de vento ilumina!
Na serra toca as estrelas no alvar,
Sonha ser um bailarino e cantar,
Velas rolam numa canção em surdina.
Sozinho! O vento soa na ravina,
Tão roliço, teto em cone a bradar
Mastro travado para não girar,
Deslumbrante a alva imagem na colina.
Nos dias de hoje, já pouco trabalho,
Moleiro vai lá, mas nele não vive,
Quando lhe pedem para o grão moer.
Lindo museu tão natural no orvalho!
Haja alguém que de novo bem o ative
P’ra que todos possamos aprender.
Mary Lai (Cidália Teixeira) 



17 - Rodando no tempo
**
No alto daquela serra
Quase tocando as alturas
Onde as vidas são mais duras
E o moinho se venera
Quando chega a Primavera
E as nuvens se dispersam
Ainda as velas interessam
Lembrando o rodar do tempo
Como se fosse um lamento
Outros tempos atravessam
**
As velas deste moinho
Sempre a vibrar de alegria
Tinham do vento energia
No mais alto do caminho
Hoje da dor é vizinho
O moinho em sua altura
Avista toda a lonjura
E no Céu se vai espelhar
Já nada tem para dar
Agora a vida é mais dura
**
Gertrudes Dias


18 - Na lonjura do alto do caminho
Onde a serra se torna mais agreste
Onde já nem os pássaros fazem ninho
Andam á volta do moinho como em prece
Pedindo ao vento que volte para as mover
Ficar sem seu trabalho o mundo não merece
E o homem não trabalha sem comer
**
Lembrando o vento que lhe trazia a energia
Era tudo o que mais queria no momento
Toda a serra se enchia de alegria
Vendo aquela vela em movimento
Se fosse no vale era a água que o movia
Mas lá em cima tinha mais merecimento
Perto do Céu sendo noite é também dia
**
Gertrudes Dias


19 - SAUDOSO MOINHO
Moinho de outrora
Te vejo agora
Como uma relíquia
Num tempo passado
Foste apreciado
És lindo...acredita
**
Sozinho na serra
Não é o que era
Na sua função
Se sente sozinho
Estagnou no caminho
Merece ovação
**
Lança queixumes
Sente ciúmes
A todos o momento
A força que tinha
O ego mantinha
Fugiu com o vento
**
Vejo de longe
No horizonte
Uma estatueta
Moinho velhinho
Tens o meu carinho
A vida é "maleita"
Laura Prates


20 - Paisagem bucólica
(Madrigal)
Paisagem bucólica onde amanhece,
Colina adormecida!
Estrelas brilham no céu de fugida,
Raios de sol batem no moinho e o aquece.
Iluminam serra e vida a surgir
Pássaros em gorjeios
Voam à volta do sol, gratidão!
Moinho com seus receios,
Paradas as velas sem redimir,
No ar o vento que lhe traz emoção.
Mary Lai (Cidália Teixeira) 


21 - RECORDAÇÕES
Subi ao alto da Serra
Com o Moinho falei
Apresentei-me quem era
E por fim ali fiquei
**
Ainda o Sol não nascia
Mas já se via o clarão
O Moinho percebia
E abriu o coração
**
Trabalhei anos a fio
Alimentei muita gente
Era sempre um corrupio
Mas passou a ser diferente
**
Porque a farinha era boa
Tinha grande clientela
Vinham até de Lisboa
Traziam ... A "Cinderela" ...
**
Já deixei de trabalhar
Chegou a "era" moderna
Outras máquinas vão ficar
A poluir a atmosfera
**
Depois do seu desabafo
Vi que se emocionou
Despedi-me com abraço
E muito triste ficou !
Laura Prates. 


