O CAMPONÊS.
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O camponês sentindo a morte no peito
Chamou os filhos e disse-lhes que ia morrer
Reuniu todos à volta do seu leito
Eles ouviram, o que o pai tinha para lhes dizer
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Desde que nasci outra coisa não faço
Que é a nossa terra cavar
Com a força do meu braço
Para todos nos alimentar
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Vocês sabem o que é cavar?
Eu sei que não sabeis
Quando eu vos deixar
Não podem viver com viveis
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Não fiz de vocês cavadores
Mas são homens honrados e leais
Deverão ser meus seguidores
Como eu fui dos meus pais
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Não estavam à espera desta herança
Do que fiz pela vida fora
Peço-lhes que ganhem confiança
E comecem a cavar agora
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José Martinho
PRAZER DO VERBO AMAR
Escorregou do teu peito a saudade
Caiu aos teus pés já tão cansada
Olhaste-a num sorriso divertido
Percebeste que em ti ela já não era nada
Cerraste as persianas da tristeza
Impedindo a sua entrada sem licença
Deixaste entrar a alegre gargalhada
Envolta pelo carinho e pela beleza
Sorriste
Um sorriso bem disposto
Nascido em tua boca a saltitar
O amor que estava à espera do sorriso
Abriu-se ao prazer do verbo amar.
A Guardadora de Palavras
Fernanda Rocha
As minhas penas
De penas me visto e arrasto no chão
No meu passo altivo sempre a deslumbrar
Coração sofrendo nesta dor de amar
De sonhos cativa em doce ilusão
Como melodia de eterna canção
Quando repartida vai multiplicar
A paixão eterna de um doce sonhar
Pronta a dividir o meu coração
E volto de novo disposta a amar
Neste amor ardente do meu coração
Voltando a pisar as pedras do chão
Contente me entrego para deslumbrar
E altiva me vou ao Céu elevar
Enquanto em meu peito arde um vulcão
Neste amor criei efémera visão
Que em rio de lágrimas se vai transformar
Gertrudes Dias



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