Os meus livros

 

Edição especial



ECOS MEUS...

Para mim, este livro é apenas o eternizar de algo muito importante que aconteceu numa fase menos boa da minha vida. Mais uma. Estávamos em 2012, na aldeia de Carapito, distrito da Guarda, terra do meu falecido Pai. Sentindo-me perdida e obrigada a ficar longe de tudo e de todos e sem motivação para pintar, o que até então me acalentava, subitamente vejo-me de caneta na mão a passar para o papel o que me atormentava, me causava dor. Foi nessa altura que me iniciei na escrita. Nunca antes tinha sequer tentado escrever um verso que fosse. A minha iniciação na pintura também surgiu de uma situação dolorosa que afetou a minha saúde, mais propriamente os membros superiores, aquando do falecimento do meu Pai. A pintura foi uma das terapias que me levou a reaprender a mexer os braços, uma vez que os tive imobilizados durante um ano. Este livro não tem um tema e os escritos que fazem parte dele, não foram selecionados. Aqui irão encontrar os meus primeiros escritos entre 2012 e 2015, salvo raras exceções. Não tenho um estilo de escrita, escrevo sobre o que me apetece, independentemente dos temas serem tristes ou alegres. Escrevo sobre realidades que serão de todos nós, não sobre vivências minhas. Apenas dou asas à imaginação e não perco uma fonte de inspiração. Algumas páginas serão ilustradas com telas de minha autoria. Se o que escrevo é bom ou mau? Não sei, nem me preocupa. O que me interessa, é que me sinta realizada com o que escrevo. A opinião de cada um é apenas isso, uma opinião, que respeito e até agradeço, mas em nada me influencia. Longe de mim considerar-me poetisa ou escritora. Apenas me dei a liberdade de registar em livro o que escrevi com tanto prazer, relacionado com vários temas e situações. Afinal, todos temos o direito a realizar os nossos sonhos, desde que não prejudiquemos ninguém.

Agradeço a todos que me ajudaram a chegar até aqui. Aos amigos e familiares, pela força e por se regozijarem com a minha felicidade. Aos outros, por aguçarem o meu espírito de contradição.

Agradecimentos especiais a quem à poesia me apresentou, tudo me ensinou, motivou e incentivou, embora na altura nem me passasse pela cabeça vir a escrever. Mas o que me foi incutido, foi absorvido e mais tarde os resultados surgiram, inesperadamente. Sem tais ensinamentos e exemplos, não teria conseguido. Por isso, a minha gratidão e reconhecimento, serão eternos.

Desejo que todos os leitores tenham a mesma satisfação e prazer a ler, como eu tive ao escrever cada palavra deste livro.

Dedico este livro aos amores da minha Vida: ao meu Pai e à minha Mãe por serem a razão da minha existência; ao meu filho por ser a continuação de mim e ao meu marido, por aquilo que mais tem feito…amar-me. Ao meu marido, ainda faço questão de agradecer a disponibilidade total, permitindo dessa forma a realização de cada desejo meu.

Este livro estava pronto na gaveta, desde 2019. Várias vezes tentei dar-lhe vida, mas aconteceu sempre algo a impedir. Não, não desanimei. Eu defendo que tudo acontece no momento certo. Apenas sou grata por esta realização e pelo carinho das pessoas envolvidas.

Helena Santos Pena


Poema da contracapa...


PRIMEIROS VERSOS 

Foi aqui que tudo começou
Nesta aldeia que me acolheu
Quando tudo era tão doloroso
Que até o sol comigo soluçou

Precisei falar, a alma abrir
E a quem apelei, simplesmente recusou
Não me quis ouvir

Pedi ao vento Norte, um conselho
Respondeu que dele não precisava
No coração encontraria a resposta que ansiava

E encontrei, depois de muito pensar
Com uma caneta fiz uma arma
Do papel o campo de batalha
E iniciei uma guerra para ganhar

Usei munições de palavras doces
Bandeira da cor do amor
Transportei-me numa estrela cadente
E aterrei no campo adversário, sempre sorridente

Denunciei-me

Fui descoberta como planeei
E expulsa como esperei
A mensagem que na bagagem levei
Deixei espalhada na terra fértil que encontrei

Missão cumprida
Fui lida, mas nem por sombras, entendida
Diálogo não houve, mas estou de bem com a vida
Embora triste e um pouco desiludida

Alguns anos passaram e novamente aqui estou
Com o olhar perdido no mesmo horizonte
Onde a Serra que as minhas lágrimas amparou
Acena-me feliz, porque agora só sorrisos captou

Se o primeiro escrito foi manchado com sal
Este está iluminado com amor e alegria
E até recordo com serenidade e saudade
Tudo o que aqui vivi um dia!

Helena Santos Pena


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