21  - "O moinho"
O moinho da minha infância
Cujo sol ficava aquecendo
Era jovem tinha esperança
Caminhando me ia movendo.
Era o moinho dos meus sonhos
Nele eu queria morar
Criar filhos tão risonhos
Que pudessem também amar.
E lá do alto da montanha
Ao vê-lo sempre de dia
Grata seria na amanha
Da terra onde viveria.
Era o moinho mais lindo
Sem portões ou casinhas
Em ramos estava florindo
Só não tinha por lá vinhas.
Mas logo as verás crescer
Assim que eu as plantar
Só terão que frutos ter
Pois o céu as virá regar.
Lurdes Bernardo


22 - NAQUELE MOINHO!
( 2º Poema)
*****
Naquele moinho
Havia uma mó
Mas o tempo altera
E hoje quem me dera
Não vê-lo tão só!
*****
Ainda assim
Encontro-lhe beleza
Mesmo que “perdido”
Por estar envolvido
Pela natureza!
*****
Lá não mora gente
E o céu estrelado
Dá-lhe certamente
Uma “vida” diferente
Para nosso agrado!
*****
Sei que sinto ali
Ser lugar de paz
Ao monte subi
E a porta abri
Olhando por trás!
****
Ao fundo da colina
Uma povoação
Que afinal combina
Com a luz vespertina
De um certo clarão!
*****
“O Poeta Alentejano” - Renato Valadeiro
Todos os Direitos Reservados


23 - MOENDO, MOENDO!
(3º Poema)
*****
Moendo “moendo”
Lá se vai vivendo
A vida, o destino.
E tal o moinho
Não me movo sozinho
E até me fascino!
*****
Moendo, pisando
A terra ou a estrada
Não sei até quando
Mas de mim vou dando
Minha mão louvada!
*****
Calcando, esmagando
Mas sem nos forçar
Sem irmos castrando
Vamos encontrando
O nosso lugar!
*****
Aos poucos, sem pressa
Movemos a mó
Que a vida começa
E logo se processa
Terminando em pó!
*****
Então que a “azenha”
Demore a parar
Pr`a que nos mantenha
Sem nada julgar!
*****
“O Poeta Alentejano” - Renato Valadeiro
Todos os Direitos Reservados


24 - O progresso tudo muda
**
Ó velas do moinho que giravam sem parar
Lá no alto onde o vento não faltava em todo o dia
Onde os grãos eram moídos e farinha se fazia
Que dali saía para o mundo alimentar
**
Onde o moleiro , que sua vida ali fazia
Enfarinhado , o trabalho o fascinava
Se o Verão era quente e o vento lhe faltava
Pensava nos que não tinham pão para esse dia
**
O mundo se transformou de mil maneiras
Farinha ou pão continua a ser bom alimento
Pão , que na mesa é apreciado no momento
E que foi feito pelas mãos de uma padeira
**
O pão quentinho é um regalo e um prazer
E o moinho vai chorando em sua prece
A labuta de uma vida não esquece
E deseja que todos tenham pão para comer
**
Gertrudes Dias


25 - PARA NÃO CHORAR 
No cimo do monte, o velho moinho,
Ergue-se como guardião do vento;
Vê a passos fugir o mundo, sozinho,
Sem já moer o grão do lento tempo.
.
Outrora bastava-lhe o sopro amigo
E as tulhas enchiam-se de vida e pão;
Hoje, mesmo a brisa cantando consigo,
Nada preenche o vazio do coração.
.
Tudo observa - casas, campo, a estrada vasta,
O povo que se vai, a memória gasta;
História que o tempo teima em calar.
.
Dos dias áureos da roda encantada,
Só pede que a lembrança fique guardada;
Que o monte o sustente, pra não chorar!
.
RAADOMINGOS 


26 - A VIDA É FEITA DE CORES
No silêncio do fim da tarde
Quando o céu se pinta de beleza
Docemente...
Ergo uma prece sentida
Olho o éter e sonho
Perdida na magia da Natureza
As cores abraçam o éter
Convidando à doçura
Sinto em mim uma ternura
Macia como o cetim
Ergo os olhos pró poente
Neste carinho inteior
Sigo o caminho em frente
Distribuindo o amor
A vida é feita de cores
A Guardadora de Palavras
Fernanda Rocha
Direitos de autor reservados


27 - O MOINHO,
.
Estrategicamente lá no cimo
Num monte, batido pelo vento
O moinho roda pás sem destino
Num perfeito desatino
Sempre ao sabor do tempo!
.
Está de tal forma programado
Para cumprir a sua função
Rodando lento ou apressado
Sendo esse o seu fado
Rodar… é a sua missão!
.
O moleiro de vigia, aquele moer
É um companheiro fundamental
Seja noite ou longo dia
Não deixa de lhe fazer companhia
Regulando na moega o cereal!
.
A farinha controla, recolhendo…
Procurando da perfeição se certificar
As pedras vão obedecendo
Às ordens dadas pelo vento
As pás vão-se extinguindo... de rodar!
.
São Pereira


