quarta-feira, 7 de maio de 2025

 JOSÉ MARTINHO


FUI AO BARBEIRO

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Finalmente fui ao barbeiro

Cortar o meu cabelinho

Paguei algum dinheiro

Mas vim de lá bonitinho

.

Já havia muito tempo

Que o cabelo não cortava

Não era por falta de tempo

Era porque a Maria  não me deixava

.

Senti-me como se estivesse na infância

Ri-me com as cócegas que no pescoço sentia

Mas não ligava importância

Porque sabia, que era o pente que as fazia

.

Por momentos voltei aos tempos antigos

Via o barbeiro pousar a tesoura em forma de À

Perguntava logo aos meus amigos

Sabem que letra ali está?

.

Falava-se muito em desporto

Em arraiais e bailaricos

Ir cortar o cabelo até dava gosto

Saíamos de lá todos eufóricos

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Já não estava habituado

De ao barbeiro ir

Pelo barbeiro fui acordado

Por me ter deixado dormir

.

Acordei do passado

Regressei ao presente

Encontrei tudo mudado

Tive saudades do antigamente

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José Martinho.

FERNANDA ROCHA


PERGUNTAS À VIDA

Nunca parti

Passeei nas encostas do meu medo

Corri por montes e vales

Para descobrir meus segredos

Parei no cimo dos montes

Olhei a vida de frente

E perguntei bem baixinho

Porque pões no meu caminho

Desafios tão diferentes?

Mas tu não me respondeste

És vida sem alegria

Já não sei escrever poemas

Porquê este desinteresse?

Ó solidão

Tu que te deitas na noite mais escura

E fazes figura de gente importante

Mas não sabes ser doce e clemente

Contigo a alma sofre sem parar

Chora o que seu perdeu

E vai morrendo nas ondas do mar

Fernanda Rocha

GERTRUDES DIAS

Amar o próximo 

Porque choras meu amigo 

Sentado aqui neste chão 

Tens frio e corres perigo 

Imaginar não consigo 

Que tens fome e não tens pão 

E o que fazes tu menino 

Nesta rua a esta hora ? 

Estou aqui mas sou velhinho 

E tu que és tão novinho 

Andas de noite por fora 

Eu tenho a minha avozinha 

Mas nem mãe nem pai eu tenho 

Se tu não tens uma casinha 

Vem comigo para a minha 

Que eu nisso faço empenho 

Seguindo pela rua fora 

A mão lhe deu de repente 

A avó veio nessa hora 

Deu -lhe a benção sem demora 

E a vida ficou diferente 

A avozinha lhe disse 

Já tens um pai para amar 

E o pobrezinho em meiguice 

Na mesma hora lhe disse 

Meu filho vou -te adoptar 

A avozinha os cuidava 

Num ambiente feliz 

Naquela noite eu lá estava 

Deus nunca me abandonava 

E foi ELE que assim quis 

Gertrudes Dias


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