sexta-feira, 1 de novembro de 2024

 

O CAMPONÊS.

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O camponês sentindo a morte no peito

Chamou os filhos e disse-lhes que ia morrer

Reuniu todos à volta do seu leito

Eles ouviram, o que o pai tinha para lhes dizer

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Desde que nasci outra coisa não faço

Que é a nossa terra cavar

Com a força do meu braço

Para todos nos alimentar

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Vocês sabem o que é cavar?

Eu sei que não sabeis

Quando eu vos deixar

Não podem viver com viveis

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Não fiz de vocês cavadores

Mas são homens honrados e leais

Deverão ser meus seguidores

Como eu fui dos meus pais

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Não estavam à espera desta herança

Do que fiz pela vida fora

Peço-lhes que ganhem confiança

E comecem a cavar agora

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José Martinho


PRAZER DO VERBO AMAR

Escorregou do teu peito a saudade

Caiu aos teus pés já tão cansada

Olhaste-a num sorriso divertido

Percebeste que em ti ela já não era nada

Cerraste as persianas da tristeza

Impedindo a sua entrada sem licença

Deixaste entrar a alegre gargalhada

Envolta pelo carinho e pela beleza

Sorriste

Um sorriso bem disposto

Nascido em tua boca a saltitar

O amor que estava à espera do sorriso

Abriu-se ao prazer do verbo amar.

A Guardadora de Palavras

Fernanda Rocha


As minhas penas 

De penas me visto e arrasto no chão 

No meu passo altivo sempre a deslumbrar 

Coração sofrendo nesta dor de amar 

De sonhos cativa em doce ilusão 

Como melodia de eterna canção 

Quando repartida vai multiplicar 

A paixão eterna de um doce sonhar 

Pronta a dividir o meu coração 

E volto de novo disposta a amar 

Neste amor ardente do meu coração 

Voltando a pisar as pedras do chão 

Contente me entrego para deslumbrar 

E altiva me vou ao Céu elevar 

Enquanto em meu peito arde um vulcão 

Neste  amor criei efémera visão 

Que em rio de lágrimas se vai transformar 

Gertrudes Dias

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