28 - O MOINHO DO MONTE
No alto do monte esquecido
Vive um moinho cansado,
de vento fraco, de tempo vencido,
de histórias no corpo gravado.
***
Já não gira como outrora,
quando o trigo chegava em festa,
agora espera noite afora,
que o vento lhe faça promessa
***
As pás rangem como memória,
Vão contando segredos aos céus
dos seus feitos, momentos de glória
que o tempo jamais esqueceu
***
E, sozinho vigia o vale inteiro,
como sentinela do sol poente,
o velho moinho altaneiro,
é o guardião d'um passado, presente.
Celestina Esteves


29 - SOU MOINHO DE VENTO
.
As pazes do meu sentir…
Não me dão nunca descanso
Às vezes parecem… em normal fluir
Para me enganarem, estão a fingir
Sabendo… o que amo tanto!
.
Moem, moem… sem parar
Até parece programado castigo
Obedecem a ventos a soprar
Até na pausa a descansar
Importunam o meu abrigo!
.
A esperança conservo num sorriso
Enquanto as pazes… moem o meu encanto
Já não sei… o que tanto preciso
Acometida de tanto suspiro
Com a tontura de rodar tanto!
.
São Pereira






5-1-2026

21

1 - Um par de corujas
Um par de corujas no seu poleiro
De aparência sábia e misteriosa
Numa posição demais majestosa…
Existem já poucas p’lo mundo inteiro.
Coruja solitária no negreiro,
Só se junta pra procriar, ditosa,
Voando no vento silenciosa,
Sente a presa pelo capim rasteiro.
Soberana no breu da noite, voa.
Enxerga na mais negra escuridão
Boa reflexão e bom conhecimento.
Coruja e o misticismo no ar ecoa,
Pios vitais na comunicação,
Marca do saber, sagrado momento.
Mary Lai (Cidália Teixeira)


2 -   APRENDIZADO
.
Na floresta, pousada, há um ser que vigia,
Guardiã da noite, do silêncio e do saber;
Conhece o escuro melhor que o amanhecer,
Pois só quem vê na sombra, conhece o dia.
.
Não canta, observa - lê o destino calada;
Sabe que a luz chega a quem sabe esperar
E é nessa lição que me deixo ficar,
Enquanto o sol pinta d'ouro a madrugada.
É no recolher das asas, tão sábia, fiel e inteira,
Quando o Sol acorda a cor ainda esquecida,
Que em gestos suaves e mistérios envolvida 
Diz-nos :  "Teu calor mora à minha beira" .
Pois o amor não é fantasia nem promessa vã;
Avança como o rio que conhece a foz,
Cresce no curso e desagua em nós,
Aprende a ser luz ao chegar à manhã.
O passado encerra quando a noite se fizera 
E como a coruja guardo o saber do escuro
Vivo o agora, certo e mais seguro,
Como se a vida fosse, eterna primavera.
RAADOMINGOS 


3 - SER LIVRE SEM LAMENTOS
No beiral do meu sonhar
Duas corujas vêm poisar
São aves mansas e belas
Que no seu doce cantar
Amaciam meu viver
Sonhando poder voar
Partir pra longe sem medo
Dar asas à liberdade
Ser o arauto do tempo
Conhecer e aprender
Deixar para trás as dores
Voar nas asas do vento
Sinto em mim este apelo
De ser livre sem lamentos
A Guardadora de Palavras
Fernanda Rocha
Direitos de autor reservados


4 - "Corujas"
Ao voar com vontade e prazer
Um dia quando a noite se abeirar
Irei com muita curiosidade ver
A coruja no beiral se apoiar.
Irei dar-lhe asas para ver o mundo
Para que o possa ajudar a ser melhor
Com os que estão exaustos e no fundo
Cheios de medo de viver com desamor.
Irei fazer o mesmo que a minha mãe
Logo lhe pedirei com tal suavidade
Para proteger pessoas fracas também
E que não pressinta a morte com vaidade.
Sendo coruja eu ave secular e noturna
Na escuridão da noite bato asas vou viajar
Ver a lua iluminada com suave luz diurna
Gostei de te conhecer e contigo vadiar.
Lurdes Bernardo


5 - Um casal. . Mocho e fêmea
No Inverno em minha quinta
A geada forma um manto
Que tudo veste de branco
Como um artista que a pinta
Pincelada em verde -tinta
Tem árvores pró passarinho
Que pousam devagarinho
Onde as folhas estão crescendo
E o casal vai trazendo
Musgo e era pró seu ninho
As folhas secas caíram
Voltando nova ramagem
Coruja e mocho com coragem
Logo os seus pios se ouviram
Sempre na noite se uniram
Com o seu forte piar
Querem no escuro caçar
Insectos e ratazanas
De rapina têm fama
Para depois os devorar
Seus olhos são amarelos
Perscrutando o horizonte
Qualquer ramo faz uma ponte
Piando em momentos belos
E em seus voos paralelos
Planeiam a caçada
Voltando noite fechada
Pra mais uma rapinagem
Depois de outra viagem
Vão comer á descarada
Gertrudes Dias


6 - Olha-me 
com olhar frio
penetrante 
repassado de intuição
de um saber obscuro 
que causa arrepio
Desvio 
desses olhos hipnotizantes 
os meus, temerários
e hesitantes
com a sensação 
de por eles ser perseguida. 
Fujo 
desse estado sombrio
desesperadamente
e esconjuro
desalmadamente 
o fardo pardo de penas  
que me deixou perdida! 
.......... 
maria g.


7 - A BELEZA DA NATUREZA
O tempo poisou em mima
Acariciou o meu corpo
Sem autorização
Escreveu doces poemas
De uma beleza sem fim
No
Na mansidão da noite
Vem o dia repousar
Na beleza do luar
As sombras Dançam em mim
Como se eu fosse um jardim
É a beleza da Natureza
Que me leva a sonhar
A Guardadora de Palavras
Fernanda Rocha
Direitos de autor reservados


8 - Num jardim de árvores frondosas
Iluminado pelos mistérios da lua cheia
No silêncio quieto da noite, um par de corujas formosas
Conspiravam o destino, tendo a lua como fiel companheira
Por entre os labirintos da noite ecoam pios em augúrios
Seus olhos de vidro são espelhos de outro mundo
Penetrando os recônditos da alma de tão profundos,
Plenos de mistérios só revelados aos prodígios!
Olhar nos olhos penetrantes de uma coruja,
É como contemplar o passado e vislumbrar o futuro
Girando, girando… até onde o pensamento alcança
Entre retratos e memórias, num voo inocente e puro
Nessa linda viagem entre sorrisos e lágrimas
Num silêncio paciente que ensina e transforma
Tocando o divino, na sabedoria das almas
Num bater de asas que inspiram poemas!…
@Fátima Arede
Todos os Direitos de Autor reservados nos termos da Lei 50/2004 de 24 de Agosto
e 2ª versão (a mais recente) Lei nº 49/2015 de 05/06.


9 - Ave noturna
Quando em minha laranjeira
De noite a ouço piar
Gosto sempre de ir espreitar
A coruja por brincadeira
Sei que é uma asneira
Queria -a domesticar
Mas sendo ave de rapina
Não vai com falinhas mansas
O seu olhar sempre alcança
Alimento que a anima
Quando os olhos inclina
Com os ratos faz festança
E por todo o Continente
O seu piar é notado
Nas hortas ou no valado
Ela está sempre presente
A cabeça é diferente
No mocho é quase um quadrado
Uma noite a espreitar
Eu levei uma lamparina
Com certeza se adivinha
Que só a fui espantar
Longe ouvi o seu piar
Pois comigo nunca alinha
Caçando insectos e ratos
É mistério e introspecção
Gostava de a ter á mão
Mas ela não tem bom trato
Nunca caça ao desbarato
Na noite tem mais acção
Gertrudes Dias


10 - CANTARES DA CORUJA!
(3º Poema)
*****
Na noite a coruja passa
Com voo leve que não cansa
Traz fama antiga de agouro
Olhar fundo que atravessa
A alma, a fé e a promessa
De vida, morte e até choro!
*****
Na plumagem que carrega
Guarda da noite, não nega
Fechando os olhos no dia.
Mas quando a lua desponta
Logo ela se apronta
A ter mais sabedoria!
*****
Diz o povo na aldeia
Que seu canto incendeia
Medo, reza e mau destino
Uns veem sinal de morte
Outros chamam-lhe boa sorte
Mas pela qual me fascino!
*****
Ave de rapina serena
Na paciência que encena
Um ataque breve e certeiro
Caça lagartos no chão
Coelho incauto na amplidão
Num instinto verdadeiro!
*****
Tal qual qualquer vivente
Segue a lei dura e urgente
De ter de sobreviver.
Não é presságio nem mal
É a natura universal
Que lhe permite assim ser!
*****

“O Poeta Alentejano” - Renato Valadeiro
Todos os Direitos Reservados


11 - Tendo índole cultural
E um voo silencioso
Traz protecção espiritual
Mas a morte por igual
A quem é supersticioso!
*****
A coruja ao ser bonita
Pode servir de amuleto
Mas de dia ela dormita
E quando escurece transita
Na noite que veste “preto”!
*****
É uma ave de rapina
Apesar de ter beleza
Quem vê uma diz que a sina
Logo a um agouro se confina
Para além de ter destreza!
*****
Pois na sua agilidade
Caça coelhos, cobras, ratos
E o que mais tiver vontade
Não importa a mortandade
Pl`a frieza dos seus actos!
*****
Mas porque tal como nós
Pr´a que se possa governar
Tem mesmo de ser veloz
E comer de forma atroz
O que haja na cadeia alimentar!
*****

“O Poeta Alentejano” - Renato Valadeiro
Todos os Direitos Reservados


12 - SÍMBOLO ESPIRITUAL
.
O mocho, uma ave fascinante
Símbolo antigo e inspirador,
Na decoração sempre presente
Imaginário coletivo superior.
.
Guia de decisões importantes
Símbolo de sabedoria, intuição,
Atravessa culturas no presente
Projeta sensibilidade e proteção.
.
Mocho símbolo de espiritualidade
Na decoração sempre presente,
Antigas culturas reciprocidade
Na decoração várias vertentes.
.
O mocho desperta curiosidade
Por suas valências espirituais,
Visão interior com sensibilidade
Valorizada nos tempos atuais.
.
Funchal, 5 de Janeiro de 2026
Cecília Pestana


13 -  COMO UMA PRENDA SONHADA
Numa tarde de Verão
Estava eu de férias na aldeia
Em casa dos meus avós
Vi duas corujas poisadas
No beiral da velha janela
Como que ensaiando
Um belo e doce trinado
Tinham o olhar brilhante
Doce... como um doce fado
Deslumbrada... eu olhava
Sem delas me aproximar
-----Para não as assustar.
Perdi-me em belos sonhos
Ao vê-las ali poisadas
Abençoei esse tempo
Como uma prenda sonhada
A Guardadora de Palavras
Fernanda Rocha
Direitos de autor reservados


14 - SONETO À CORUJA!
(1º Poema)
*****
Sendo chamada de coruja
Há nesta ave que pia
Uma grande sabedoria
Sem que dela não se fuja!
*****
De plumagem acastanhada
Pintas brancas à mistura
Será uma grande loucura
De querê-la embalsamada!

Reveladora de segredos
A mim não me causa medos
Foge de aparecer de dia

*****

A história assim o ordena
Ter sido mascote de Atena
E símbolo da filosofia!

*****

“O Poeta Alentejano” - Renato Valadeiro
Todos os Direitos Reservados


15 - Pela madrugada
(Cantiga)
Mote:
Pela madrugada
Oiço uma coruja,
No alto castanheiro,
Ping ping da meruja.
Voltas:
Coruja e o parceiro
U u u u u u u no seu piar
Atração p'lo par
No mato o poleiro
Pio verdadeiro
No alvar p'la caruja
Dia a aparecer
Ping ping da meruja.
Mistério o seu fado
Tanta sabedoria
Na noite a magia
Racional brado
Intuitivo achado
Tão feliz rabuja
Presa, o alimento
Ping ping da meruja.
Na toca a ninhada
Num lugar seguro
Se esconde no escuro
No ocaso a soada
Numa desgarrada
No céu a garatuja
Comida às crias
Ping ping da meruja.
xxxxxxxxxx
Caruja--> orvalho
Meruja--> chuvisco
xxxxxxxxxxx
Mary Lai (Cidália Teixeira)


16 - Coruja
(Indriso)
Coruja ave de rapina
Bico curvo e tão afiado
Garras para capturar
Visão e audição bom legado.
Saber ancestral domina.
Mistério: proteção e morte
Vista como mau presságio
Por ser noturna, má sorte…
Mary Lai (Cidália Teixeira)


17 - O mocho e a coruja
Nem que a noite os assustasse
Nem que o dia os não traísse
Nem que fossem á rapina
Conhecidos pelo piar
E o gosto por insectos
Pelo seu corpo malhado
E a sua grande cabeça
Os tinham denunciado
Nem que os liguem ao agoiro
Nem a fama de assustar
Nem a árvore que é seu poiso
Os consegue demover
Do seu gosto pela caça
Das pessoas assustar
Por serem de mau agouro
Nunca a fama os vai largar
Nem que fosse pelo piar
Nem que a noite fosse branca
Nem que o seu corpo castanho
Onde a cabeça é enorme
E os olhos são amarelos
Seriam bons companheiros
A construir o seu ninho
Entre os outros os primeiros
Gertrudes Dias


18 - MOCHOS NA FLORESTA
.
Na floresta escura ao cair da noite
Vivem dois mochos lado a lado
Olhos atentos voo sem açoite
Um casal calmo e bem unido
.
Num tronco velho fazem morada
Onde o silêncio sabe falar
Ficam juntos de madrugada
A cuidar do ninho a descansar
.
Quando a lua sobe devagar
Ouve-se um pio pelo ar
É um chamamento a confirmar
Que nunca se vão separar.
.
Entre ramos passam a vida
Sem pressa sem confusão
Dois mochos mesma batida
Coração com coração.
.
José Martinho.


19 - Corujas 
Entre sombras da floresta 
espreitam olhos sem dormir 
são corujas d’alguma espécie 
em bicos de pés a bulir.
Mudas com tudo isto
junto a um rio que tudo vê 
mata a sede às criaturas 
mil feitiços prevê.
Milagrosa a floresta é 
os galhos não veem os céus 
tāo agreste e adormecida 
 o Ujo não grita… de dia.
A noite vem de mansinho 
nas asas de um corujão 
ideal para caçar 
um coelho num alçapão.
A coruja voa ao de leve
deu às  asas sem sermão 
fujidias de um sol alegre 
o luar não as descreve.
Roda a cabeça secreta
quando ao redor há algo
olhos magos com mistério 
na ação na cobiça e no alvo.
Curiosas no escuro 
nada que não seja ruim
são como os homens sábios 
procuram o saber… até ao fim.
5 de Janeiro 2026
Graciete Lima


20 - Os Mochos,
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Os mochos gostam das alturas
Durante o dia, descansam recolhidos
Não se arriscam em aventuras
Apesar de não terem muitos inimigos!
.
Fazem ninhos lá no alto
Num tronco apodrecido, esburacado
Precavendo-se de algum assalto
Dalgum inconveniente esfomeado!
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Fofinhos, lindos e curiosos
Em pequeninos a espreitar
Com um lindo modelo de olhos
E um marco ao meio a separar!
.
Costumam-se anunciar na noite
Lembro-me que havia luar
Não à cuco que não se afoite
Quando pretende, à companheira agradar!
.
Os seus ecos no silêncio, dá para escutar
A natureza tem segredos, magia…
Lembro-me de os ouvir comunicar
Despertam-nos os sentidos, têm profecia!
.
São Pereira


21 - AS DUAS CORUJAS 
No campo calmo, sob a lua a brilhar 
Duas corujas conversam ao vento gentil 
Segredos antigos começam a cantar 
Na noite serena de um sonho sutil 
Entre as estrelas, aprendem a voar 
Por trilhas de prata no céu aberto
O mundo adormece, mas elas a pensar 
Desenham futuros no caminho certo 
Quando o sol nasce, vão descansar 
No velho carvalho de tronco, duro
Pois toda coruja precisa guardar 
Os versos da noite num lugar seguro.
CELESTINA ESTEVES





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